Caburé reúne Papete, Luiz Cláudio e Thomas Rohrer
Álbum ao vivo gravado na livraria e bar Poeme-se, no Centro Histórico de São Luís, celebra a improvisação e homenageia o legado do mestre maranhense Papete, que completa 10 anos de morte
Um encontro musical raro e memorável no final dos anos 90 ganha agora registro oficial com o lançamento do álbum “Caburé”, gravação ao vivo realizada no lendário Poeme-se, espaço cultural no Centro Histórico de São Luís do Maranhão, e que estará disponível em todas as platafomas digitais no dia 26 de maio. Tive o privilégio de uma audição em primeira mão. A sensação é de amor à primeira ouvida.
O disco captura um momento singular da música brasileira e mundial: a união do mestre maranhense Papete, ao lado do percussionista Luiz Cláudio e do músico suíço Thomas Rohrer.
Gravado em uma apresentação intimista e vibrante, o show reuniu elementos da tradição rítmica maranhense com influências da música instrumental europeia, criando um diálogo musical intenso.
Exaltação aos Lençóis Maranhenses
O título “Caburé” faz referência ao local de mesmo nome situado nos Lençóis Maranhenses, onde parte das composições do disco começou a tomar forma. Em uma época em que a região ainda era extremamente remota e pouco habitada, os músicos passaram períodos de criação naquele cenário singular, no encontro do Rio Preguiças com o mar, ambiente que inspirou a atmosfera livre e contemplativa presente nas composições.
No palco, Papete — reconhecido internacionalmente por sua pesquisa e valorização das matrizes culturais do Maranhão — apresentou uma performance marcada por berimbau, voz, efeitos sonoros e percussão corporal, explorando ritmos ancestrais e improvisações cheias de energia.
Ao seu lado, Luiz Cláudio construiu uma base percussiva rica e pulsante, utilizando instrumentos diversos da cultura popular maranhense e global, enquanto Thomas Rohrer trouxe ao encontro a sonoridade expressiva do sax soprano e da rabeca, criando uma ponte sonora entre o Brasil e Europa.
O resultado foi um espetáculo vibrante e profundamente original, que ficou na memória do público presente naquela noite no Poeme-se — espaço que, durante anos, foi ponto de encontro de artistas, músicos e amantes da cultura e cuja livraria continua em atividade no centro histórico da capital maranhense.
Repertório
O álbum é composto por sete faixas inéditas autorais, criadas no processo de interação musical entre os artistas — ora assinadas pelo trio, ora em formações em dupla — refletindo a natureza espontânea e colaborativa do encontro. O repertório inclui ainda uma releitura da música “Eulália”, composição de Sérgio Habibe, gravada por Papete no antológico álbum “Bandeira de Aço”, um dos marcos da música maranhense e brasileira.
A capa de Caburé, criada pelo designer gráfico Guilherme Borges, traduz visualmente a atmosfera do encontro entre Thomas Rohrer, Papete e Luiz Cláudio, evocando uma paisagem que sintetiza isolamento, criação coletiva e contemplação. “A imagem de uma cabana solitária em meio à vastidão de areia sugere um retiro criativo, enquanto a presença simbólica do número três — refletida na formação do trio e em elementos como os guarás em voo e o encontro entre rio, areia e mar — reforça a conexão entre território, música e linguagem”, diz Guilherme. “O tratamento visual com estética inspirada nos anos 90 acrescenta uma dimensão de memória e resgate, aproximando a capa de um registro sensível e atemporal”.
A gravação do espetáculo foi realizada ao vivo, preservando a energia e a espontaneidade da apresentação. O material foi posteriormente tratado, mixado e masterizado no estúdio Zabumba Records pelo técnico de som Daniel Nobre, responsável por dar acabamento e qualidade sonora ao registro histórico. O percussionista Luiz Claudio, que é proprietário do estúdio Zabumba Records e produtor musical do disco, ressalta a importância do lançamento. “Caburé” representa não apenas a recuperação de um registro raro, mas também a reafirmação da riqueza musical do Maranhão e da importância de Papete para a cultura brasileira”.
O lançamento de “Caburé” também assume um significado especial: o disco chega ao público como homenagem ao legado de Papete, um dos maiores nomes da música do Maranhão e do Brasil, no dia 26 de maio, próxima terça-feira, data em que completa 10 anos da morte de Papete. Ao longo de sua trajetória, o artista dedicou-se a pesquisar, preservar e difundir ritmos tradicionais do estado, influenciando gerações de músicos e levando a cultura maranhense para palcos do Brasil e do mundo, principalmente o berimbau.
Agora, essa gravação histórica finalmente chega ao público, resgatando um momento único de criação e celebrando a força da música como linguagem universal.
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