SÃO LUÍS – Talvez Joseph Nicéphore Niépce e Louis Jacques Mandé Daguerre, precursores da fotografia, nunca imaginaram que o simples fato do registro de uma foto significasse tanto para tantas pessoas. E nem que, da fotografia, surgiriam projetos sociais que assistissem jovens e crianças. Foi com este intuito que surgiu a primeira oficina do Projeto Foto na Lata, no bairro do Vinhais, criada pelo fotógrafo Brawny Meireles, de 47 anos.
Diferente da tecnologia que impera hoje em dia nas máquinas fotográficas, tudo começa com uma lata vazia, a partir da qual é produzida uma câmera pinhole. Nela, faz-se um furo, que entrará luz. A luz que passará no orifício sofrerá uma difração, gravando as imagens captadas no negativo que fica dentro da lata. E foi registrando fotos em preto e branco a partir de latas que, em sete anos, mais de 300 crianças foram introduzidas ao mundo da fotografia pelo fotógrafo Brawny Meireles.
Há 20 anos trabalhando como fotógrafo, Brawny comentou que o projeto já alcançou centenas de crianças no Estado, tendo começado em Imperatriz, em julho de 2005. E, desde então, não parou mais. “Começamos em Imperatriz e já passamos por sete comunidades em São Luís, entre bairros como Ilhinha e Desterro, por exemplo. Já fomos, inclusive, à Raposa e a São José de Ribamar”, afirmou o fotógrafo.
Atualmente, Brawny Meireles assiste um grupo de dez crianças, da faixa etária de 10 a 12 anos, residentes do entorno do Vinhais (Recanto dos Vinhais, Planalto Vinhais), no projeto Foto na Lata, onde jovens têm a possibilidade de iniciar no mundo da fotografia.
Ceticismo
Segundo o fotógrafo, geralmente, os alunos “nunca acreditam que de uma lata saia uma foto” e assumem o projeto com o “caráter de brincar de fotografia”. Brawny pontua, entretanto, que tudo muda ao fim dos registros. “Eles só vão entender o processo na hora de revelar, no momento em que se mergulha o papel no revelador”, ressaltou. “Aí que eles caem em si”, acrescenta.
A curiosidade, o ímpeto em aprender e a dificuldade de assimilação de objetos tão simples motiva crianças e jovens a buscarem a oficina. Como é o caso da jovem Sthefany Reis de Sousa Meireles, de 10 anos. Ingressante da turma do Vinhais, a aluna confirma a curiosidade inicial e a surpresa ao ver sua foto (um registro de uma padaria do bairro) impressa. “Achei bem legal. Gostei ainda mais de ter participado da oficina”, disse.
Registro
Todos os registros desta etapa no Vinhais, assim como outros tirados nas demais edições, serão registrados em livro, a ser lançado em 2013. “A intenção é de publicar um livro, com o possível nome de O Maranhão pelo furo da lata, contando com um acervo de fotografias tiradas nas oficinas”, afirma Brawny.
Os alunos desta etapa ainda irão realizar um passeio no Centro Histórico de São Luís, onde terão a oportunidade, mais uma vez, de captar olhares sobre São Luís e de registrar imagens por meio das latas. Imagens estas que deixariam os pioneiros da fotografia admirados.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.