Para garantir um lugar no “gargarejo”, fãs da cantora Madonna não medem esforços. Um grupo que se conheceu em outra fila, a da compra de ingressos, idealizou a chamada Vila Madônnica, acampamento montado na frente do Estádio do Morumbi, onde a cantora faz shows de 18 a 21 de dezembro.
O sonho de curtir a apresentação de pertinho, e não pelo telão, supera sacrifícios, como falta de banheiro e um verdadeiro “clima desértico”.
“Não acho loucura. Ela é o único ícone vivo da atualidade”, justifica o promotor de eventos Cléber Garcias, de 25 anos. “Pela ansiedade de esperar o dia do show, é melhor ficar aqui”, diz o estudante Vinícius Braz, de 21 anos, o primeiro da fila para o show do dia 20.
Como se não bastassem as dificuldades, os fãs terão de deixar a praça na manhã de quarta-feira (10), exigência da Subprefeitura do Burtantã. A reportagem do G1 esteve na fila para os shows na noite de terça-feira (8) e mostra como funciona o acampamento.
O grupo de mais de 20 pessoas, que se reveza com amigos para tomar banho e descansar algumas horas em uma cama de verdade, adotou esquema de mutirão. Bombas de inflar colchão de ar são compartilhadas, assim como uma “cozinha” improvisada, com caixas de isopor com água, refrigerante, chocolate, bolo e outros alimentos não-perecíveis.
Eles contam que usam banheiros de estabelecimentos comerciais ou pagam para ir em casas da região. Na bagagem, roupas para calor, agasalhos e protetor solar. “À noite, é muito frio e, durante o dia, um calor de matar”, relata Vinícius Braz.
O passatempo preferencial é “venerar a diva”. E a conversa se estende até quase de manhã. Também rola paquera e, às vezes, namoro nas cerca de dez barracas montadas na praça. Nos MP3 players e rádios de carros, as músicas de Madonna dividem espaço com Britney Spears, Christina Aguillera e Kylie Minogue, “crias” da rainha do pop.
Vestibular para medicina
Palavras cruzadas e livros sobre veterinária são o passatempo do veterinário Fernando Sanches, de 32 anos. “Eu fico debaixo de sol, de chuva, mas eu fico.”
Já o estudante Lucas Maia, de 18 anos, está prestando vestibular para medicina e se divide entre as aulas, durante a manhã, e a fila à noite. A mãe monitora o rapaz à distância pelo telefone celular.
“Pedi para a minha mãe enviar um saco de dormir para mim. Não diria que isso é uma loucura, mas chega perto do meu limite”, avalia.
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