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Meninas afrodescendentes de comunidades de SL apresentam demandas ao Prefeito e ao Governo

Com o projeto "Menina Cidadã", meninas líderes da capital estão mobilizando dezenas de outras jovens em comunidades e escolas pela defesa de seus direitos
Com informações da Assessoria28/07/2021 às 09h59
Meninas afrodescendentes de comunidades de SL apresentam demandas ao Prefeito e ao GovernoMeninas líderes da capital estão mobilizando dezenas de outras jovens em comunidades e escolas pela defesa de seus direitos (Divulgação)

São Luís - O projeto Menina Cidadã, com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mobilizou mais de 250 meninas adolescentes e jovens multiplicadoras para incidência em políticas públicas e direitos humanos na macrorregião da Cidade Operária e Cidade Olímpica, em parceria com a Fundação Justiça e Paz se Abraçarão (FJPA) e o Centro de Defesa Pe. Marcos Passerini (CDMP).

O Menina Cidadã impacta centenas de jovens e adolescentes em processo de exclusão, empobrecimento e violência, cenários característicos de comunidades periféricas urbanas brasileiras. O projeto teve início em dezembro de 2020 a partir de iniciativas realizadas na macrorregião da Cidade Operária, tendo como objetivo a integração de coletivos juvenis de meninas, articulando suas lideranças femininas e fortalecendo suas habilidades para a vida e para terem maior poder de incidência nas políticas públicas.

Vinte meninas líderes têm engajado outros jovens e adolescentes na faixa etária entre 12 e 21 anos de grupos comunitários e escolas de cinco áreas na macrorregião da Cidade Operária, além do Itaqui-Bacanga, Vila Luizão, Cidade Operária, Coroadinho e a Área Rural. As meninas do projeto já são ativas mobilizadoras sociais nas suas comunidades e conciliam as atividades no projeto com seus estudos. Com essas múltiplas atividades nos bairros, o projeto ajuda a ampliar a possibilidade de que outras meninas ocupem esses mesmos lugares.

“Estamos avançando em apoiar meninas líderes nas comunidades de São Luís. Esse trabalho tem sido articulado com parceiros, numa busca pelo engajamento de escolas e coletivos comunitários. Centenas de crianças e adolescentes fazem parte desse processo e eles vão avançar ainda mais”, completa a chefe do escritório do UNICEF em São Luís, Ofélia Silva.

Em uma parceria entre o projeto Menina Cidadã e a Escola Superior do Ministério Público do Maranhão, foram realizadas oficinas para empoderar as meninas líderes das comunidades, esclarecendo sobre seus direitos à saúde, educação, igualdade racial e segurança. Com as oficinas, as meninas líderes decidiram produzir uma carta-demanda que lista todas as suas reinvindicações de melhorias nas suas comunidades e que será entregue, em agosto de 2021, ao Prefeito e à Câmara de Vereadores de São Luís, ao Procurador Geral de Justiça e ao Governador do Estado do Maranhão.

Na carta, após uma descrição clara sobre seus direitos e as fragilidades da vida nos seus bairros, as meninas relatam a falta de acesso às políticas públicas e demandam mudanças específicas para melhorar a qualidade de vida das famílias, crianças e adolescentes em suas comunidades. “Esse é o primeiro e mais importante resultado de um amadurecimento individual e coletivo de jovens cidadãos que qualquer iniciativa pode esperar conquistar: adolescentes expressando sua voz e falando sobre seus direitos aos tomadores de decisão”, explica Ofélia Silva, sobre a importância que a ONU dá ao empoderamento de adolescentes e jovens em todo o mundo.

“Temos trabalhado com as meninas em um cenário muito desafiador. Contudo, temos enfrentado esses obstáculos porque entendemos o quanto devemos caminhar. Agora que podemos trabalhar de forma híbrida temos retornado com algumas atividades e mantendo os protocolos de saúde. A Fundação Justiça e Paz se Abraçarão e o UNICEF estão comprometidos em fortalecer a liderança dessas meninas nas comunidades e isso é de grande importância”, disse a Executiva Social da Fundação Justiça e Paz se Abraçarão, Elivania Estrela.

Mais projetos estão ligados ao desenvolvimento de crianças e adolescentes dentro de suas comunidades na macrorregião da Cidade Operária e Cidade Olímpica. É o caso do Comunidade Que Protege, iniciativa que foca na promoção dos direitos de crianças e adolescentes, e no trabalho integrado dos serviços e equipamentos das políticas públicas de educação, assistência social e saúde para a redução dos impactos da violência e violações de direitos de crianças e adolescentes. Nesse projeto, o parceiro implementador é o Centro de Defesa Pe. Marcos Passerini (CDMP).

Metodologia do projeto

O primeiro passo do Menina Cidadã foi a aplicação de um questionário, que tinha como objetivo traçar um perfil de 200 meninas moradoras da macrorregião. Com os questionários aplicados, pôde-se partir para a preparação de oficinas e rodas de conversas. Tendo em vista o contexto da pandemia, decidiu-se pela utilização de plataformas on line para a realização das atividades de forma que se pudesse cumprir com o cronograma, mantendo um olhar atento às dificuldades enfrentadas por crianças e adolescentes no acesso as tecnologias.

Com maior segurança sanitária, pôde-se realizar atividades presenciais em forma hibrida que, além de tornar o projeto mais acessível à comunidade, serviu para fortalecer os vínculos entre as meninas mobilizadas.

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