Dezoito crianças morrem em um ano em reserva indígena de Tocantins

G1

Atualizada em 27/03/2022 às 14h08

TOCANTINS - Índios da Reserva Apinajé, em Tocantinópolis (TO), estão preocupados com a saúde das crianças. No ano passado, 18 meninos e meninas das aldeias locais morreram. Este ano, já são três óbitos e as causas ainda estão sendo investigadas.

Os bebês que morreram este ano apresentaram os mesmos sintomas das crianças que faleceram ano passado. Na época, a causa da morte foi diagnosticada como "infecção respiratória aguda".

As condições de higiene são precárias. Na aldeia São José, onde houve o maior número de mortes, não há banheiros. Adultos, crianças e animais vivem no mesmo ambiente. As famílias bebem água do córrego, que também é usada para lavar e tomar banho. "Eles têm de dar respostas para nós e até agora não disseram qual é o motivo de morrerem crianças em 2006 e ,agora, estão morrendo de novo", comenta o presidente do Conselho de Saúde Indígena, Orlando Apinajé.

Um relatório da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), divulgado há quase um ano, apontou alto índice de desnutrição na Reserva Apinajé, mas as organizações indígenas dizem que nenhuma medida foi tomada para resolver a situação. "Não tem um projeto de auto-sustentação para esse povo para que ele não fique dependente da política compensatória, como a cesta básica", afirma José Barcellos, membro do Conselho Missionário Indigenista.

A Funasa, entretanto, nega o descaso. "Implantamos o programa de vigilância nutricional, estamos distribuindo cestas regularmente e fizemos, como medida preventiva, a aplicação da mega dose de vitamina A, que é uma medida que reduz em mais de 20% a incidência de mortalidade e morbidade infantil", afirma o coordenador regional da fundação, João dos Reis Ribeiro.

Só neste mês, 19 crianças indígenas ficaram internadas no hospital municipal de Tocantinópolis, a 20 quilômetros da aldeia. Por isso, para os apinajés, o ano não começa com festa, como é tradição. A alegria deu lugar ao medo de mais mortes.

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