Aborto malfeito mata 68 mil mulheres ao ano, diz pesquisa

AgĂȘncia Estado

Atualizada em 27/03/2022 Ă s 14h12

LONDRES - Abortos realizados em condiçÔes precårias nos países em desenvolvimento matam 68 mil mulheres por ano, de acordo com pesquisa de cientistas do Instituto Guttmacher, de Nova York.

A pråtica faz ainda com que pelo menos 5 milhÔes de outras mulheres sejam hospitalizadas com infecçÔes e outras complicaçÔes em países da América Latina, Caribe, África e Ásia, estima o estudo, publicado na revista científica Lancet.

A estimativa foi feita depois de analisados dados de 13 paĂ­ses, inclusive do Brasil, divulgados entre 1989 e 2003.

Eles sugerem que cerca de 19 milhÔes de abortos em condiçÔes inadequadas são realizados no mundo todo a cada ano, entre pråticas clandestinas e legalizadas.

A pesquisa, financiada pela Fundação Hewlett, que é favoråvel ao aborto, diz que, por outro lado, as complicaçÔes resultantes de abortos que levem o paciente a necessitar de hospitalização são raras nos países desenvolvidos.

O caso brasileiro, diz o estudo, Ă© representativo das duas tendĂȘncias na AmĂ©rica Latina que os pesquisadores acreditam esconder desdobramentos positivos. A primeira delas seria o aumento do nĂșmero de internaçÔes, que poderiam sinalizar que mais mulheres estĂŁo buscando tratamento depois de abortos, o que, por sua vez, nĂŁo sĂł reduz o nĂșmero de mortes como, acreditam os pesquisadores, mostra que o aborto jĂĄ nĂŁo Ă© tĂŁo estigmatizado.

Outra tendĂȘncia seria o uso generalizado de medicamentos abortivos. MĂ©dicos alertam para os riscos desse mĂ©todo, mas os pesquisadores do instituto nova-iorquino dizem que a maioria das mulheres que o testaram vĂŁo parar no hospital nĂŁo tendo abortado completamente, o que, segundo os cientistas "pode ser simplesmente tratado com aspiração", se feito em tempo.

"O Brasil Ă© um dos paĂ­ses na regiĂŁo com algumas provas dos dois tipos de progresso, mas se acredita amplamente que essas condiçÔes se dĂȘem em boa parte do continente", diz o estudo.

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