cultura

Áurea Maranhão estreia espetáculo “Argila” com reflexão sobre ancestralidade em São Luís

Obra-instalação de Áurea Maranhão chega ao Teatro Napoleão Ewerton com reflexão sobre natureza, futuro e transformação social.

Na Mira, com informações de assessoria

Áurea Maranhão estreia espetáculo “Argila” com reflexão sobre ancestralidade em São Luís. (Caio Oviedo)

SÃO LUÍS - Uma experiência cênica que mistura teatro, música e instalação artística promete provocar o público de São Luís. O espetáculo “Argila”, idealizado por Áurea Maranhão, será apresentado em sessão única no dia 27 de março, às 20h, no Teatro Napoleão Ewerton, reunindo poesia, crítica social e um convite à reconexão com a ancestralidade.

A montagem parte de reflexões inspiradas nas obras do neurocientista Sidarta Ribeiro e do líder indígena Ailton Krenak, articulando no palco temas urgentes como crise ambiental, justiça climática e os impactos de um modelo de sociedade que distancia o ser humano de sua própria essência.

Um ritual cênico que escava o presente

Mais do que uma peça tradicional, “Argila” se apresenta como um ritual sensorial. Em cena, uma atriz, uma musicista e uma cidade em miniatura construída em barro conduzem o público por uma travessia que une palavra, som e matéria.

A dramaturgia, assinada por Áurea Maranhão, se inspira livremente em obras como Sonho Manifesto, de Ribeiro, e títulos de Krenak, como O Amanhã Não Está à VendaA Vida Não é ÚtilIdeias Para Adiar o Fim do Mundo. O resultado é uma narrativa que alterna entre o épico e o íntimo, costurando histórias de resistência, sonho coletivo e reinvenção.

A trilha sonora original, executada ao vivo por Valda Lino, que também assina a direção musical, dialoga com uma iluminação que “escava” o palco aos poucos, criando uma atmosfera imersiva. O cenário, feito de argila, funciona como metáfora central: matéria viva que simboliza resiliência, adaptação e renascimento.

Arte, crítica e transformação

A proposta da obra é provocar reflexão sobre as mazelas contemporâneas, como o excesso de virtualidade, a solidão e o distanciamento dos ciclos naturais. Ao mesmo tempo, aponta caminhos possíveis a partir da escuta do corpo, da valorização da sabedoria ancestral e de uma ética baseada no cuidado.

Segundo a idealizadora, apesar dos desafios abordados, o espetáculo também carrega uma perspectiva de esperança. As referências de Ribeiro e Krenak aparecem como guias para imaginar futuros mais sustentáveis e coletivos, incentivando ação e transformação social.

Produção local e equipe diversa

“Argila” é uma produção do núcleo artístico Terra Upaon Açú, de São Luís, contemplada pelo edital Fomento Núcleos Artísticos (PNAB), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

A equipe reúne artistas locais em diferentes áreas: além de Áurea Maranhão e Valda Lino, participam Luty Barteix (direção de movimento), Renato Guterres (luz), Eliane Barros (direção de arte, maquiagem e figurino), Tathy Yazigi (orientação), Amanda Travassos (identidade visual) e Rob Falcão (produção de palco).

Com linguagem híbrida e proposta sensorial, “Argila” transforma o palco em espaço de encontro entre arte e reflexão, convidando o público a encarar perguntas essenciais: quem fomos, quem somos e quem ainda podemos ser.

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