O Avesso da Pele e o Racismo Estrutural no Brasil
O escritor carioca Jeferson Tenório, autor do livro O Avesso da Pele, está em São Luís para participar do Clube do Livro, em roda de conversa
Encontro inesperado. Assim aconteceu ao visitar à Mirante nesta manhã de quinta-feira (7), e dei de cara com o escritor carioca Jeferson Tenório, acompanhado do professor, músico e ativista cultural, Wesley Sousa. Não deixei escapar este momento singular, partir pra tietagem e ganhei de presente esta foto com os dois. Um presente que me fez refletir à partir do caso de tortura praticada pela patroa identificada como Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, apontado como suspeito de também participar das agressões contra a empregada doméstica de 19 anos, grávida de seis meses.
"O Avesso da Pele", de Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti 2021, é um romance fundamental que aborda o racismo estrutural no Brasil. A obra denuncia a violência policial, a desumanização de corpos negros e a precariedade educacional.
A vinda dele a São Luís para participar nesta terça-feira (7/5), para participar da Roda de Conversa do Clube do Livro, iniciativa louvável do músico, ativista cultural e professor Wesley Sousa, do Instituto Federal do Maranhão, promovendo encontros periódicos que estimulam o pensamento crítico e a aproximação entre leitores e obras literárias.
O escritor carioca aporta na capital maranhense, com seu livro O Avesso da Pele, coincidindo, com toda essa história de horror e barbárie absoluta, choca o Maranhão desde que veio à tona e expõe as feridas abertas das relações de trabalho doméstico no Brasil e o Racismo Estrutural.
O trabalho doméstico no Brasil ainda é, muitas vezes, análogo à escravidão, marcado pela cor e classe: mulheres periféricas, pobres e pretas feito Samara. E na cabeça fútil da patroa Carolina Sthela, a "síndrome da sinhazinha" reina e a senzala moderna é o quartinho da empregada. É fato ! A carne mais barata do mercado sempre foi a negra, e a informalidade é a maior prova disso.
Toda essa triste situação busca evidenciar a necessidade de profissionalização, respeito aos direitos trabalhistas e o desmonte da ideia de que o trabalho doméstico é um serviço de submissão pessoal, em vez de uma prestação de serviço profissional. O que é banalizado no Brasil, um dos países do mundo, mais opressor. É tão opressor que ensina o oprimido também a oprimir. E o exemplo mais simples: basta dar dinheiro e poder.
A pessoa esquece que o dinheiro e poder podem, sim, fazer bem, quando servem como fonte de motivação, reflexão sobre o propósito da riqueza e lembretes para manter o equilíbrio emocional e ético. Devem sempre estar conectados com a elegância da alma, que se constrói, não com um suco Detox azedo de arrogância e tirania, mas com uma boa leitura de mundo que maior virtude de um homem é compreender o conceito e verdadeiro sentido dos Direitos Humanos.
Fica difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Quanto a relação entre o trabalho doméstico, o racismo estrutural e a violência no Brasil é profunda e histórica, muitas vezes romantizada e naturalizada para ocultar a precariedade e a desigualdade.
Portanto não se trata de Mimimi ! A extrema vulnerabilidade social é um terreno fértil para a exploração, humilhações, de pessoas sem o mínimo para sobreviver. No dia em que o Estado garantir condições máximas aos trabalhadores e trabalhadoras precarizados, rompe-se o ciclo da dependência e diminui drasticamente o poder de exploração de quem lucra, se diverte e publiciza a sua sociopatia com a dor alheia.
O objetivo de Samara era simples e digno: ela aceitou o contrato temporário de apenas um mês para conseguir o dinheiro para comprar o enxoval do bebê que espera. No entanto, o sonho da maternidade foi transformado em um pesadelo de dor sob as mãos de sua então patroa, Carolina Sthela.
O estopim para a violência desmedida foi a acusação do sumiço de um anel. Sem qualquer prova, Carolina decidiu instaurar um tribunal de exceção dentro de sua própria casa, agindo com um sadismo que ganhou repercussão internacional via mídias sociais.
Diante da materialidade das lesões na gestante e da confissão detalhada e jocosa nos próprios áudios da investigada, a versão de defesa esbarra na brutalidade dos fatos narrados pela própria boca da agressora. É a distorção da realidade narrada pela própria "suposta agressora" em grupos de amigos de aplicativo. Um detox azedo de gente estúpida legitimando a teoria singela de que 'estamos com tecnologia, mas voltamos à Idade Média. Em pleno século XXI, a "síndrome da sinhazinha" segue firme e forte no Brasil, maus policiais desavisados pactuam com o Racismo Estrutural institucionalizando com distinção a cor da patroa e a cor da empregada.
Além do racismo nítido em mais um absurdo envolvendo um corpo negro, casos como esses evidenciam que, apesar dos avanços nos direitos das trabalhadoras doméstica, ainda persistem situações e abuso.
Pra quem ataca os programas sociais de distribuição de renda defende a manutenção de uma estrutura que se alimenta da miséria. Eis a importância do Bolsa Família para quem sente na pele a exclusão social.
A extrema vulnerabilidade social é um terreno fértil para a exploração, humilhações, pessoas sem o mínimo para sobreviver. Quando o Estado garante condições mínimas, rompe-se o ciclo da dependência e diminui drasticamente o poder de exploração de quem lucra, se diverte e publiciza a sua sociopatia com a dor alheia.
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