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Netflix teria pago R$ 500 mil a Suzane von Richthofen por documentário com relatos inéditos

Plataforma teria desembolsado valor para depoimento de Suzane, que relembra o crime, a família e a relação com Daniel Cravinhos.

Na Mira

Netflix teria pago R$ 500 mil a Suzane von Richthofen por documentário com relatos inéditos. (Luara Leimig / TV Vanguarda)

BRASIL - A Netflix teria pago cerca de R$ 500 mil para garantir o depoimento exclusivo de Suzane von Richthofen em um novo documentário sobre o crime que chocou o Brasil. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e não foi confirmada oficialmente pela plataforma, que afirma não comentar detalhes contratuais.

Com título provisório “Suzane Vai Falar”, o longa promete revisitar o caso ocorrido em 2002 sob a perspectiva da própria condenada, trazendo relatos inéditos sobre sua infância, o ambiente familiar e os eventos que levaram ao assassinato dos pais.

Relatos sobre a família e a infância

No documentário, Suzane descreve a casa onde cresceu como um ambiente emocionalmente distante, marcado por cobranças e pouca demonstração de afeto.

“Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão. Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”

Ela também relata episódios que classifica como violência doméstica, afirmando ter presenciado agressões entre os pais.

“O relacionamento dos meus pais era muito ruim. Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”

O relacionamento com Daniel Cravinhos

Outro ponto central do depoimento é a relação com Daniel Cravinhos, que, segundo Suzane, representava uma fuga da realidade familiar.

“Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel. Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver. Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga. [Meu pai] me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”

Ela também relembra um período em que os pais viajaram e Daniel passou a viver na casa da família.

“Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll. Aquele mês mudou tudo na nossa vida”

O planejamento do crime

Segundo Suzane, a ideia do crime não surgiu de forma direta, mas foi sendo construída ao longo do tempo.

“Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”

Apesar de negar participação na execução, ela admite ter facilitado a entrada dos autores na residência.

“Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso. Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha”

A noite do assassinato

O crime aconteceu em 31 de outubro de 2002. Suzane relata que permaneceu no andar de baixo da casa enquanto os pais eram assassinados.

“Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada. Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento. Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta”

Situação atual e repercussão

Hoje, aos 42 anos, Suzane cumpre pena em regime aberto desde 2023 e vive no interior de São Paulo. O documentário ainda não tem data de estreia.

A suposta quantia paga pela produção reacende discussões sobre os limites éticos de obras baseadas em crimes reais, especialmente quando envolvem pagamentos a pessoas condenadas.

Mesmo sem confirmação oficial, o projeto já chama atenção pela promessa de trazer, pela primeira vez, a versão detalhada de Suzane sobre um dos casos mais emblemáticos do país.

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