Economia | Tecnologia

Pagamento por aproximação, QR Code e Pix cresce no setor metroferroviário

Locomotivas elétricas movidas por baterias e células de combustível de hidrogênio, apostas da indústria para a descarbonização do setor
10/10/2021 às 07h21
Pagamento por aproximação, QR Code e  Pix cresce no setor metroferroviário (Agência Brasil)

São Paulo - O avanço da tecnologia vem modificando as formas de pagamento de produtos e serviços no mercado nacional. Inovações que, antes eram consideradas distantes dos consumidores brasileiros, tornam-se uma realidade no país. São os casos dos sistemas de pagamento por aproximação (conhecido como NFC - Near Field Communicaton), QR Code e, mais recentemente, o Pix.

No setor metroferroviário nacional não é diferente e essas opções, entre outras que estão surgindo, também ganham força neste mercado quando o assunto é o pagamento de tarifas e passagens país afora. O tema ganhou destaque no NT Expo Xperience 2021, principal evento digital da América Latina para o setor metroferroviário, nesta quarta-feira (6).

"Esta é uma temática muito importante, já que, tradicionalmente, viemos daquele sistema de pagamento via bilhete, depois passou-se para os cartões de transporte e agora avançamos ainda mais. Este é um movimento fundamental, pois promove um investimento crucial para a modernização dos sistemas de pagamentos de tarifas e passagens no Brasil. Mas não podemos esquecer dos passageiros e de suas necessidades, eles devem ser o nosso foco principal. Não adianta provermos só a tecnologia sem incentivar uma mudança de cultura por parte dos usuários. Eles têm que ver valor nisso, senão irão continuar optando por permanecer nas filas das bilheterias", disse o presidente da CCR Metrô Bahia, André Costa, durante o painel "Modernização do sistema de bilhetagem" .

Para ele, esse foi o principal conceito que motivou a companhia a ir em busca dessa estratégia, de ofertar diferentes opções de pagamento ao cliente, com o intuito de deixá-lo à vontade para efetuar a compra de suas passagens da forma e no modal que escolher. "Pensando nisso, começamos a avaliar alternativas viáveis para a realidade de nossos usuários: primeiro, implantamos as máquinas de auto-atendimento, onde os usuários conseguiam realizar o pagamento de suas tarifas ou a recarga de seus cartões de transporte automaticamente. Depois, realizamos alguns testes com o pagamento via QR Code e agora pretendemos implantar essa solução em nosso sistema também", acrescentou.

Outra iniciativa da CCR Metrô Bahia foi firmar uma parceria com a Quicko, startup de inteligência de dados para a área de mobilidade urbana. Quem contou mais sobre isso e sobre as vantagens dessa parceria foi a COO (Chief Operations Officer) da startup, Carolina Badaró.

"Ao iniciarmos os trabalhos com o metrô de Salvador, conseguimos fornecer aos usuários a opção da compra via Pix ou cartão de crédito, ofertando uma experiência de toda a gestão do sistema de bilhetagem de forma tecnológica, sem a necessidade de qualquer contato físico com os equipamentos das estações. Mas precisamos mostrar o valor disso e o quão benéfico é fazer uma recarga sem necessitar enfrentar filas e horários de pico, utilizando apenas uma plataforma online. No fundo, este é o nosso papel: ser uma plataforma que conecta todos os avanços dos operadores e os entrega, de uma forma muito simples, através de um aplicativo aos usuários".

Já o gerente de arrecadação e bilhetagem eletrônica da SuperVia, concessionária que opera o serviço de trens urbanos do estado do Rio de Janeiro, Philippe Brito, ressaltou outro ponto que considera essencial para um desempenho eficaz dessas novas tecnologias de cobrança de tarifas e passagens: a integração entre modais e os seus respectivos meios de pagamento. Para ele, quando se fala em mobilidade urbana, a empresa não tem que pensar apenas em seu nicho ou em seus domínios, mas em como suas soluções beneficiam toda a infraestrutura de transportes da cidade onde está instalada.

"Quando se fala em integração, precisamos enxergar o transporte de uma forma mais ampla, com o objetivo de facilitar a jornada do usuário. O ideal é que ele consiga realizar todo o seu trajeto de forma integrada, de maneira que essas tecnologias lhe permitam efetuar o pagamento em todos os modais e realizar o transbordo de um para o outro quando necessário. Assim, se reduz a velocidade do deslocamento e proporciona uma otimização da viagem como um todo, o que é fundamental. Claro que, muitas vezes, cada modal é gerido por empresas diferentes: nestes casos, é necessário uma coordenação conjunta muito bem feita", completou. Desde 2020, as estações da Supervia já aceitam pagamentos por aproximação.

Descarbonização do setor ferroviário para um futuro mais sustentável - A indústria ferroviária no Brasil promove um ambiente que visa estimular a inovação e a sustentabilidade, em especial, as iniciativas voltadas para a redução nas emissões de dióxido de carbono (CO2). A Wabtec Corporation, empresa americana que atua no segmento de equipamentos para o transporte ferroviário, está no caminho para a descarbonização com o desenvolvimento de locomotivas elétricas movidas por baterias e células de combustível de hidrogênio.

A vice-presidente global de produtos da Wabtec Corporation, Daniela Rodrigues Ornelas, participou da NT Expo Xperience para apresentar as novidades da companhia em locomotivas de carga elétricas. Daniela disse que a locomotiva FLXdrive - desenvolvida pela Wabtec como a primeira locomotiva elétrica movida a bateria do mundo - passou por testes nos Estados Unidos, onde foram avaliados, entre outros aspectos, a eficiência energética.

"A locomotiva elétrica tem a capacidade de bateria de 2,4 megawatts hora (MWh) e registrou uma redução média de 11% no consumo de combustível e nas emissões de dióxido de carbono (CO2)", disse. Ela revelou que a companhia já está desenvolvendo uma nova geração desta locomotiva elétrica com uma bateria de 7 megawatts hora (MWh), que deve agregar mais autonomia e pode reduzir ainda mais as emissões de CO2. "A nova versão deve estar em operação em 2023", afirmou.

Outro ponto destacado pela vice-presidente global de produtos da Wabtec Corporation foi a construção da locomotiva ES44 na fábrica de Contagem, em Minas Gerais, com as primeiras entregas previstas para o início de 2022. De acordo com ela, a locomotiva tem um motor a diesel mais eficiente, com 12 cilindros e 5% a mais de economia de combustível em relação à versão atual, a AC44. "Estamos em uma jornada de descarbonização e a ES44 é parte deste esforço", salientou.

No que diz respeito sobre a visão da Wabtec para o futuro, Daniela disse que a próxima etapa é a introdução de baterias com células de hidrogênio nas locomotivas elétricas. A executiva também comentou sobre a criação do Freight Rail Innovation Institute, em parceria com a Carnegie Mellon University - que é referência em inteligência artificial e robótica - e a empresa de shortlines Genesee & Wyoming, nos Estados Unidos. O objetivo é alcançar um sistema ferroviário de emissão zero no país norte-americano e no mundo. "Estamos preparados para buscar parcerias no Brasil, com base no mesmo objetivo", concluiu.

O Futuro da Mobilidade Sobre Trilhos

Soluções integradas e contínuas para a mobilidade sobre trilhos de pessoas e cargas também foi destaque da NT Expo Xperience 2021. Quem abordou mais do assunto foi o superintendente da AlmavivA do Brasil, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de gestão de relacionamento com o cliente e de tecnologia da informação e da comunicação, Fabiano Fonseca.

O executivo evidenciou a importância da digitalização no transporte e os benefícios que a tecnologia traz ao setor, por meio de ferramentas como a Moova, uma plataforma totalmente integrada e modular, que visa atender aos anseios da área de mobilidade como um todo. "Esta é uma ferramenta que concentra, em um único sistema, informações dedicadas tanto ao usuário final quanto às cargas, de acordo com o tipo de transporte que a empresa realiza, atendendo as demandas de toda a cadeia logística - além de dados dos ativos que são utilizados para o transporte em si, das estações, do tráfego e de tudo que está no contexto da mobilidade. Tudo isso em tempo real", finalizou.

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