Leitura

Obra afirma que tédio é fundamental para a criatividade

Em novo livro, a neurocientista Rachel Barr combina ciência e linguagem acessível para ensinar como sair do modo automático.

Evandro Júnior / Na Mira

Capa do livro (Foto: Divulgação)

Como é a relação com o seu cérebro? Você cuida dele ou apenas exige que funcione, produza, responda, acompanhe? Entre notificações, vídeos em velocidade 2.0, algoritmos que tomam decisões, mensagens que não cessam, telas sempre ligadas e uma atenção cada vez mais fragmentada, muitas das ações humanas acontecem no piloto automático: sem pausa, sem reflexão, sem presença. 

Isso foi naturalizado, ainda que o cérebro não tenha sido feito para sustentar tantos estímulos ao mesmo tempo. Esse desgaste silencioso é o ponto de partida de ‘Por dentro da mente’, livro da neurocientista Rachel Barr.

Embasada na neurociência e sem prometer de fórmulas rápidas, Rachel mostra que o cérebro não é um software a ser otimizado, mas um organismo vivo, moldado por hábitos, emoções, vínculos e limites. Entender isso muda a forma com que se lida com estresse, ansiedade, o sono, o corpo, o foco e as conexões humanas. 

Conceitos complexos como neuroplasticidade, identidade cerebral e regulação emocional são apresentados em linguagem acessível, sempre conectados a situações concretas. O leitor entende, por exemplo, porque o ambiente digital pode intensificar a sensação de exaustão mental, como o sono e o movimento reorganizam emoções e memórias, e de que maneira pequenos ajustes propositados criam novos caminhos neurais ao longo do tempo. 

A fim de melhorar a relação com o próprio cérebro, a autora apresenta ao final de cada capítulo resumos e orientações que ajudam transformar cada informação em ação prática. Este recurso é útil tanto para quem busca compreender a própria mente, quanto para quem deseja aplicar este conhecimento no cotidiano, para transformar os pensamentos, sejam positivos ou negativos, em aliados para desenvolver um espaço seguro de autoexpressão.

Quando o mundo hiperconectado sobrecarrega a cabeça e as palavras não dão conta do que se sente, a neurocientista propõe recorrer à criatividade como via de elaboração emocional: desenhar, escrever, moldar, criar sem julgamento ou preocupação com resultado. 

Prática criativa ajuda cérebro a organizar experiências 

A prática criativa ajuda o cérebro a organizar experiências complexas, reduz a exaustão mental e estimula a neuroplasticidade. Ao desafiar-se com limites simples e repetir esse exercício ao longo do tempo, a pessoa fortalece conexões neurais ligadas à flexibilidade cognitiva, à regulação emocional e à resiliência.

‘Por dentro da mente’, publicado no Brasil pela Latitude, é um convite para superar limites, sair do modo automático, abraçar a própria autenticidade e aprofundar o autoconhecimento, além de construir relações mais saudáveis com a própria consciência. 

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.