Cidades | Depressão

Setembro Amarelo: Atenção com a saúde mental das crianças e adolescentes

Especialista destaca a importância da observação familiar, da empatia e da acolhida dos sentimentos
15/09/2021 às 16h24
Setembro Amarelo: Atenção com a saúde mental das crianças e adolescentes. (Divulgação)

São Luís - A pandemia impactou diretamente a saúde mental das crianças e adolescentes, que tiveram suas rotinas alteradas. Foram atingidos pela tristeza, ansiedade, baixa autoestima, falta de perspectiva, frustrações e outras questões que afetam sua saúde mental. Neste mês da campanha de prevenção ao suicídio, “Setembro Amarelo”, é importante também ter atenção com os sentimentos e o comportamento dos pequenos e jovens.

De acordo com um novo trabalho, publicado no periódico JAMA Pediatrics, pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, avaliaram dados de 29 estudos com crianças e adolescentes em diversos países e chegaram a alguns números alarmantes: um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade.

A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia de uma faculdade particular de São Luís, Fernanda Zeidan, explica que a pandemia desencadeou muitas emoções nas crianças e adolescentes. “O isolamento físico trouxe várias limitações, o que gerou novos formatos de sociabilidade, com isso, impactou nas relações de forma diferenciada, trazendo a necessidade de novas acomodações, em alguns casos trouxe como consequência para as crianças e adolescentes o medo e a tristeza”, pontua.

Em relação à tristeza, a especialista conta que é uma resposta emocional mais automática para frustração e já se encontra presente nos pequenos. “É importante acolher esse sentimento da criança e adolescente, ter empatia. Alguns adultos podem pensar que não há tristeza, pois tem a imagem da criança como símbolo de alegria. A tristeza ocasionada pela pandemia foi provocada no afastamento das crianças das brincadeiras, do contato com seus colegas da escola, de uma vida mais ativa e social”, detalha.

Outro cuidado que deve ser tomado é com o uso excessivo dos recursos tecnológicos, como celular, tablet, computadores, pois podem causar prejuízo à saúde mental. “Se contratos forem estabelecidos junto aos pais e responsáveis com a criança o tempo à frente dos aparatos podem ser benéficos. Caso contrário, criança e adolescente não compreenderão a noção de limites nesse ambiente, além de ter atenção com os conteúdos tóxicos que podem ser consumidos por eles, podendo afetar a saúde mental”, reforça.

Observação familiar
Como perceber que uma criança e um adolescente estão com a saúde mental afetada? Quais os sinais? A especialista fala que é importante observar a mudança de comportamento do filho e analisar como está o nível de relacionamento social dessa criança ou adolescente. “Ele gosta de ficar sozinho, não busca muita interação, ou se sente, à vontade na companhia de outras pessoas? Atenção com o sono, dorme muito ou dorme pouco, apresenta apatia, tristeza ou agitação”, destaca.

Os adolescentes que apresentam algum tipo de transtorno costumam ficar mais introspectivos, afastando-se dos seus grupos sociais e apresentando também alteração no apetite, comendo pouco ou mais vezes ao dia. Na escola, eles costumam apresentar um baixo rendimento escolar, porque ficam com uma baixa concentração, dificuldade de memória e um distanciamento reflexivo maior, acarretando baixa motivação para os estudos.

Empatia e apoio
Para ajudar as crianças e adolescentes que estão com a saúde mental afetada, a especialista destaca alguns pontos como a empatia e o amparo. É importante pais e familiares auxiliarem as crianças quanto os adolescentes a nomear de fato e verbalizar o que eles estão sentindo. “Oferecer a escuta, acolher, aproximar essa criança e deixá-la se sentir segura”, orienta.

Para os adolescentes, que estão em processo de construção da sua própria identidade, é preciso dar espaço para apresentarem os sentimentos e pensamentos que têm a respeito de determinado tema, assunto ou situação. A psicóloga recomenda, também, encaminhar a criança ou adolescente diretamente ao especialista em saúde mental para uma avaliação.

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