Cidades | Mulheres são mais saudáveis?

Mulheres são a maioria na busca pela vacina contra a Covid-19

Conforme a Rede Nacional de Dados em Saúde, cerca de 400 mil mulheres se vacinaram em São Luís, enquanto uma média de 300 mil homens tomaram a 1ª dose; 59% dos óbitos no Maranhão são do sexo masculino
Bárbara Lauria / O Estado20/07/2021
Mulheres são a maioria na busca pela vacina contra a Covid-19Mulheres procuram mais a vacina contra a covid; mais de 400 mil que já receberam a 1ª dose na capital (Matheus Soares / O Estado)

São Luís – Informações levantadas pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, apontam que as mulheres têm sido as que mais procuram pela vacinação contra a Covid-19 em São Luís. Até o último sábado, 17, de acordo com os dados levantados, mais de 400 mil mulheres já haviam recebido a primeira dose, na capital maranhense, enquanto o número de homens que procuram pela imunização foi cerca de 300 mil.

Os dados ainda mostram que, dessas mulheres, 18% já tomaram a segunda dose da vacina, enquanto apenas 15% dos homens completaram o ciclo de imunização.

Luciane Monteiro, de 51 anos, completou o ciclo de vacinação contra Covid-19 na capital maranhense. Ela tomou a segunda dose na manhã desta segunda-feira, 19, e conta que sempre teve a preocupação de se imunizar, mesmo conhecendo pessoas que tivessem relutância com a vacinação. “Sempre tive essa preocupação de me imunizar, estava ansiosa para completar esse ciclo. Nós sempre vemos pessoas com medo, dizendo que não acreditam na vacina, mas com o tempo e a medida que as coisas vão avançando, essas ideias vão passando”, conta.

Em relação ao Maranhão, os dados são similares e as mulheres continuam sendo as que mais procuram pela vacinação. Cerca de 1 milhão e 900 mil mulheres já receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, e 22% receberam a segunda dose. Já os homens, uma média de 1 milhão e 500 mil receberam pelo menos uma dose, e 21,4% desses completaram o ciclo de imunização.

Ainda de acordo com os boletins da Secretaria de Estado da Saúde, apesar das mulheres serem a maioria das contaminadas no Maranhão (56% dos casos confirmados no Estado), os homens representam 59% dos óbitos ocasionados pelo vírus no estado. Ou seja, desde o início da pandemia até o último domingo, 18, 5.603 homens morreram no Maranhão.

Por que homens morrem mais?
Durante o ano de 2020 alguns estudos foram iniciados pelo mundo para entender o porquê de os homens serem o maior número de óbitos por Covid-19, quando a possibilidade de contágio é a mesma entre homens e mulheres. De acordo com informações coletadas até novembro do último ano pela plataforma Global Health 50/50, um banco de dados internacional voltado à igualdade de gênero na saúde, 57,2% dos 36.805 que morreram pela Covid-19 na Itália eram do sexo masculino. Os dados da Global Health 50/50, no entanto, sugerem taxas de infecção semelhantes em pessoas de ambos os sexos.

No maranhão, 56% dos casos confirmados foram mulheres, enquanto 44% dos casos foram homens. No entanto, 59% dos óbitos foram homens. Essa alta contaminação em mulheres é explicada por, a partir do início da idade adulta, as mulheres começarem a ser maioria na sociedade e passarem a viver mais do que os homens. A expectativa de vida para elas é, em média, de seis a oito anos maior.

Já em relação aos óbitos, especialistas explicam que podem ser ocasionadas tanto por um motivo social quanto por questões genéticas. Em geral, homens costumam a apresentar mais doenças crônicas como diabetes e hipertensão e aderem menos ao tratamento delas. Eles também são mais reticentes no autocuidado, além de fumarem e beberem mais, fatores que podem intensificar os sintomas da Covid-19.

Outro fator também está relacionado a genética das mulheres que, de acordo com cientistas, respondem melhor ao combate de doenças do que homens. Imunologistas da Universidade de Yale (EUA), em um artigo publicado na Science, falam que o estrogênio —um hormônio feminino— regula o funcionamento de muitos tipos de células do sistema imunológico. Uma das formas desse hormônio contribui para diminuir os níveis de proteínas inflamatórias. O estrogênio também aumenta a produção de ACE2, a proteína da superfície celular que o coronavírus usa como porta de entrada para nossas células. Além disso, o estrogênio já foi relacionado ao menor índice de doenças cardiovasculares observado nesse público.

Principalmente por interagir com células do sistema imune, o estrogênio será testado contra o coronavírus em uma pesquisa que vai envolver um grupo da Universidade Federal de São Paulo.

Saiba Mais

Mais de 400 mil mulheres tomaram pelo menos uma dose da vacina em São Luís

  • Mais de 300 mil homens tomaram pelo menos uma dose da vacina em São Luís;
  • 18% das mulheres da capital já tomaram a segunda dose;
  • 15% dos homens da capital tomaram a segunda dose;
  • 59% dos óbitos no Maranhão foram homens;
  • 56% dos casos confirmados no Estado foram mulheres.

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