LITERATURA

Escritor maranhense Jozias Benedicto lança “As vontades do vento”, romance finalista do Prêmio LeYa 2024

Aos 74 anos, autor de São Luís apresenta romance que mistura memória, luto e realismo fantástico em narrativa sobre o Brasil dos anos 1950.

Na Mira, com informações de assessoria

Jozias Benedicto encontrou na literatura um novo caminho de criação e expressão após os sessenta. (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS - O escritor e artista visual Jozias Benedicto lançou o romance “As vontades do vento”, publicado pela Caravana Grupo Editorial e finalista do Prêmio LeYa Portugal de Literatura 2024. A obra marca um momento de consolidação na trajetória do autor, que iniciou sua produção literária após os 60 anos e já soma nove livros e prêmios em diferentes estados brasileiros.

Dividido em três partes, “O Interior”, “A Travessia” e “A Capital”, o livro apresenta uma narrativa construída a partir de múltiplas vozes em primeira pessoa. A história acompanha uma família do Meio-Norte brasileiro, nos anos 1950, marcada por segredos, heranças escravocratas e conflitos sociais.

A trama começa com a morte da mãe, que deixa aos filhos o pedido de ser levada até a capital para reencontrar o marido já falecido. A partir desse ponto, os personagens iniciam uma jornada que revisita o passado da família e revela tensões ligadas à desigualdade, à memória e às transformações do país.

Em entrevista, o autor explica que utilizou elementos de realismo fantástico para ampliar as possibilidades narrativas. “É um livro que fala de efemeridade e também de permanência, de memória e esquecimento, de laços familiares e transformações”, afirma.

Segundo Jozias, a escolha por múltiplos narradores tem como objetivo evitar uma interpretação única dos acontecimentos. “Trabalho essa fragmentação para não fechar significados. Cada leitor pode encontrar, na diversidade das vozes, os temas que mais lhe tocam”, diz.

Processo de escrita de Jozias Benedicto

A obra começou a ser escrita após o lançamento do livro de contos “Como não aprender a nadar” e foi desenvolvida ao longo de quase dez anos. O autor aponta duas motivações principais para o projeto: o desafio formal de escrever um romance fragmentado e experiências pessoais marcantes, como a morte da mãe e um incêndio que destruiu seu apartamento.

Durante o processo, o texto passou por diversas revisões. “O livro cresceu muito, ficou complexo, até que precisei fazer o movimento contrário: reduzir, cortar personagens e enredos”, explica. A versão final foi a que garantiu a indicação ao Prêmio LeYa e a publicação em 2025.

Temas e contexto

Ambientado em um período de transição do Brasil, o romance aborda o momento em que o país deixava de ser majoritariamente rural e buscava um projeto de modernização. Para o autor, olhar para o passado foi uma forma de refletir sobre questões atuais.

“O Brasil ainda carrega contradições históricas, como a desigualdade e a herança escravocrata. Quis tratar desses temas por meio da ficção, sem fazer um ensaio ou um romance engajado tradicional”, afirma.

Além das questões sociais, o livro também explora temas como luto, memória e relações familiares. A presença de personagens já falecidos na narrativa reforça o diálogo entre passado e presente.

Trajetória de Jozias Benedicto

Nascido em São Luís, em 1950, Jozias Benedicto viveu grande parte da vida no Rio de Janeiro e atualmente divide seu tempo entre o Brasil e Lisboa. Formado em Tecnologia da Informação, atuou na área por cerca de 40 anos antes de se dedicar integralmente às artes.

Na literatura desde 2013, o autor já recebeu prêmios como o de Literatura do Governo de Minas Gerais, da Fundação Cultural do Maranhão e do Estado do Pará. Entre suas influências, cita nomes como Jorge Luis Borges, João Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

Próximos projetos

Atualmente, o escritor trabalha em novos projetos, incluindo dois romances e um livro de contos em fase de finalização. Um deles integra uma série sobre sexualidades no Brasil ao longo das décadas.

Além disso, prepara um livro de contos eróticos intitulado “Contos do Falo”, desenvolvido em parceria com a revista online Falo Magazine, com proposta de integrar literatura e design gráfico.

Com “As vontades do vento”, Jozias Benedicto amplia sua presença na cena literária contemporânea e aposta em uma narrativa que combina memória pessoal e reflexão social para dialogar com o leitor atual.

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