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Economia do Maranhão é uma das mais afetadas pela pandemia de Covid-19

Levantamento aponta que 76% das empresas sediadas no estado foram impactadas pela crise sanitária do coronavírus, na área de atuação da Sudene
Ribamar Cunha / Editor de Economia04/08/2021
Economia do Maranhão é uma das mais afetadas pela pandemia de Covid-19Comércio foi um dos setores da economia impactados pela crise, junto com a indústria e os serviços (Divulgação)

São Luís - Pesquisa encomendada pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) à Datamétrica Pesquisa e Consultoria Ltda, acerca dos efeitos da pandemia da covid-19 na área de atuação da Autarquia, revela que o impacto negativo foi mais sentido nas empresas sediadas nos estados do Maranhão (76%), Alagoas (76%) e Ceará (76%). De um modo geral, acentuou-se principalmente nos segmentos do comércio (75%), indústria (71%) e serviços (71%).

O levantamento, que ouviu cerca de 3.200 pessoas, entre os meses de janeiro e abril deste ano, na área de atuação da Sudene - Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, além de Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo - abordou diferentes aspectos, abrangendo os impactos financeiros das empresas, o mercado de atuação, processos organizacionais, a geração de empregos durante a pandemia e o acesso a programas de apoio governamentais.

Entre as empresas que reportaram queda nos lucros provocados pela pandemia, as maiores perdas foram informadas por Ceará (81%) e Maranhão (80%). Já em relação ao endividamento, 44% dos gestores das empresas afirmaram que as suas empresas sofreram impacto negativo devido à pandemia. Por outro lado, 43% das empresas não pioraram seu nível de endividamento e outras 11% diminuíram suas dívidas neste período.

Os resultados operacionais e financeiros das empresas nesse período de pandemia refletiram de imediato no emprego. Segundo a pesquisa, dentre os estabelecimentos entrevistados, 56% afirmaram que sofreram impacto negativo na geração de empregos devido à pandemia, tendo sido maior nas empresas de construção (66%) e naquelas sediadas no Maranhão (62%) e Sergipe (62%).

Acesso a programas de apoio

A pesquisa avaliou ainda o acesso das empresas a ações governamentais, sendo o mais acessado o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda com 41%. A adesão foi maior do que a média na indústria (43%) e menor entre as empresas da agropecuária (31%). Considerando as unidades da federação, a adesão foi maior dentre as empresas do Maranhão (46%) e menor dentre as empresas sediadas em Minas Gerais (30%).

Com relação ao programa de suspensão temporária do pagamento de FGTS, este foi acessado por 26% das empresas. A adesão foi maior entre as empresas do Espírito Santo (35%), Pernambuco e Maranhão com 31%, cada e foi menor nas empresas sediadas em Minas Gerais (16%).

A pesquisa verificou, portanto, que quem mais sofreu com os efeitos da pandemia foram as economias menores, os mercados menos estruturados e menos regulamentados, e os setores que dependem necessariamente do contato com o seu consumidor direto. E, de um modo geral, os estados mais dependentes destas atividades. Igualmente, os pequenos produtores, menos inseridos nas grandes cadeias produtivas, e o setor informal em geral, tiveram mais dificuldade de sobrevivência. O comércio de varejo, principalmente aquele voltado para bens não essenciais, também sentiu fortemente os impactos econômicos da pandemia. E, por fim, o turismo e toda a sua cadeia produtiva. Tudo isso abalou bastante as economias da região.

Saiba Mais

No caso específico do Maranhão, a pesquisa ouviu representantes da Secretaria de Estado da Fazenda, da Secretaria de Planejamento e Orçamento e da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão (SAGRIMA), além das federações do Comércio (Fecomércio) e da Indústria (Fiema), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Vários foram os depoimentos, conforme abaixo:

“Alguns setores ganharam com a crise, e não ganharam pouco, - e não foi só o setor farmacêutico -, e alguns setores perderam muito. Quem mais perdeu durante o período da crise, ao contrário do que se imagina, não foram os bares e restaurantes. Nós tivemos, por exemplo, alguns dados obtidos a partir dessas notas fiscais emitidas (...) nós tivemos no setor automobilístico, concessionárias de veículos, no auge da crise, perdendo 94% da receita. Tivemos bares e restaurantes perdendo 65% a 70% da receita porque se reinventaram com delivery, por isso não perderam tudo”.

“O setor público como um todo, ele foi fortemente afetado. De um lado pelas receitas a gente teve uma perda muito expressiva na arrecadação própria e também de transferência constitucional, a gente viu isso, o impacto muito grande em meados do ano passado que foi o ponto máximo de queda de arrecadação, principalmente no ICMS, e também as transferências constitucionais. Então, em relação à receita, o impacto foi grande neste sentido, apesar de ter havido um conjunto de medidas do governo federal para compensar essas perdas. E, em relação à despesa, a gente teve que fazer uma gestão sanitária mais fina no sentido de direcionar o orçamento e os recursos para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. Então, houve um crescimento expressivo nas despesas de custeio da saúde, além da assistência social, despesas relacionadas a incentivos econômicos e sociais principalmente. Então, houve uma reconfiguração, uma engenheira nas políticas públicas de modo a direcionar esforços para essas áreas de enfrentamento da covid”.

“O pequeno agricultor teve um impacto muito maior, principalmente aqueles que trabalham com a parte de feiras, aqueles que trabalham com locais onde foram suspensas as atividades, no início, principalmente, teve uma maior dificuldade. O médio e o grande, que trabalham em um outro formato de trabalho, acabaram não sofrendo tanto. A nossa produção de grãos não foi atingida na pandemia, mas a nossa produção, do pequeno produtor, teve um impacto muito significativo, tanto que alguns deles a gente teve que fazer algumas intervenções a nível de estado, como compra para distribuição em cestas básicas, andamos trabalhando com outras modalidades para manter o mercado aquecido.”

“Os setores que tiveram maior impacto foram os setores de serviço ligados aos bares e restaurantes e setor de hotelaria; e no setor de comércio, é o que a gente chama de mercadorias em geral, setor lojista, ou seja, setor ligado ao varejo de roupas, calçados, papelarias e afins”.

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