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45% dos brasileiros têm contas em atraso, diz pesquisa

Dívidas atrasadas com cartão de crédito foram citadas por 25%; conta de luz em atraso, por 22%; segundo o Datafolha; mulheres estão mais endividadas que os homens
21/09/2021
 45% dos brasileiros têm contas em atraso, diz pesquisaO cartão é a modalidade de crédito com maior nível de inadimplência (Divulgação)

BRASÍLIA - Pesquisa Datafolha realizada de 13 a 15 de setembro mostra que 45% dos brasileiros têm atualmente alguma dívida ou conta atrasada. Os outros 55% estão com essas obrigações em dia. Dívidas atrasadas com cartão de crédito foram citadas por 25% dos entrevistados. Conta de luz em atraso, por 22%. De água, por 16%.

O cartão é historicamente a modalidade de crédito bancário com maior nível de inadimplência. Já a conta de energia elétrica subiu 21% nos 12 meses encerrados em agosto, mais que o dobro do índice de inflação ao consumidor (IPCA), em quase 10%. Em grande parte, por conta do acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras, para compensar a falta de geração hidrelétrica provocada pelo baixo nível dos reservatórios do país.

Outras despesas incluídas no questionário aparecem com os seguintes percentuais: aluguel ou prestação de imóvel, 11%; gás, 8%; mensalidade de escola ou faculdade, 6%; prestação de automóvel ou motocicleta, também 6%; plano de saúde, 5%.

Segundo a pesquisa, as mulheres (49%) estão mais endividadas que os homens (40%), e os pretos (53%) mais que os brancos (35%).

Também se destaca o percentual de inadimplentes entre desempregados à procura de emprego (62%), assalariados sem registro (50%), pessoas de 25 a 44 anos (53%) e aquelas com renda de até dois salários mínimos (54%). Por região, a taxa mais alta está no Norte/Centro-Oeste (53%), seguido por Nordeste (48%), Sudeste (42%) e Sul (36%).

Contas básicas

De acordo com a Serasa, a inadimplência em contas básicas, como energia, água e gás, representa 22% do total de débitos em maio. Além da alta de energia, o brasileiro também enfrenta aumento dos juros bancários, encarecimento de outras contas de consumo, alta de gás e combustíveis e reajustes de planos de saúde e de aluguéis.

Isso tem contribuído para aumentar o custo de vida, o que afeta a popularidade do governo federal e gera reações por parte do Congresso, como mostra proposta para mudar a correção dos aluguéis e para subsidiar a compra de botijão de gás para famílias de baixa renda.

No caso do aluguel, o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), referência para o reajuste de contratos de locação, acumulou avanço de 31,12% em 12 meses até agosto.

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