Especial | Memória

As faces de SL: pessoas que marcam o cotidiano da cidade

Personagens que marcam a memória de quem conhece a capital maranhense
Bruna Castelo Branco/Editora do Alternativo08/09/2021
"Seu" Campos Neves

São Luís - “Consertam-se bolsas, sapatos e malas”. Quem nunca precisou fazer alguns reparos e se dirigiu para o centro de São Luís. Ali, atrás da Igreja de São João, em uma pequena loja, o “Seu” Campos Neves mantém o ofício começado em 1979, que já passou por alguns outros pontos do centro da capital, como na Rua Cândido Ribeiro e Antônio Rayol e, no atual espaço tem mais de 20 anos e conta com uma clientela fiel, passando por várias gerações. “Eu comecei trabalhando como ajudante, depois eu passei para cá e trabalho por minha conta”, diz ele que criou oito filhos com a atividade.

Para ele, a sua relação com a cidade é marcada por boas lembranças. “Eu vivo aqui e trabalho aqui, tenho meus clientes e me sinto muito bem aqui na cidade. Fiz muitas amizades, muitos clientes que me procuram e eu estou sempre por aqui para atender”, conta.

Assim como a loja de reparos do “seu” Campos Neves, a cidade é marcada por diversos personagens importantes, para quem habita São Luís. São pessoas que, com sua força de trabalho, criatividade tornaram-se reconhecidas e até referências culturais na cidade. Neste aniversário de 409 anos de São Luís, O Estado percorreu as ruas e conversou com algumas pessoas que, como todos os habitantes, ajudam a construir a alma da cidade.

O Corinthiano e a cachaça afrodisíaca

A cachaça afrodisíaca do Corinthiano

No Mercado das Tulhas, no Centro Histórico, outra personalidade bastante conhecida chama muita atenção do público. Raimundo Costa, conhecido como Corinthiano, aos 74 anos, tem sua loja como uma referência da cultura local. Sucesso com suas cachaças temperadas com ervas afrodisíaca e nomes exóticos, como fogozão, fogozada, fogozinha, agoniada o “Corinthiano”, já faz parte da memória coletiva da cidade.

Há 32 anos no mesmo ponto no Mercado das Tulhas, ele lembra que começou a frequentar o espaço desde os 12 anos de idade e hoje sua loja é um local que atrai ludovicenses e turistas que ficam curiosos para conhecer a cachaça que ele também oferece degustação. “É algo que passou de pai para filho, eu vinha aos 12 anos trazer o almoço do meu pai e ia para o colégio, depois fiquei trabalhando com ele. Como a maior referência de cachaça era a tiquira, eu decidi complementar com ervas e frutas afrodisiacas. Ao beber serve para que você se torne mais namorador. Depois de algumas doses, você vai sentir um calorzinho e procura a pessoa amada. Eu resolvi dá isso como minha contribuição para essa minha terra querida, amada. Eu costumo dizer que eu nasci aqui, vivo aqui e aqui eu quero morrer”, define

Para ele, o Mercado das Tulhas é uma feira diferenciada. “Ela recebe turistas nacionais e internacionais, a Casa das Tulhas é o coração do Centro Histórico, nós vendemos de tudo, o doce de espécie, o peixe seco. Essas coisas antigas a gente continua vendendo”.

O pregoeiro Bem Te Vi

O sorvete de Bem-te -Vi

“Esse é bacuri, coco e maracujá. Hoje é pra vender, amanhã era pra dar. Esse é bacuri da mata, nós sofre com o calor, vem tomar o teu sorvete, quem sabe passa o calor”. Quem passa pelas ruas do Centro Histórico, provavelmente já viu o pregoeiro Bem – Te- Vi (vendedor que usa o canto para atrair os clientes) e degustou um dos sorvetes tradicionais vendido por ele, em um isopor tradicional.

Antônio José Coelho, nasceu na cidade de São João Batista, mas trabalha como vendedor em São Luís há mais de 40 anos. “Quarenta anos já vendendo o sorvete, coco, bacuri, maracujá nessa cidade boa, bonita, acolhedora. São Luís significa tudo para mim, terra de gente trabalhadora e você é acolhido. São Luís é uma casa mesmo”, define, antes de voltar para as rimas sobre o sorvete, para atrair os clientes. “São Luís é terra boa. São Luís é meu lugar, 409 anos agora vai completar Na porta do Reviver tá vendendo teu sorvete, bacuri e maracujá”, improvisou nos versos em homenagem ao aniversário da cidade, enquanto atendia os turistas.

Francisco de Sena

O suco de laranja no Renascença

Em um semáforo da Avenida Colares Moreira é possível vê quase todos os dias, Francisco de Sena Rosa, 74 anos, com sua venda de sucos de laranja. Trabalho que ele desempenha há 22 anos sempre no mesmo local. Aposentado, ele decidiu vender os sucos para não ficar parado e acabou fazendo diversas amizades no local. “Eu tenho vontade de largar, mas só de amizade que eu tenho, isso me prende. Eu acho que Deus me quer aqui”.

Ele que não trabalha dia de domingo e segunda-feira chega cedo no local, às vezes, às 6h já começa a vender os sucos, segundo ele, nesse horário, já tem freguês. Na grande parte dos dias, ele volta para casa, a partir de 13h30.

Ele, que nasceu no Piauí, mora em São Luís há 58 anos, cidade que ele considera muito boa para se viver. “Para mim é bom demais, não posso falar. É onde estou trabalhando esse tempo todo, trabalhei em indústria aqui e aqui com os sucos, estou fazendo amigos há mais de 22 anos”, conta.

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