Força da cultura maranhense

Conheça o grupo de bumba-meu-boi criado por maranhenses no Distrito Federal

Boi Encanto de Itapoã realiza apresentações em Brasília e atrai cada vez mais participantes.

Rafael Cardoso

Criado por maranhenses que vivem em Brasília, o Boi Encanto do Itapoã leva o sotaque de orquestra para comunidades do Itapoã e do Paranoá desde 2005. (Foto: Rafael Cardoso)

BRASIL - Longe dos arraiais maranhenses, o som das matracas, das toadas e das orquestras continua ecoando a mais de mil quilômetros de distância. No Distrito Federal, um grupo de maranhenses mantém viva uma das manifestações culturais mais tradicionais do Maranhão: o bumba meu boi.

O Boi Encanto do Itapoã se apresenta nas regiões do Itapoã e do Paranoá, nos arredores de Brasília. Criado e mantido por maranhenses que vivem no Distrito Federal, o grupo leva para a capital do país o sotaque de orquestra, um dos estilos mais populares da brincadeira.

Integrantes do Boi Encanto do Itapoã mantêm viva a tradição do bumba meu boi maranhense no Distrito Federal, com apresentações que reúnem brincantes de diferentes idades. (Foto: Rafael Cardoso)

A tradição começou em 2005. Desde então, os integrantes se reúnem todos os anos para realizar apresentações e preservar a cultura maranhense mesmo longe da terra natal.

Entre os brincantes está o estudante Yuri Gaspar, de 9 anos. Filho de maranhenses, ele interpreta a personagem burrinha e diz que gosta da função por causa da interação com o público.

Grupo realiza apresentações e ações culturais no Distrito Federal para preservar uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular maranhense. (Foto: Rafael Cardoso)

“Gosto de ser burrinha porque sempre gostei. As pessoas vêm, fazem carinho. É legal”, conta.

Entre os novos integrantes está também a estudante Ana Sofia Almeida, de 14 anos, que se encantou pela alegria das apresentações e decidiu participar do grupo.

“Eu via a alegria, as mulheres dançando, e sempre tive essa curiosidade. Entrei e estou bem feliz aqui”, afirma.

A criadora e cantora do grupo é Eliana Costa, natural de Cururupu, no litoral maranhense, e moradora do Itapoã há mais de duas décadas. Segundo ela, manter um grupo de bumba meu boi no Distrito Federal ainda é um desafio por causa da falta de recursos, mas o envolvimento dos brincantes tem garantido a continuidade do projeto.

“A gente trouxe a cultura do Maranhão para cá e vem lutando todos esses anos, fortalecendo essa tradição com pequenas e grandes apresentações, circulando pelas escolas, comunidades e praças públicas do Itapoã e do Paranoá”, afirma.

A iniciativa também tem conquistado pessoas sem qualquer vínculo familiar com o Maranhão. É o caso de Igor Soares, nascido em Brasília, que passou a integrar o grupo como índio após conhecer a manifestação cultural.

“Desde o ano passado estou aqui. Não conhecia a cultura, mas já apreciava. Vejo o tamanho do carinho dos maranhenses e por isso estou aqui. Convido as pessoas a conhecerem os bois de Brasília”, diz.

No último sábado (13), o grupo realizou o tradicional batismo do boi, cerimônia que reuniu padrinhos, madrinhas e moradores da comunidade do Itapoã. A expectativa agora é ampliar a participação do público e fortalecer ainda mais a presença do bumba meu boi no Distrito Federal.

Uma das madrinhas da celebração foi Gilza Sousa, presidente da Casa do Maranhão em Brasília. Para ela, preservar a tradição é uma forma de manter viva a identidade cultural dos maranhenses que vivem fora do estado.

“Para mim é uma honra estar como madrinha. A gente jamais pode deixar a nossa tradição maranhense. A colônia maranhense é a terceira maior em Brasília”, destacou.

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