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Pedro Sobrinho
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Jazz e Blues

Fauzy Beydoun é uma das atrações de Festival de Jazz e Blues no Ceará

Voz marcante da bande de reggae maranhense Tribo de Jah, Fauzy faz show no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, no dia 15 de fevereiro, domingo de Carnaval

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 07/01/2026 às 21h24

O reggae do Maranhão fará participação no Festival Jazz & Blues. O evento chega à 27ª edição no Carnaval de 2026, de 14 a 17 de fevereiro, em Guaramiranga, no Ceará. Shows no fim de tarde e à noite, ensaios abertos, bate-papos, ações formativas e ambientais fazem a programação, que tem acesso gratuito, sem necessidade de retirada de ingressos antecipados.

O Maranhão representado no Festival de Jazz e Blues, em Guaramiranga (CE), por Fauzy Beydoun, vocalista da Tribo de Jah. Foto: Divulgação

Entre as atrações, o festival recebe Fauzi Beydoun, voz marcante da banda de reggae maranhense Tribo de Jah. Com uma carreira de quatro décadas, o músico leva a Guaramiranga um show solo que une reggae e blues. Será no domingo de Carnaval, dia 15 de fevereiro, no fim de tarde.

A edição de 2026 do Festival de Jazz e Blues, em Guaramiranga, reúne atrações nacionais, internacionais e cearenses, como o músico, cantor e compositor senegalês Momi Maiga, o violinista francês Nicolas Krassik, além de artistas locais, como o violonista e guitarrista Moacir Bedê, o grupo de chorinho Murmurando junto com o sanfoneiro Adelson Viana e o pianista Thiago Almeida. Representantes da cena blues de Fortaleza, Felipe Cazaux, Claudio Olieveira e Roberto Lessa apresentam o show "Tributo aos Kings", em homenagem a B.B. King, Freddie King e Albert King.

Toda a programação é gratuita, livre para todos os públicos e conta com recursos de acessibilidade, além de ações formativas, ensaios abertos e encontros com os artistas.

Para mais detalhes sobre a programação completa, você pode acompanhar as atualizações no site oficial do evento Festival Jazz & Blues ou nas redes sociais do festival Instagram do Festival Jazz & Blues.

Histórico: Fauzy Beydoun

Natural de Assis, interior de São Paulo, Fauzi nasceu em 24 de setembro de 1958, de ascendência italiana e libanesa. Entre 1972 a 1976, Fauzi decidiu morou na Costa do Marfim.

Ao retornar da África, decidiu ingressar no curso de Ciências Sociais na USP. Foi nesse período que se deu sua aproximação com o reggae, e se estabeleceram as conexões que mudaram a sua vida. Nessa época, por meio de um amigo, Fauzy conheceu o reggae.

Fauzi empregou-se em uma companhia suíça multinacional e começou a trabalhar em período integral como operador de telex. Após uma conversa com o presidente da empresa, conseguiu uma colocação melhor devido a sua capacidade de falar outros idiomas. Foi enviado ao Recife para um estágio e, após um ano, foi transferido para uma filial em São Luís do Maranhão. Lá, seus rumos se transformaram definitivamente.

Como um peixe fora d’água, Beydoun foi se familiarizando com a cidade e as pessoas do movimento reggae em São Luís. Com respeito foi fazendo amizade e frequentando espaços de reggae. Em seguida, conseguiu um trabalho como radialista e apresentador de programa de reggae na rádio Mirante FM. Mesmo recebendo inicialmente um salário básico, que só permitia pagar comida e aluguel, decidiu deixar a multinacional e abraçar o universo do reggae e da música de forma geral.

Com o objetivo de adquirir um equipamento para montar uma banda, Fauzi chegou ao dono de um grupo de baile chamado Banda Reflexo. À época, integravam o grupo, como profissionais contratados, músicos que ainda hoje o acompanham. O conjunto tocava em bailes da capital maranhense e em cidades próximas. No repertório, todos os ritmos de sucesso da época, incluindo reggae, lambada, dance, serestas e merengues. Como peculiaridade, a banda contava com cinco músicos deficientes visuais, dos quais quatro eram cegos e um possuía visão parcial. Eles haviam se conhecido ainda meninos, na “Escola de Cegos do Maranhão” e despertaram para a música utilizando-se de instrumentos velhos da escola. O nome “Tribo de Jah” surgiu em 1986. O pioneirismo da banda maranhense ajudou a introduzir a cultura reggae no Brasil.

Discografia, Sunplash e conquistas

Com inúmeros álbuns gravados, dois DVDs, um documentário e diversas premiações, a banda alcançou reconhecimento tanto no Brasil como no exterior, tendo excursionado por países como Guiana Francesa, Argentina, França e Itália. Especial foi sua apresentação no principal palco do reggae mundial, o Reggae Sunsplash Festival Jamaica, em 1995. Lá fora, gravaram o CD In Version em Interlaken na Suíça, e o Reggae’n Blue’s em San Diego, na Califórnia. Este contou com a participação de músicos que acompanharam Peter Tosh, como o baixista Geroge Fullwood, o baterista Santa Davis e o guitarrista Tony Chin, entre outros. Gravaram também um CD todo em inglês para o mercado externo intitulado Love to the World, Peace to the People.

Em 2018, a banda foi homenageada no Museu do Reggae do Maranhão. Em 11 de junho de 2021, lançam o álbum Até que o bem triunfe no final. Já em 2023, lançam o documentário “Tribo de Jah na Rota das Emoções”, sobre pontos turísticos no Maranhão.

Paralelamente ao trabalho com a Tribo de Jah, Fauzi Beydoun desenvolve um trabalho solo, no qual faz experimentações com outras vertentes musicais como o blues, bossa-jazz, soul music, etc., tendo o reggae apenas como um elemento adicional neste novo contexto.


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