Ponto de Vista
Ponto de Vista (2024), de Ana Maria Machado, retrata o Rio de Janeiro como uma cidade partida, habitada por dois meninos que vivem em realidades totalmente distintas.
De acordo com Ventura (1994), vivemos em uma cidade partida, há muitas cidades em uma única cidade, e todas elas são divididas por “muros visíveis e invisíveis” (Rolnik, 2015), que demarcam fronteiras bem delineadas entre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres.
“É como se a cidade fosse um imenso quebra-cabeças, feito de peças diferenciadas, onde cada qual conhece seu lugar e se sente estrangeiro nos demais. É a este movimento de separação das classes sociais e funções no espaço urbano que os estudiosos da cidade chamam de segregação espacial” (ROLNIK, 2015, p. 40-41).
Enquanto o mundo dos ricos é um espaço munido com os melhores e mais modernos serviços públicos, o mundo dos pobres é um lugar negligenciado pelo Estado, rico apenas em mazelas, escassez e violência.
Esse é o cenário retratado no livro Ponto de Vista (2024), de Ana Maria Machado. Nessa obra poética, a cidade do Rio de Janeiro é retratada como uma cidade partida, habitada por dois meninos que vivem em realidades totalmente distintas.
Um dos garotos mora em uma favela, no alto de um morro. Já o outro, vive em um apartamento em um bairro de luxo. Lado a lado, eles se veem, sem se enxergar. São totalmente alheios a existência um do outro.
Ana Maria Machado utiliza uma interessante analogia ao retratar as figuras do golfinho e da gaivota como representações dos meninos. Um via o mundo de baixo, já o outro tinha o privilégio de voar e enxergar o mundo de cima.
Um dia os garotos se encontram em uma praia da Cidade Maravilhosa e criam uma grande amizade, que irá perdurar até a idade adulta.
O vínculo de afeto se estendeu até às famílias dos meninos, que apesar de muito diferentes, também criaram laços de amizade.
Apesar da história ter um tom meio utópico, ela é essencial para que as leitoras e os leitores (crianças, jovens e adultos) possam aprender sobre as disparidades existentes entre as classes sociais, mas também compreender que somos todos iguais.
Cada pessoa tem o seu ponto de vista, mas o respeito às diferenças e a luta pela igualdade de direitos e oportunidades deve ser um compromisso de todas/os nós.
As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.