Cidades | Retomada

Obras do Palácio das Lágrimas e do Sioge passam por revisão

Invasão, lixo e abandono são a realidade dos espaços, hoje morada de sem-teto; ambas as obras se encontram paralisadas há anos, mas há promessa de que devem ser retomadas em breve
Kethlen Mata/ O Estado24/09/2021
Abandono e sujeira no interior do Palácio das Lágrimas

São Luís - Em meio ao entra e sai de pessoas pelos portões enferrujados de um casarão antigo, localizado na esquina das ruas de São João e da Paz, os anos passam e uma reforma que começou em 2014 deixou de ser uma esperança distante. De acordo com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão (Iphan-MA), Maurício Itapary, a obra deve ser retomada, após a conclusão de uma revisão nos projetos para a abertura de um novo processo licitatório. O mesmo está acontecendo com as obras para a reforma do antigo prédio do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge), que começaram em 2017. Com cerca de 700 metros de distância entre os dois prédios, os problemas que os acometem são bem parecidos: invasão, lixo, pessoas em situação de rua, usuários de drogas e abandono.

As obras no Palácio das Lágrimas – de propriedade da Universidade Federal do Maranhão e tombado pelo Iphan – pararam poucos meses depois de se iniciarem, em junho de 2014. Se tivessem continuado, o local abrigaria a sede do curso de Música da UFMA. O local que, mesmo abandonado, impressiona pela beleza e imponência de suas altas colunas e escadarias que transportam para uma outra época, hoje abriga pessoas em situação de vulnerabilidade, usuários de drogas e moradores da redondeza, que entram na construção para pegar água de um poço localizado dentro da propriedade.

lateral do prédio na Rua da Paz

Nesta quinta-feira (23), O Estado esteve no local – cujo portão teria sido arrombado há quatro dias por vândalos – e constatou as marcas do tempo na construção. Além das paredes erguidas apenas até a metade, o Palácio das Lágrimas virou depósito de fezes e lixo, uma atmosfera que nada combina com a elegância do antigo espaço.

A vendedora ambulante Edna Batista trabalha na calçada do palácio e acredita que, sem a presença dela e de outros vendedores no local, a situação da construção estaria pior. “Só começaram essa obra aí, vieram três vezes e desapareceram. Os vândalos só não quebraram mais esse prédio porque a gente trabalha aqui na frente”, apontou.

Obras no prédio do Sioge
No caso das obras para restauração do antigo prédio do Sioge, localizado na Rua Antônio Rayol, Centro, o tempo de paralisação é um pouco menor, mas também impressiona. A última vez que os moradores viram pessoas trabalhando na reforma foi em 2018. Com início em 23 de março de 2017, a intervenção é uma parceria entre a UFMA, a Petrobras e o Iphan. O prédio, onde funcionou a extinta Fábrica Progresso, foi construído no final do século XIX, posteriormente, foi a sede do Sioge. A construção foi cedida pelo Estado à UFMA.

O projeto inicial era que o prédio viesse a abrigar os achados arqueológicos da área de implantação de um projeto de refinaria em Bacabeira, e também os artefatos que fazem parte do projeto acadêmico desenvolvido pelo Laboratório de Arqueologia da Universidade.

Um homem que trabalha perto e não quis se identificar afirmou que um corpo humano já foi encontrado dentro da propriedade. “Já foi encontrado feto, uma porção de coisas. Agora eu não posso afirmar, mas antigamente o pessoal que usa drogas, praticamente, residia aí dentro. Largaram a obra, está aí jogada, antes tinha um guarda, hoje não tem”, destacou.

A aposentada Marly dos Santos, residente do Centro há mais de 20 anos e vizinha da obra do Sioge, também conta a história de que um corpo foi encontrado dentro da obra, porém, ela já dá outra versão. “Na verdade, mataram pessoas aí dentro, não me lembro o ano, mas já aconteceu. Também tem essa história de que encontraram um feto. Roubavam e, depois, corriam para aí”, ressaltou.

Prédio do antigo Sioge aguarda retorno das obras

Iphan
Procurado por O Estado, o superintendente do Iphan no maranhão, Maurício Itapary relatou que, mesmo que a ordem de serviço tenha partido do órgão, a responsabilidade pela realização das duas obras citadas é da UFMA. “Essas obras são de responsabilidade da UFMA através de uma parceria, onde o Iphan fez apenas o repasse dos recursos financeiros durante a execução da obra. Estão sendo feitas novas tratativas para a retomada dessas obras pela Universidade. Os novos processos licitatórios para essas obras, os projetos e levantamentos serão administrados pela UFMA, ficamos apenas com os repasses e fiscalização.

SAIBA MAIS

Palácio mal assombrado

Na visita ao Palácio das Lágrimas, na tarde desta quinta-feira, 23, não demorou muito para que as histórias de assombração e visagens fossem reletadas. O relojoeiro Nilson Pestanha – que também trabalha na calçada da construção antiga – conta que durante uma palestra com uma historiadora descobriu o porquê do nome do local.
“Foi no tempo da escravatura. Parece que houve uma briga por uma escrava entre o senhor da casa e um outro escravo, mas ela preferiu o senhor. Então, esse escravo teria envenenado os filhos do dono da casa. É uma história bastante curiosa, mas também há outras lendas. Eu vivo ouvindo as pessoas falarem que veem visagens aí. Quando funcionava como farmácia da UFMA, meus amigos me diziam que não conseguiam dormir aí”, frisou.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte