Perda de peso pode ser sinal inicial de Alzheimer

EFE

Atualizada em 27/03/2022 às 13h57

SÃO PAULO - As mulheres que desenvolvem doenças degenerativas chegam a perder mais de cinco quilos cerca de uma década antes do diagnóstico, segundo um estudo publicado na revista científica "Neurology".

O estudo, liderado pelo doutor David Knopman, acompanhou o histórico médico de 481 mulheres com demência e o mesmo número de pacientes que não foram diagnosticadas com a doença. O tipo de demência senil mais comum é o Mal de Alzheimer, que começa com problemas de memória e causa danos cerebrais severos.

Todas elas tinham mais ou menos o mesmo peso entre 21 e 30 anos antes de a doença ser diagnosticada. No entanto, ao desenvolver a demência, perderam peso duas décadas antes de o mal ser descoberto.

Os investigadores calcularam que as mulheres com doenças degenerativas perdiam uma média de 5,4 quilos a mais que as que não as desenvolviam.

"Uma explicação para a perda de peso é que, nos estágios mais adiantados da demência, a pessoa desenvolve apatia, uma perda de iniciativa e também do sentido do olfato", disse o médico Knopman, líder do estudo, da Clínica Mayo em Rochester (Minnesota) e membro da Academia Americana de Neurologia.

"Quando não sente mais o cheiro da comida, não há mais gosto, e as pessoas sentem menos vontade de comer. Além disso, a apatia e perda de iniciativa podem desanimar as mulheres na hora de preparar pratos nutritivos e elas acabam evitando fazer refeições com as pessoas", acrescentou Knopman.

O estudo demonstrou que esta perda de peso só é manifestada em mulheres. A diferença de gêneros pode ocorrer devido aos diferentes hormônios masculinos e femininos. Além disso, os motivos sociais também podem influenciar.

"Os homens na meia-idade e os idosos tendem a preparar menos refeições", afirmou Knopman. "Suas esposas ou filhos mais velhos costumam preparar a comida, o que reduz neles os níveis de apatia, perda de iniciativa e olfato" acrescentou.

O estudo é inovador, já que as conclusões se chocam com resultados anteriores. Em outras pesquisas, a obesidade é considerada um fator de risco no desenvolvimento posterior de qualquer tipo de demência. No entanto, Knopman afirmou que os médicos continuarão investigando esses diferentes resultados.

Outros fatores médicos associados à obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, também são considerados de risco para a doença. A demência é uma desordem mental que debilita a habilidade das pessoas no desenvolvimento das atividades diárias.

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