SÃO LUÍS - Blocos Tradicionais e Escolas de Samba deram o tom dos desfiles realizados na noite dessa sexta-feira (20), na Passarela do Samba Chico Coimbra, no Anel Viário, em São Luís, marcando o início de mais um grande espetáculo carnavalesco no Maranhão.
A programação começou com muita tradição e cultura popular, com as apresentações de grupos de tambor de crioula nas imediações da passarela. Entre eles, brilharam os grupos Proteção Mirim, Alegria de São Benedito, Jardim São Benedito e Pindarezinho, aquecendo o público e celebrando as raízes da cultura afro-maranhense.
O sinal verde foi dado para os blocos tradicionais do Grupo B, totalizando nove agremiações. O primeiro a desfilar foi Os Gigantes, seguido de Os Diplomáticos, Os Vingadores, Os Guardiões, Os Gaviões do Ritmo, Os Fanáticos, Alegria do Ritmo, Os Lobos e Os Magnatas Show, que levaram para a avenida muito brilho, coreografias marcantes e a animação contagiante de seus integrantes.
Escolas de samba
A largada ainda foi dada para os desfiles das escolas de samba. Se apresentaram Mocidade da Ilha, Terrestre do Samba, Império Serrano, Turma da Mangueira e Favela do Samba, encantando o público com enredos criativos, fantasias luxuosas e muito samba no pé. A Mocidade Independente da Ilha, com 40 anos de história, fez um desfile com o tema "O Beijo - Uma Expressão Humana Através do Tempo". A agremiação fez uma performance como um alívio após o estresse causado pelo desabamento do telhado do seu barracão, tendo sido abraçada com manifestações de carinho de várias outras escolas.
A Terrestre do Samba, com sede na Estiva, apresentou o samba-enredo "Oké Arô Oxóssi", com um desfile ressaltando a força dos orixás e a importância dos terreiros. "Eu fico bastante lisonjeado por representar essa entidade tão valorizada nos terreiros. Ajudando também a combater o racismo religioso e fortalecer a religião. Todos são seres de luz, que estão aqui para abrir nossos caminhos e nos guiar", disse Luís Silva, que participou da Comissão de Frente da escola.
A escola Império Serrano levou para a Passarela do Samba Chico Coimbra a temática dos manguezais, com foco em sua preservação. Elementos como os guarás, com a intensidade do vermelho, agradaram bastante a quem assistia, que elogiou a organização das alas, com consonância com o enredo.
A Turma da Mangueira foi a penúltima a desfilar, homenageando a professora Mundinha Araújo, uma das fundadoras do Centro de Cultura Negra do Maranhão, com o tema "O Farol a nos Guiar, a Guerreira a nos Guardar".
"Ver a alegria das pessoas que vieram compartilhar dessa felicidade, sendo muitas mulheres e o povo negro, é muito gratificante. Aqui eu vejo o coroamento de uma luta de cerca de 50 anos. Na verdade, todos nós, os negros, as mulheres, as idosas, estamos sendo homengeados", disse Mundinha Araújo, que desfilou.
A última a desfilar foi a Favela do Samba, do bairro Sacavém, apresentando o samba-enredo "Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas", uma homenagem às quebradeiras de coco babaçu, símbolo de resistência e identidade maranhense, com destaque especial para a empreendedora Nelinha do Babaçu, que também desfilou. A agremiação pintou a passarela de verde e fez um desfile com muita garra e vontade de levar o título.
Público
Os foliões compareceram em peso à Passarela do Samba, divididos entre as arquibancadas e frisas, torcendo e vibrando por seus blocos e escolas favoritas. A professora Magda Ramos, moradora do bairro Sacavém e torcedora da escola Favela do Samba, falou com entusiasmo sobre a apresentação.
“A Favela do Samba representa a nossa comunidade. É emoção do começo ao fim. A gente espera o ano inteiro por esse momento. Ver nossa escola brilhar na avenida é motivo de muito orgulho para todos nós, e principalmente trazendo um tema como esse, tão importante, que é a preservação dos babaçuais”, disse.
Programação deste sábado
Neste sábado (21), a programação continua com os desfiles de 11 blocos tradicionais do Grupo B e as escolas de samba Túnel do Sacavém, Unidos de Fátima, Marambaia, Turma do Quinto e Flor do Samba. Já no domingo (22), será a vez dos blocos tradicionais do Grupo A, totalizando 11 agremiações que prometem manter o alto nível da festa.
A Passarela do Samba Chico Coimbra abre suas portas para receber o público com acesso gratuito às arquibancadas e cadeiras de pista. A entrada é feita por meio de catracas digitais, diretamente no local, respeitando o limite rotativo de público ao longo da programação. A dica é chegar cedo para garantir seu lugar e aproveitar cada momento do Carnaval.
Com aproximadamente 200 metros de extensão e capacidade para receber até 5 mil pessoas por noite, a Passarela dispõe de arquibancadas cobertas, cadeiras de pista, camarotes, frisas e área preferencial destinada a idosos, pessoas com deficiência, gestantes e pessoas com crianças de colo.
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