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Prado Carioca é preso em São Luís por estelionato

O suspeito de tentativa de crime de estelionato se passava por políticos e empresários para aplicar golpes, como o senador Weverton Rocha e Fernando Sarney
23/09/2021 às 08h35
Prado Carioca é preso em São Luís por estelionato Na casa do suspeito foram encontrados diversos aparelhos telefônicos (Divulgação)

São Luís – Foi preso nesta madrugada, 23, Carlos Roberto Melo Prado, mais conhecido como “Prado Carioca”, suspeito de tentativa de crime de estelionato. A prisão preventiva foi realizada após uma ação entre a Polícia Civil e a Polícia Militar do Maranhão.

De acordo com a Polícia, o suspeito se apresentou como sendo o senador Weverton Rocha, por meio do Whatsapp, na tentativa de obter vantagem ilícita, além de tentar pedir dinheiro para Universidade Federal no Rio de Janeiro.

Foram cumpridos mandado de busca e apreensão domiciliar e quebra de sigilo de dados dos objetos apreendidos. Diversos celulares foram encontrados em um imóvel no bairro da Forquilha.

Em 2020, um dos alvos do criminoso foi o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Prado Carioca chegou a ligar para a vítima se passando por Fernando Sarney e pediu um repasse de um valor monetário. O estelionatário também tentou aplicar esse mesmo golpe no gestor estadual do Rio de Janeiro e em um presidente de uma grande empresa de telecomunicação.

O outro alvo desse criminoso foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Prado se apresentou como Fernando Sarney e pediu que Gilmar Mendes o receba, se intitulando como o “todo-poderoso do estado do Maranhão” e “dono de uma importante empresa de comunicação do estado”.

Prado disse ainda que queria falar com Mendes sobre “negócios”, sem revelar quais assuntos seriam estes. Ele não conseguiu o seu objetivo devido à assessoria do ministro ter entrado em contato com a diretoria do Grupo Mirante para relatar sobre o fato. De acordo com os auxiliares de Mendes, o número usado pelo estelionatário para fazer os contatos com o ministro era oriundo do Distrito Federal.

Entenda o caso

No mês de setembro de 2015, O Estado publicou que o estelionatário, que tem uma empresa aparentemente de “fachada” e intitulada C.R.Melo Prado Eireli, com sede em São José de Ribamar (Região Metropolitana de São Luís), recebia valores de empresas sob a alegação de que os recursos seriam usados para a promoção de eventos ligados a grupos de bumba meu boi.

De acordo com a nota fiscal encaminhada no dia 20 de agosto de 2015 e endereçada à empresa alvo do golpe, o valor para a promoção das atividades seria de R$ 78 mil. Além da ajuda ao grupo de bumba-boi, a verba também seria utilizada para apoio a uma campanha de saúde.

Em outro e-mail, o estelionatário Carlos Prado (denominando-se como diretor Cultural e Financeiro da empresa C.R. Melo Prado Eireli) pede da empresa farmacêutica o endereço correto da mesma para encaminhamento da nota fiscal, para repasse da verba. Segundo trecho, Carlos Prado “solicita urgência” para que, com base nos dados da empresa farmacêutica, sejam encaminhadas duas vias da nota fiscal via sedex.

Em 2010, o estelionatário foi preso após se passar, à época, por pessoas importantes, entre elas empresários e políticos, para conseguir extorquir dinheiro de suas vítimas. Em dezembro de 2014, Prado Carioca tentou extorquir R$ 68 mil de um empresário e dono de uma empresa de aviação na cidade de Manaus, capital do Amazonas. Na ocasião, o estelionatário alegara patrocínio para um grupo folclórico intitulado “Encanto do Maranhão”, que iria se apresentar nos dias 15,16 e 17 de dezembro do ano passado nas cidades de Belém, Santarém e Altamira.

Antes, em 2013, Prado Carioca enviou o mesmo pedido de patrocínio para empresas em Brasília e Fortaleza, com alegações idênticas, ou seja, participar de eventos relativos à cultura e à importância do meio ambiente no país. Em todas estas ocasiões, como forma de ganhar a confiança de sua vítima, Prado fez uso do nome do empresário Fernando Sarney.

Em 2003, Prado já havia sido preso pelo crime de estelionato. Em 2009, Prado se passou pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB) para tentar extorquir dinheiro da Petrobras. À época, o estelionatário encaminhou ofício com uma assinatura falsa do político à diretoria de Petróleo e Gás da empresa, no Rio de Janeiro.

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