CPI da Pandemia

Sachsida admite que sugeriu ''imunidade de rebanho'' a Guedes

Secretário de Política Econômica do Ministério da Economia diz que não consultou a pasta da Saúde

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h16
Imunização de rebanho foi tratado com Paulo Guedes sem aval do Ministério da Saúde
Imunização de rebanho foi tratado com Paulo Guedes sem aval do Ministério da Saúde (Paulo Guedes)

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, confirmou que não consultou o Ministério da Saúde ao defender a tese de "imunidade de rebanho", segundo a qual o aumento no número de casos de infectados por coronavírus agilizaria a imunização. A ideia tem ineficácia comprovada e contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS).

À Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado, Sachsida disse que "não houve qualquer comunicação e/ou troca de documentos do Ministério da Saúde (MS) com a SPE (Secretaria de Política Econômica" sobre a ideia.

Ao tentar justificar a sugestão, o secretário do ministro Paulo Guedes citou dois estudos não revisados, ou seja, sem nenhum tipo de checagem por pares da comunidade científica.

"Dois estudos, um da Universidade de São Paulo e outro da Universidade Federal de Pelotas, apontavam para a desaceleração da epidemia no Brasil, com base na análise da presença elevada de anticorpos na população em função de taxas de infecção altas e possivelmente pela presença de imunidade pré-existente (imunidade "natural" ou cruzada)", respondeu o secretário à comissão.

Em novembro do ano passado, Sachsida afirmou que "vários estados já atingiram ou estão próximos de atingir imunidade de rebanho" e que acha "baixíssima a probabilidade de segunda onda". Hoje o Brasil tem mais de 533 mil mortos por coronavírus.

Na opinião de Sachsida, que é o responsável pelas projeções do ministério comandado por Paulo Guedes, isso ocorreria quando 20% da população de um Estado é infectada pelo vírus. A OMS, porém, já declarou que essa imunidade comunitária só seria atingida com 65% da população infectada e que isso não seria a "salvação da pandemia". Em outubro, um grupo de 80 pesquisadores alertou, em carta à revista The Lancet, que abordagens sobre imunidade de rebanho para manejo da covid-19 é uma "falácia perigosa" e "não tem apoio de evidência científica".

No dia 1º de junho, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que a pasta cometeu "um engano" ao não prever a continuidade da pandemia após 2020. Há um mês, o Ministério da Economia afirmou à CPI da Covid, por meio de ofício, que não destinou recursos específicos para o combate à pandemia no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2021 porque "não se vislumbrou a continuidade bem como o recrudescimento da pandemia da covid-19 no patamar atingido em 2021". "Achávamos que a pandemia estava acabando não por má-fé, foi um engano", afirmou.

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