Execução em Vitória do Mearim

Suspeito já responde por outro homicídio durante ação com a Polícia Militar

Desde 2009, Luiz Carlos trabalha dando apoio à PM em Vitória do Mearim.
Liliane Cutrim/Imirante.com04/06/2015 às 11h01

SÃO LUÍS – A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) apresentou, na manhã desta quinta-feira (4), o vigilante Luiz Carlos Machado de Almeida, suspeito de executar o mecânico Irialdo Batalha na frente de populares, no último dia 28, na cidade de Vitória do Mearim.

Luiz Carlos Machado de Almeida foi preso na noite dessa quarta-feira (3), em São Luís. Foto: Divulgação/SSP

Luiz Carlos está preso desde a noite dessa quarta-feira (3), quando foi capturado por policiais do Serviço de Inteligência da 13ª Companhia Independente da Polícia Militar do município de Viana. O vigilante estava em um quarto alugado no bairro da Forquilha, em São Luís.

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Em depoimento à polícia, Luiz Carlos disse que, após a execução, fugiu da cidade e jogou sua arma e o colete à prova de balas no rio Mearim. A arma de fogo usada para executar Irialdo estava há 15 anos em poder do vigilante.

O delegado Jeffrey Furtado da Delegacia de Homicídios, em entrevista à rádio Mirante AM, disse que Luiz Carlos era funcionário da prefeitura e estava cedido para a PM desde 2009, para dar apoio. Ainda segundo o delegado, a versão dos policiais militares e de Luiz Carlos é que Irialdo Batalha e seu amigo Diego Ferreira teriam trocado tiros com a polícia após furarem uma blitz. No entanto, as testemunhas afirmam que só viram os policiais atirando contra os dois homens que não estavam armados.

“Até o final do prazo de 10 dias, nós encaminharemos o inquérito com todos esses levantamentos realizados e com um relatório conclusivo, para que o juiz possa analisar e assim julgar”, explica o delegado.

Outro homicídio

Ainda de acordo com o delegado Jeffrey Furtado, Luiz Carlos Machado de Almeida já responde por outro homicídio na comarca de Vitória do Mearim, também praticado em ação com a Polícia Militar.

“Segundo o interrogatório que ele prestou na noite dessa quarta-feira na Delegacia de Homicídios, ele afirma que trabalha desde 2009 no pelotão da Polícia Militar e que em 2011 estava em operação policial com outros policiais em um povoado chamado Acoque, quando teriam sido recebidos à bala por criminosos, aí ele teria perseguido essas pessoas e efetuou disparos, sendo que uma pessoa veio á óbito. Esse processo encontra-se em andamento na comarca de Vitória do Mearim, a mesma em que ele vai ser processado por esse fato que está em apuração”, contou o delegado.

Segundo a SSP, esse tipo de contratação de terceiros para dar apoio à Polícia Militar é só para áreas administrativas e, no máximo, para ajudar os PMs ouvindo o rádio comunicador, sem jamais participar de operações diretas, ainda mais portando uma arma de fogo.

Entenda o caso

Irialdo Batalha foi executado com dois tiros na cabeça no dia 28 de maio, após uma perseguição policial na cidade de Vitória do Mearim. A vítima já estava caída no chão e desacordada, quando foi assassinada. O crime foi registrado, em vídeo, por populares e chocou o Estado.

Foto: Divulgação

Segundo a SSP, os disparos foram feitos por Luiz Carlos que, mesmo sendo só um vigilante, estava acompanhando uma operação policial para prender suspeitos de assaltar um comércio na região. A SSP afirmou que o mecânico estava em uma moto com o seu amigo Diego Ferreira, quando furaram uma blitz policial na BR-122, que visava encontrar uns assaltantes. Na ocasião, Irialdo e Diego foram perseguidos e baleados, para que parassem.

Ainda de acordo com a SSP, os policias teriam ido prender Diego, e o vigilante ficou com o Irialdo, que estava caído, para não deixá-lo fugir. Mas, Luiz Carlos acabou executando o mecânico na frente de várias pessoas.

Segundo testemunhas, a Polícia Militar local presenciou a execução e ainda ajudou o autor do homicídio a colocar o corpo de Irialdo dentro de um carro policial.

Foto: Divulgação

A família da vítima nega que Irialdo Batalha fosse um criminoso, e afirmou que o mecânico nem armado estava e nada justifica a sua execução em via pública.

“Ele era um rapaz querido pela família, era uma pessoa boa, prestativo. E não é porque ele morreu que estou dizendo isso, mas a gente via como ele era no dia a dia. Queremos falar da nossa indignação com a polícia do Maranhão, não toda a polícia, mas esses cidadãos que fizeram isso. A gente ficou sem entender a ação da polícia, pois meu primo não reagiu e nem tinha arma, estava indefeso no chão”, disse um primo da vítima em entrevista à rádio Mirante AM, um dia após o crime.

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