Recordações

Minha trajetória de 25 anos na grande escola Jornal O Estado do Maranhão

Ribamar Cunha/Editor de Economia

Atualizada em 11/10/2022 às 12h15
Ribamar Cunha (de amarelo) com parte da equipe que passou pelo O Estado com as atrizes Maitê Proença e Clarisse Derzié
Ribamar Cunha (de amarelo) com parte da equipe que passou pelo O Estado com as atrizes Maitê Proença e Clarisse Derzié (riba cunha)

Em janeiro de 1996, entrei como estagiário no Jornal O Estado do Maranhão, para cobrir a área de Economia. E lembro como se fosse hoje, a primeira matéria que fiz foi sobre a volta às aulas, e além dos pais de alunos, as fontes da época eram as tradicionais livrarias ABC e JC, ambas localizada à Rua de Nazaré e Odylo e Rua do Sol, respectivamente.

Lógico que os primeiros textos tiveram ajustes por parte das editoras de Economia, Wal Oliveira e Érika Rosa, que foram meu norte, principalmente em relação ao gancho que deveria dar a cada matéria, construção de texto, entre outras observações, que só contribuíram para o meu aprendizado e fazer jornalístico e para o espaço que conquistei como profissional.

Mas a reportagem que me elevou da categoria de estagiário a de repórter contratado, e em tão pouco tempo, foi a do desdobramento local do maior escândalo do sistema financeiro brasileiro, envolvendo o Banco Nacional, cuja sede em São Luís, localizava-se, à época, à Rua de Nazaré e Odylo, Centro.
Fazendo um resgate dessa história, a crise no Banco Nacional, até então escondida pela diretoria, foi identificada em 1995, quando o Banco Central percebeu problemas de liquidez na instituição, que maquiava seus balanços com mais de 600 contas fantasmas para realizar empréstimos fictícios.

Exatamente sobre essas contas fantasmas é que entra nossa reportagem, pois três empresas maranhenses foram usadas pelo Banco Nacional nesse esquema fraudulento (não recordo o nome, mas era do setor agropecuário). Uma tarefa que não foi fácil, pois passei o dia inteiro apurando, em busca de informações, endereços dessas empresas, o que consegui inicialmente na Junta Comercial do Maranhão (Jucema). Tive que pagar um DARE – Documento de Arrecadação Estadual para obter essas informações, e enfrentei fila no então Banco do Estado do Maranhão (BEM), situado à Praça Pedro II. Só ai foi uma manhã perdida.
Das três empresas, uma estava localiza na Ilha de São Luís, precisamente na área de Paço do Lumiar. As outras no interior. Só que no endereço que buscamos informação, a empresa não existia mais. Cheguei à Redação já no fim da tarde, início de noite, com a missão de entregar um material consistente. E reforço, com a ajuda de Érika Rosa e Wal Oliveira, duas das mais competentes jornalistas maranhenses nas quais me espelhava, o texto ficou pronto, aprovado pelo exigente Diretor de Redação, Ribamar Corrêa, e foi manchete no dia seguinte.

Dois ou três dias após nossa reportagem, um empresário de uma das três empresas usadas pelo Banco Nacional nos procurou para falar do assunto, rendendo mais matérias sobre o assunto.
Não tenho dúvida que essa reportagem foi decisiva para que no dia 1º de fevereiro de 1996 minha carteira de trabalho fosse assinada, no cargo de Repórter. Três anos mais, tarde, fui promovido a Subeditor Senior de Economia. Inclusive, até hoje, um antigo companheiro de Redação, chamado Bil, quando me encontra pergunta: e ai, continua sub? E eu respondo graças a Deus, ser Editor, a responsabilidade é maior. Fico mesmo sendo sub.

Em 25 anos de atuação em O Estado, acompanhei e fui partícipe de muitas histórias e mudanças gráficas e editoriais de um veículo comprometido com a notícia e em levar informação de credibilidade aos seus leitores, a partir dos fatos narrados por uma equipe do mais alto gabarito.
Nesse período, acompanhei fatos econômicos diversos, como também de outras áreas, pois o jornalismo é dinâmico e temos que estar atentos e ter conhecimento e informação de tudo. Até porque, além de Economia, já fiz reportagens de Política, Cidades, Cultura, Polícia, Esporte. Sem dúvida, O Estado foi uma grande escola na minha vida de como fazer jornalismo.

Entre os fatos econômicos que vivenciei e registrei nessa trajetória em O Estado cito as privatizações da Cemar (hoje Equatorial) e do BEM (adquirido pelo Bradesco), o impacto no comércio com a proibição da circulação de ônibus nas ruas da Paz e do Sol, a expansão do Porto do Itaqui, o boom imobiliário em São Luís, o caso Euromar no esquema de vendas fraudadas de veículos, a descoberta da primeira reserva de gás natural, na cidade de Capinzal do Norte, a implantação do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), a Hidrelétrica de Estreito, o avanço do Maranhão para zona livre da aftosa com vacinação, o Painel Empresarial que reuniu os maiores empresários do país na capital maranhense, os desdobramentos de crises econômicas como a de 1999, devido à desvalorização do Real, a de 2008, nos Estados Unidos no mercado imobiliário e que contaminou todo o mundo, inclusive o Brasil, a crise fiscal no país em 2015 e a mais recente, desde 2020, a crise sanitária do novo coronavírus, com forte impacto na economia.
Também tive a honra de editar Cadernos Especiais, tais como da Alumar, Aniversário de São Luís, Aniversário de Associação Comercial do Maranhão, Grupo Mateus e da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). E ainda de ter sido vencedor da esta estadual do 7º Prêmio Sebrae de Jornalismo.

Nos últimos anos, com o avanço cada vez maior da transformação digital, a edição impressa de O Estado sofreu o impacto das plataformas digitais, e de uma nova forma de se consumir a informação. O tradicional texto e imagem do impresso deu vez a mais que isso no ambiente virtual, incluindo vídeos e áudios, a partir dos novos formatos de mídia, sem falar na maior interatividade proporcionada.
Um grande desafio de transição que coube ao diretor de Redação Clóvis Cabalau conduzir e implementar, junto com a pequena equipe que restou, mas com bons resultados, inovando inicialmente com realização de lives até a criação de programas políticos, culturais, esportivos e policiais (em vídeos e podcasts).
Apesar disso, o impresso resistiu bravamente nos últimos cinco anos, corroborando e consolidando sua importância história da imprensa maranhense, até a sua última edição de despedida, hoje, 23 de outubro.
Fica o lamento de o maior jornal do Maranhão e um dos maiores do Norte e Nordeste deixar de existir. Mas fica também o meu agradecimento à empresa, que acreditou no meu trabalho e na ética com que desempenhei minha atividade jornalística e por tudo que proporcionou nesses 25 anos e aos amigos que fiz nessa jornada.
Viva O Estado do Maranhão!!!

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