Em Santa Luzia do Paruá

Centenas de pessoas celebram festejo de Santa Luzia

Os fiéis tomaram as principais ruas da cidade, numa demonstração de fé.
Heider Matos/Imirante.com14/12/2014 às 03h26

SANTA LUZIA DO PARUÁ – Fé, devoção e muita emoção marcaram o festejo em honra a Santa Luzia, uma das mais populares santas do Brasil, no município de Santa Luzia do Paruá. Uma procissão com a participação de centenas de devotos, vindos de diversos cantos do Maranhão, encerrou as celebrações, na tarde deste domingo (13). Os fiéis tomaram as principais ruas da cidade, numa verdadeira demonstração de fé e devoção cristã.

As festividades começaram bem cedo, às 8h da manhã, com celebração de uma missa dedicada aos romeiros. De cada canto, uma história, mas o sentimento era o mesmo, de gratidão à graça alcançada. À tarde, mais celebrações. Uma carreata, com mais de 100 carros, foi promovida para acolher o Bispo Dom João Kot, novo responsável pela Diocese de Zé Doca. Logo após, deu-se início a procissão. Com cânticos, hinos, e muita oração os fies percorreram as ruas da cidade, o trânsito na BR 316 ficou parado por alguns minutos, mas os motoristas que ali passavam não a pareciam se incomodar. Como o senhor Albânio, que vinha de Belém em direção a São Luís e teve de parar quando avistou a procissão. “Não temo como eu me incomodar. A festa está bonita e precisamos de muita oração para conseguir trabalhar. O mundo hoje está perigoso e precisamos de muita proteção. Que ela (Santa Luzia) me proteja nestas estradas”, rogou.

Ao término da procissão, que durou pouco mais de uma hora, iniciou-se a celebração eucarística. A praça da igreja matriz foi tomada por mais de cinco mil pessoas. Era praticamente impossível transitar pelo local. Em sua homília, Dom João Kot enfatizou o amor da santa por Jesus Cristo. “Luzia é um exemplo para todos os cristãos”, resumiu.

As celebrações a Santa Luzia foram encerradas com o show de Tony Anderson, da comunidade católica Canção Nova. O show aconteceu às margens da BR 316. E não faltou louvor e adoração. Às centenas de pessoas que compareceram não pararam um só segundo de cantar. A organização do evento classificou o festejo como um sucesso de público.

História do festejo

Santa Luzia do Paruá é município de pouco mais de 26 mil habitantes, localizado a oeste do Maranhão, na região conhecida como pré amazônia. A história do festejo começou em 1977, quando a Paróquia Santa Luzia foi construída, quando o pequeno vilarejo, conhecido como Santa Luzia do Paruá, ainda pertencia ao município de Turiaçu.

O festejo começou no ano seguinte, 1978. Como conta Maria Rodrigues da Silva, de 76 anos. “Eu tinha mudado há pouco tempo, quando um rapaz chamado João Eugênio (já falecido) me pediu uma árvore de Natal, que eu havia montado em minha casa, para ele enfeitar a igrejinha do barro, na qual eram feitas as celebrações em homenagem à Santa. Comecei a participar e logo organizamos o primeiro festejo”, contou.

Em 1987, o pequeno vilarejo tornou-se cidade e viu o número de devotos e romeiros crescer. Hoje é um dos maiores festejos do Maranhão.

Promessas que salvam vidas

A pequena cidade recebe romeiros de vários cantos do Brasil para o festejo da Santa que dá nome ao município. E são muitas as promessas. Joaquim Ramos dos Santos, de 84 anos, veio de Newton Belo para agradecer a cura de uma doença que o deixou sem enxergar. Ele conta que acordou bem cedo para assistir a primeira missa do dia, e homenagear a santa de devoção.“Eu fiz uma cirurgia no olho e passei 10 anos sem nenhum problema. Depois desse tempo, tudo começou a ficar escuro. Daí. Fiquei sem enxergar. Sou devoto há muitos anos e resolvi pedi ajuda a Santa. Eu fiz a promessa de vir no dia da Santa e colocar no cofre dela uma joia. E graças a Deus, voltei a enxergar”, disse emocionado. Ao entregar a jóia prometida, Joaquim não conteve as lágrimas e prometeu voltar todos os anos à cidade no período do festejo.

De Presidente Médice, o técnico agrícola, Paulo César Gomes Araújo, 36 anos, e sua esposa, a agente de saúde Deusimar Lima de Alcântara, 39 anos, vieram cumprir uma promessa feita à Santa. Há oito meses, o filho Paulo David nascera de forma prematura e passou por muitas dificuldades, até que eles foram orientados por Luzia Gomes Araújo, de 74 anos, mãe de Paulo César, a pedir a ajuda a Santa Luzia. “Ele nasceu prematuro, e os médicos não acreditavam que ele ia escapar com vida. Eu, minha esposa e minha mãe, fizemos uma promessa a Santa Luzia e graças a Deus, hoje ele está bem, venceu a morte e é a coisa mais importante da minha vida. Não sei o que seria de mim sem ele”, disse.

História de Santa Luzia

Luzia nasceu por volta do ano 280 d.C. em Siracusa na Itália, sendo filha de pais nobres. Perdeu o pai ainda quando criança e foi criada pela mãe Eutichia (através desta, conheceu o amor a Jesus Cristo). Pouco depois, Eutichia começou a sofrer de grave enfermidade hemorrágica e Luzia sugeriu à mãe que visitassem o túmulo de Santa Ágata (muito venerada à época) na cidade de Catânia, por acreditar que obteriam o milagre da cura.

No local, Luzia pediu à mãe que suplicasse a intercessão da Santa junto a Jesus pelo milagre desejado. Luzia teve então uma visão de Santa Ágata dizendo-lhe que ela mesma já tinha conseguido, com sua fé, a cura de Eutichia. Imediatamente, Luzia orou ao amor de Jesus e sua mãe estava livre da doença.

Voltando a sua cidade doou todos os seus bens e riquezas aos pobres. Um jovem, enamorado de Luzia, com raiva pelos votos de dedicação ao cristianismo e um suposto acordo familiar de casamento desfeito, denunciou Luzia às autoridades locais, que a mando dos romanos perseguiam e prendiam os seguidores de Cristo.

Luzia foi presa e em não abdicando de sua fé e de seu amor a Jesus, foi condenada a morte. Conta a tradição, que ela, antes da morrer, foi levada a pior parte da cidade para que fosse prostituída, mas nem os soldados mais fortes conseguiram retirá-la do lugar, firme e imóvel como uma coluna. Outra história conhecida, é que Luzia teve seus lindos olhos retirados como castigo, mas, no dia seguinte Luzia tinha novamente seus olhos intactos restituídos, como se nunca os tivessem tirado. (História de Santa Luzia, retirada do site Santaluzia.org).

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