Análise

Gestores 'brigam' por protagonismo de vacinação em São Luís

Governador Flávio Dino e prefeito da capital, Eduardo Braide, buscam papel principal na luta por vacinas contra a Covid-19.
Thiago Bastos/ Da Editoria de Política13/04/2021 às 15h25
Gestores 'brigam' por protagonismo de vacinação em São LuísVacinação em São Luís acontece desde janeiro e Braide e Dino lutam por protagonismo no processo. (Foto: divulgação)

SÃO LUÍS - Nos últimos dias e ainda de maneira relativamente sutil, o Governo do Maranhão e a Prefeitura de São Luís duelam nos bastidores pelo protagonismo em especial da vacinação contra a Covid-19. Se por um lado o discurso de ambos os titulares do Executivo Estadual e Municipal – Flávio Dino (PCdoB) e Eduardo Braide (Podemos) – é de priorizar a imunização do maior número possível de pessoas, na prática, ambos e seus auxiliares buscam, em cada passo ou medida tomada, aproveitar as consequências positivas de “livrar” a população de tal doença.

E essa disputa pelo posto máximo no palco de ator fundamental na luta contra coronavírus é interessante para a população. Enquanto de um lado o governador Flávio Dino ingressa no Supremo Tribunal Federal – assim como anunciou no fim da semana passada – para tentar a liberação (via judicial) da importação do imunizante russo Sputnik V, por outro, o Executivo ludovicense, após encaminhar matéria em caráter de urgência, articula para compra coletiva de doses contra a doença via consórcio, amplia a cobertura vacinal contra a Covid e abre novos postos para aplicação das doses.

Recentemente, essa disputa ganhou outros contornos, com a tentativa do Estado de puxar mais para si os holofotes. Para isso, usou a campanha contra a influenza que, incialmente, estava prevista para começar no dia 12 deste mês, conforme calendário estipulado pelo Ministério da Saúde (MS). De surpresa, o Estado antecipou o lançamento para o último sábado, dia 10, o que foge claramente do histórico de lançamentos de campanha de doenças como a gripe, que normalmente ocorrem às segundas-feiras.

O contra-ataque do município foi alinhar uma agenda com Eduardo Braide em uma unidade de saúde, na segunda-feira (12), marcando o pontapé da campanha contra a influenza via município. A falta de uniformização no calendário Estado e Município da vacina contra a gripe, que por um aspecto antecipou as doses para as pessoas em dois dias, por outro, criou dúvidas de forma desnecessária em parte da população.

Vale lembrar que, apesar do Estado ter a prerrogativa – se assim desejar – de realizar a aplicação das doses (seja da influenza, da Covid-19 ou de outras campanhas), cabe ao Município a execução da aplicação dos imunizantes. O sucesso da campanha na capital maranhense que, desde o começo da campanha no dia 19 deste mês não parou um dia a campanha – ainda que com doses recebidas de forma fracionada pela União – talvez incomode aliados do Estado, em especial do secretário Carlos Lula.

O ideal é que, especificamente na agenda da vacinação (influenza e Covid em especial), Estado e Município deveriam andar juntos, ainda que com suas divergências políticas. Não é o que acontece e a campanha para imunizar a população, em especial contra o coronavírus, é usada sim para angariar boa imagem e lastro de votos, visando preliminarmente 2022.

E isso vale para os dois lados, ou seja, Estado e município.

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