Política | Eleições 2022

"Nunca me vi incluído entre os candidatos do governo"

Abrindo a série de entrevistas de O Estado com os pré-candidatos ao governo, Josimar de Maranhãozinho reafirmou sua pré-candidatura sem apoio do Leões
Carla Lima/Editora de Política18/09/2021
"Nunca me vi incluído entre os candidatos do governo"Josimar de Maranhãozinho já busca diálogo com outros partidos e lideranças para formar chapa majoritária (Divulgação)

O Estado inicia neste fim de semana uma série de entrevista com os pré-candidatos ao governo do Maranhão que declararam que disputarão o comando do Palácio dos Leões em 2022. Assim, os nomes entrevistados serão Josimar de Maranhãozinho (PL), Weverton Rocha (PDT), Edivaldo Júnior (PSD), Lahésio Bonfim (PSL), Simplício Araújo (SD) e Carlos Brandão (PSDB).

O primeiro entrevistado é o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que diz não ter plano B nas eleições do próximo ano e que já conversa para a formação de uma chapa majoritária, cujo cabeça será ele mesmo.

Maranhãozinho garantiu que o seu partido e as legendas aliadas desembarcarão da base de apoio ao governo estadual e que manterá sua pré-campanha mesmo após ser alvo de representação do Ministério Público Eleitoral por propaganda antecipada. Falou sobre a busca de apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ainda sobre a Operação da Polícia Federal que teve ele como alvo neste ano.

O senhor reafirmou que será candidato ao governo do Maranhão. O senhor está aberto para mudar este seu plano e compor com outro nome que disputará o governo do Estado?

O diálogo está aberto sim aos partidos políticos que quiserem agregar com o nosso projeto de disputar para governador. Não há possibilidade de nós desistirmos de nossa candidatura.

Nos bastidores, fala-se que o senhor tem sido procurado por outros pré-candidatos, a exemplo dos nomes ligados ao Palácio dos Leões. Há realmente conversas para o senhor compor com outro pré-candidato?

Antes de ser tomada a decisão [pela candidatura própria], tivemos diversas reuniões. Eu ouvi muito porque era o momento de ouvir. Agora não, estamos no momento de agir. Eu nunca me vi incluído entre um dos candidatos do governo e eu não poderia me enganar com isto e, por isso, que não assinei a carta. Hoje, digo com clareza que nossa candidatura é real e tem pego corpo porque chamei o grupo e todos estão unidos. Nós reunimos todos os prefeitos aliados e vamos reunir mais de 700 vereadores para explicar para a classe política o momento atual e os motivos pelos quais decidir disputar o governo estadual sem precisar olhar para trás.

Fazendo uma comparação com os nomes que estão aí colocados na disputa até o momento, o senhor acredita que consegue se destacar entre os pré-candidatos? Qual será sua bandeira?

Nós temos hoje muito trabalho e um grupo político, que é muito importante porque eles estão em diversas regiões levando nosso nome e tudo o que já trabalhamos em prol da população via política, via o mandato concedido pelo povo nas urnas. Claro que a gente precisa de bons profissionais de marketing para fazer uma boa campanha para levar aos eleitores o que já fizemos e o que pretendemos fazer chegando no governo. Nossa bandeira sempre será o trabalho.

O senhor, confirmando sua candidatura, vai ser adversário do candidato do Palácio dos Leões. Quando isto acontecer, o senhor e suas lideranças na Assembleia Legislativa, por exemplo, deixam o grupo do governador Flávio Dino?

Os novos aliados na Assembleia Legislativa, hoje, não devem nada ao governo porque nem emendas parlamentares eles estão recebendo. Dizemos que estamos na base do governo, mas isto não vai demorar muito. O que digo para nossos aliados, sempre falo com os deputados, prefeitos e outras lideranças, é que eu quero que eles sejam comigo o que eu fui para eles nas eleições deles: eu não tive dois lados, não tive dois palanques, sempre estive com eles e fui junto com eles até o fim. Ou seja, quero que eles tenham a mesma personalidade política que tive a favor dele e o que quero agora é que eles tenham também comigo. Se tiver – e acho que deve haver – rompimento com o governo, todos nós devemos estar preparados para isto. Assim que Flávio Dino decidir pelo Brandão, nós sabemos que vamos para lutar com nossa campanha sabendo que estaremos do lado contrário do governo.

O caminho é para o rompimento com o governador Flávio Dino. Então, quando isto acontecer, como será a posição do seu grupo? Vocês serão oposição?

Nós vamos tomar posições e defender nossa bandeira que vamos colocar na rua com nossa proposta de governo e sabemos que isto vai de encontro a algumas ações do governo que hoje existem. Nós vamos ficar contra, divergir porque tem muitas ações que discordamos. Mas, claro, se alguma circunstância, algum projeto for bom para a população, nós vamos votar a favor mesmo.

E sobre composição de uma futura chapa, o senhor tem conversado, buscado outros partidos?

Já almocei com o senador Roberto Rocha com quem discuti sobre a possibilidade dele buscar a recondução dele para o Senado como também conversei com o deputado Hildo Rocha e venho buscando conversar com outros presidentes de partidos para nossa campanha cada dia ganhar mais corpo e também para a formação de uma chapa forte. Mas, claro que toda as conversas estão no início porque acabamos de lançar de fato nossa pré-candidatura. Precisamos de até novembro e dezembro para ter noção da desenvoltura do nosso trabalho, da nossa pré-candidatura após percorrer todo o Maranhão. Na verdade, tenho dito que agora podemos trabalhar com a realidade política em que competiremos. O Senado enterrou a possibilidade da volta das coligações e, com isto, os partidos precisarão buscar nomes fortes para entrar nas disputas proporcionais.

O senhor quer o apoio do presidente Jair Bolsonaro? O senhor acredita ser possível? Ter o Roberto Rocha como aliado ajudaria?

Na última reunião que tivemos com o presidente Bolsonaro, a gente avançou bastante na questão política. Mas, esta conversa não ocorreu por meio do senador Roberto Rocha. Foi por meio da bancada evangélica e do deputado Pastor Gil que tem a identidade com o presidente. Sei que avançamos muito, mas não concretizado ainda.

Com esta decisão do Senado, como o senhor pensa em reorganizar os partidos ligados a seu senhor como o Patriota e o Avante que são legendas menores considerando também o fator as cláusulas de desempenho?

O PL é o melhor partido de estrutura de candidatos de deputados estaduais e federais. Já temos um grupo que passa de 30 futuros candidatos. O que nós vamos buscar é recompor um pouco mais os nomes do Patriota, que já temos bons nomes, e começar a montar o Avante. Já temos nomes que já estamos conversando. Mas não avançamos mais neste debate porque estávamos esperando as definições para o pleito do próximo ano. Tivemos discussão de volta das coligações, de adotar o Distritão, enfim, vamos retomar as conversas com o cenário real até porque não podemos entrar num jogo sem saber quais as regras.

O senhor foi representado pela PRE devido ao evento que o senhor fez reunindo os prefeitos de seu partido. O senhor é acusado de propaganda eleitoral antecipada. Mas, mesmo assim, o senhor vai realizar um novo evento, desta vez reunindo centenas de vereadores. Isto não pode parecer uma afronta ao Ministério Público Eleitoral?

Eu não vejo que um evento feito na minha residência com 56 prefeitos, 38 vice-prefeitos e outros aliados, com pessoas dos partidos aliados possa ser considerado propaganda eleitoral antecipada. Nós estamos seguindo a lei dentro do que a legislação permite ser feito. Na pré-campanha, você não pode pedir voto, não pode ter um número de seu partido, você não pode dizer que é candidato. O que fizemos foi dizer que somos pré-candidatos. Claro que o Ministério Público pode questionar, mas estamos prontos para argumentar mostrando que o que houve ali foi um evento partidário reservado.

O senhor foi alvo de operação da Polícia Federal com suspeita de desvio de emendas parlamentares. O senhor acredita que este fato pode atrapalhar sua futura candidatura?

Sobre a operação, eu fui pego de surpresa, mas que eu tenho certeza que está se finalizando. E nós vamos mostrar que sou deputado federal e não tenho gestão das emendas que direcionamos às prefeituras. Agora, já pedimos, por meio do meu gabinete, informação a todas as prefeituras que receberam emendas nossas. O que questionam é por que todas as minhas emendas foram liberadas e explico. Todos os deputados federais têm R$ 16 milhões em emendas parlamentares e eu, lá no passado, em 2019, acertei no direcionamento das emendas. Todas elas eu direcionei para a área da Saúde. Aí veio a pandemia e o governo Bolsonaro resolveu liberar todas as emendas da Saúde em sua totalidade. E mais: a gente, no momento certo, dará a resposta. Esta não é a primeira vez que sofro perseguições, sou acusado. Já provei que sou inocente. Eu sou uma pessoa que cresci na política sozinho. Não tenho famílias com forças políticas para ter proteção.

Eu ouvi muito porque era o momento de ouvir. Agora não, estamos no momento de agir. Nunca me vi incluído entre um dos candidatos do governo e eu não poderia me enganar com isto e, por isso, que não assinei a cartaJosimar de Maranhãozinho

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