COLUNA
Pedro Sobrinho
A cultura é rica e diversa. Como jornalista convido você pra colar na coluna PEDRO SOBRINHO com resenhas e abordagens sobre: artes visuais (pintura, escultura, fotografia), música, literatura
O Mundo que viver em Paz

Música e poesia para entender a insanidade das guerras

Que tal vivenciarmos uma experiência com Rosa de Hiroshima, poema de Vinícius de Moraes, interpretada pelos Secos e Molhados, além da citação clássica sobre a guerra de Eduardo Galeano.

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 02/03/2026 às 21h11

“Eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas”, escreveu Malala Yousafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em sua conta no X. Na notícia que viralizou o mundo, Malala expressa indignação e tristeza após a morte de várias estudantes no sul do Irã, durante os ataques conjuntos dos EUA e Israel.

Mochila de criança iraniana morta em ataque EUA-Israel a escola primária iraniana para meninas

"É o futuro repetindo o passado". E nada melhor que música e poesia, manifestações artísticas que salvam vidas, como justificativa para entender os porquês das guerras, que matam, não levam ninguém a lugar nenhum, a não ser o poder da destruição, mortes e o retrocesso civilizatório.

Composta em 1973, “Rosa de Hiroshima”, musicada por Gerson Conrad integrante dos Secos & Molhados e interpretada pelo trio, utiliza uma melodia suave para criar um contraste marcante com o tema pesado da canção. A letra, inspirada no poema de Vinícius de Moraes, transforma a imagem tradicional da rosa — símbolo de beleza e vida — em um emblema de destruição, ao abordar as consequências das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Expressões como “rosa radioativa”, “anti-rosa atômica” e “rosa com cirrose” reforçam como a guerra nuclear corrompe e destrói tudo o que é vital e belo, tornando a rosa um símbolo de sofrimento e devastação.

A música destaca o impacto humano da tragédia ao pedir que se pense “nas crianças mudas, telepáticas” e “nas meninas cegas, inexatas”, chamando atenção para as vítimas inocentes e para as marcas físicas e psicológicas deixadas pela explosão nuclear. Lançada durante a ditadura militar no Brasil, “Rosa de Hiroshima” também ganhou força como protesto, usando a poesia para criticar a desumanização provocada pela guerra e alertar para a necessidade urgente de paz. O verso final, “sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada”, resume a perda total de sentido e esperança diante da destruição causada pela guerra nuclear.

E quem também veio em forma de uma citação clássica sobre guerra foi o escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Galeano (1940 - 2015): "Nenhuma guerra tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar. As guerras invocam, sempre, motivos nobres, matam em nome da paz, em nome de Deus, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia e se por via das dúvidas nenhuma dessas mentiras for suficiente, aí estão os grandes meios de comunicação dispostos a inventar novos inimigos imaginários para justificar a conversão do mundo num grande manicómio e um imenso matadouro". 


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