Justiça

Adolescente que atropelou três pessoas em São Luís permanecerá internada por mais 45 dias, determina Justiça

Pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) foi acatado pela Justiça.
Imirante.com19/08/2021 às 22h34
Adolescente que atropelou três pessoas em São Luís permanecerá internada por mais 45 dias, determina JustiçaAtropelamento foi registrado na noite de sábado (14), na avenida das Cajazeiras, em São Luís. (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

SÃO LUÍS – Foi acatado pela Justiça do Maranhão o pedido feito do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) de manter apreendida, por mais 45 dias, a adolescente de 17 anos que atropelou e matou três pessoas que estavam em uma parada de ônibus, na noite de sábado (14), na avenida das Cajazeiras, em São Luís. A jovem segue internada no Centro Integral de Justiça Juvenil na capital maranhense.

Segundo o promotor de justiça, Luiz Gonzaga, a internação também vai garantir a segurança pessoal da adolescente neste momento. O pedido feito pelo Ministério Público levou em consideração a gravidade dos fatos e a repercussão do caso.

"Pela gravidade do fato, pela repercussão social do caso, para garantir a segurança pessoal da própria adolescente e garantir a manutenção da ordem pública. Então, o Ministério Público entendeu como necessário a medida de internação provisória onde ela tem caráter punitivo, mas também, caráter socioeducativo", disse o magistrado.

Em depoimento nesta quinta-feira (19), a adolescente, que não possui passagens pela polícia, negou que tivesse ingerido bebida alcoólica e que pediu ao carro ao vizinho para lanchar com uma amiga.

O proprietário do veículo, o militar reformado da Marinha do Brasil, Antônio Maria dos Reis, também pode responder criminalmente pelo caso. Ele chegou a responder um Termo Circunstanciado de Ocorrência na Polícia Civil, logo após o atropelamento, e foi liberado.

"Não é permitido que pudesse entregar a chave para pessoas não-habilitadas. E aí, há um dano concreto, um perigo concreto, e ele poderá responder além do crime por homicídio culposo. Então, este é o desdobramento e o processo irá para a justiça comum onde será avaliado por um dos colegas promotores", disse o promotor.

Imagens de câmeras de estabelecimentos e residências próximas ao acidente foram solicitadas e devem ajudar a apurar o caso. A próxima audiência está marcada para 21 de setembro, onde serão ouvidas testemunhas de defesa e acusação do caso.

O atropelamento

Na noite de sábado, a adolescente perdeu o controle da direção do veículo, invadiu a calçada e atropelou quatro pessoas que tinham saído da igreja e estavam esperando ônibus na avenida das Cajazeiras, no Centro de São Luís. Três morreram, uma ainda no local. As vítimas foram identificadas como Maria Raimunda Lavoura de Sousa, de 57 anos, João Victor Pinto de Sousa, de 15 anos e David Ricardo Pacheco, de 13 anos.

De acordo com o relato da adolescente à polícia, ela saiu do bairro Liberdade e tinha como destino o bairro Retiro Natal onde deixaria uma amiga. Na altura da avenida das Cajazeiras, a condutora perdeu o controle da direção do veículo ao tentar frear o carro para evitar uma colisão em um outro automóvel. Segundo a jovem, nesse momento, ela acabou confundindo os pedais e, em vez de frear, acelerou o veículo e acabou atropelando as vítimas.

Tristeza e revolta

Na última segunda-feira (16), foi realizado o velório e sepultamento das três vítimas do atropelamento. Durante a cerimônia, muita comoção por parte de parentes e amigos das vítimas.

Maria Raimunda de Sousa morreu na hora. Deivid Pacheco e João Victor, ainda chegaram a ser socorridos, mas não resistiram e morreram. Nessa segunda-feira, seria o aniversário de 16 anos de João Victor.

Danielle Pacheco, mãe de Deivid, está inconformada com a morte precoce do filho. O jovem era conhecido pelo jeito alegre. Revoltada, Danielle Pacheco pediu justiça para o caso.

"Meu filho tinha 13 anos, era uma criança feliz, cheia de vida, que foi interrompida (...) Tudo que eu peço pra Deus é que tenha justiça, porque se tem alguém que não era culpado disso era ele, somos nós, é a família do João Victor, da senhora, nós não temos culpa de nada. Eles que são irresponsáveis, vão poder abraçar alguém, beijar alguém, mesmo que seja na cadeia, aqui isso nunca mais vai acontecer, eu nunca mais vou ver meu filhinho", disse Danielle Pacheco.

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