literatura

Godofredo de Oliveira Neto, da Academia Brasileira de Letras, palestra sobre literatura afro-brasileira em Paris

Imortal da ABL debate memória da escravidão, autores negros e o conceito de lugar de fala em evento na universidade francesa.

Na Mira

Godofredo de Oliveira Neto, da Academia Brasileira de Letras, palestra sobre literatura afro-brasileira em Paris. (Reprodução)

MUNDO - O escritor e acadêmico Godofredo de Oliveira Neto, integrante da Academia Brasileira de Letras desde 2022, participa nesta terça-feira (17) de uma palestra sobre literatura afro-brasileira na Sorbonne Nouvelle, em Paris.

Com mais de 20 livros publicados, três deles traduzidos para o francês, e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o autor leva ao público europeu uma reflexão sobre os caminhos políticos e estéticos da produção literária negra no Brasil.

Sob o tema “Literatura Brasileira Afrodescendente, Literatura Negra”, o encontro revisita textos clássicos que abordam de forma direta a violência da escravidão. Obras que, segundo o pesquisador, foram historicamente suavizadas ou esquecidas na memória coletiva do país.

Clássicos revisitados e novas vozes da literatura negra

Durante a palestra, Godofredo destaca passagens contundentes de Machado de Assis, como os contos O caso da varaPai contra Mãe, que expõem castigos físicos, perseguições e a brutalidade cotidiana do período colonial e imperial. Ele também relembra cenas de Memórias Póstumas de Brás Cubas, nas quais a violência contra pessoas escravizadas aparece naturalizada.

Outro destaque é o texto Consciência Tranquila, de Cruz e Sousa, descrito pelo acadêmico como uma das narrativas mais duras já escritas contra a escravidão, ao retratar um senhor de escravizados relembrando atrocidades sem qualquer remorso.

Ao analisar a evolução da literatura negra no país, o professor aponta mudanças importantes a partir de Lima Barreto e Carolina Maria de Jesus, até chegar a autores contemporâneos como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz e Jeferson Tenório, cujas obras, segundo ele, reforçam o protagonismo, o afeto e o empoderamento.

Nesse contexto, o conceito de “lugar de fala” surge como ferramenta central de legitimação. Para Godofredo, a autonomia de voz permite que autores negros contem suas próprias histórias sem mediações. Ainda assim, ele projeta um futuro em que tais distinções deixem de ser necessárias, em uma sociedade mais justa e menos desigual.

A palestra integra a agenda internacional de difusão da literatura brasileira e reforça o diálogo entre Brasil e França sobre memória histórica, identidade e produção cultural.

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