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Thales Bretas fala sobre saudade de Paulo Gustavo

No dia em que o humorista faria 48 anos, Thales Bretas inaugura o Instituto Paulo Gustavo no Rio, transformando a saudade em legado cultural e social.

Na Mira, com informações de O Globo

Atualizada em 29/10/2026 às 15h17
Thales Bretas fala sobre saudade de Paulo Gustavo e criação de instituto para preservar legado do humorista. (Guito Moreto / Agência O Globo)

BRASIL - Cinco anos após a morte de Paulo Gustavo, a saudade continua presente na vida de Thales Bretas. Em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem, o dermatologista falou sobre a dificuldade de lidar com datas marcantes para a família e revelou como a criação do Instituto Paulo Gustavo tem ajudado a transformar o luto em uma forma de preservar a história do humorista.

Paulo Gustavo completaria 48 anos nesta sexta-feira (30), data escolhida para a inauguração do instituto, que terá atividades gratuitas na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, no Rio de Janeiro. A programação inclui exposição, sessões de peça e oficinas artísticas. A organização também terá a missão de cuidar e divulgar o legado do artista.

Para Thales, ocupar o aniversário do marido com um projeto voltado à cultura e à memória é uma maneira de dar novo significado a um dia difícil.

“Desde então, tento ressignificar tanto o meu quanto o dele. O Instituto está me ajudando muito com isso porque a abertura vai ser dia 30 e todo ano a gente vai comemorar mais um ano do Instituto”, contou.

Instituto Paulo Gustavo transforma saudade em legado

Durante a entrevista, Thales explicou que o projeto também representa uma oportunidade de manter viva a memória do humorista para os filhos do casal e para o público que acompanhou sua trajetória.

“Quem conviveu com Paulo sabe o tanto que ele gostava de celebrar os aniversários, ele era bem festeiro. E agora ficou esse buraco que tentei preencher com a inauguração do Instituto”, afirmou Thales Bretas.

O dermatologista disse que, com a iniciativa, pretende acompanhar o desenvolvimento das ações e celebrar anualmente a continuidade do trabalho em homenagem ao marido.

A relação com as datas, porém, ainda é delicada. Thales também recordou o dia 13 de março, quando completaria 33 anos e Paulo Gustavo foi internado. O número 13, que antes era considerado de sorte por ele, passou a estar associado a um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Questionado sobre possíveis rituais para marcar o aniversário do humorista em casa, como preparar um bolo, Thales disse que não tem facilidade para celebrar a data dessa maneira. Os filhos do casal tinham cerca de um ano e meio quando o pai foi internado e, segundo ele, cresceram com lembranças fragmentadas daquele período.

“Eu fico tentando ao máximo levar uma vida mais normal dentro de casa porque eles já são lembrados muito desse luto”, explicou.

Como surgiu o Instituto Paulo Gustavo

A ideia de preservar o legado do artista também nasceu do desejo de mostrar ao público um lado menos conhecido de Paulo Gustavo, especialmente sua relação com a moda e as artes.

Thales contou que o closet do humorista permaneceu intacto por um período após sua morte. Embora tivesse vontade de apresentar as roupas e os objetos pessoais do marido, ele não sabia como transformar a ideia em um projeto e ainda não se sentia preparado para realizá-lo.

Com a ajuda da amiga Juliana Cintra, surgiu a exposição apresentada no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em 2025. A recepção do público, segundo Thales, foi decisiva para ampliar o projeto.

Ele relatou ter recebido mensagens de pessoas LGBTQIA+ que compartilharam histórias de aceitação familiar inspiradas pelo trabalho de Paulo Gustavo. Para o dermatologista, esses relatos reforçaram a dimensão social da obra do humorista.

“Uma das grandes coisas dele foi exorcizar todas as dificuldades que viveu ao longo da vida em seus trabalhos. Isso é um grande poder das artes”, afirmou.

A importância da representatividade

Thales Bretas também falou sobre como a própria história com Paulo Gustavo ajudou a ampliar sua compreensão sobre família e representatividade. Ele contou que, ao se descobrir gay, não sabia que poderia realizar o sonho de se casar e ter filhos.

“Quando me descobri gay, não sabia que isso era possível. Aprendi com o Paulo também. Consegui realizar esse grande sonho”, disse.

Segundo ele, a trajetória do casal inspirou outras pessoas, em parte porque o humorista levou experiências pessoais para seus filmes e trabalhos artísticos. Com o instituto, Thales pretende dar continuidade a esse legado e contribuir para que outras famílias encontrem referências de acolhimento e aceitação.

A proposta, portanto, vai além de preservar objetos e lembranças. A iniciativa busca manter em circulação a obra de Paulo Gustavo e o impacto que ela teve na vida de pessoas de diferentes partes do país.

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