Cidades | Sem bandeirinhas

Dois anos sem festas e venda de produtos de São João tem queda de 90%

Este ano representou queda maior do que 2020 no comércio, para venda de fogos de artifícios e decorações de festas juninas; comerciantes já pensam no próximo ano
Bárbara Lauria / O Estado22/06/2021
Dois anos sem festas e venda de produtos de São João tem queda de 90%Produtos para o período junino não estão com boas vendas este ano; queda começou em 2020, com pandemia (Divulgação/Matheus Soares)

São Luís - Com o segundo ano de pandemia da Covid-19 e medidas de isolamento social, o Maranhão não teve novamente suas tradicionais festas juninas. Além de deixar saudade naqueles que amam brincar e comemorar a tradição, a suspensão dos eventos tem causado impacto, principalmente, no comércio de fogos de artifício e decorações para esta época do ano.

No bairro do João do Paulo, em São Luís, local onde acontece uma das mais tradicionais festas juninas do estado, a festa de São Marçal, considerada o encerramento das festividades ndo período de forma oficial, os comerciantes contam que em anos anteriores, vendedores ambulantes já estavam em suas portas desde o início da manhã para adquirir fogos para revenda, como bombinhas e estalinhos, mas que neste ano, as lojas estão vazias, devido a suspensão de festas no estado.

“No ano passado foi melhor que neste ano. Não sei bem o que aconteceu, talvez porque no último ano as pessoas tinham acabado de sair de um lockdown e estarem mais empolgadas em comemorar. Mas não estamos parados, estamos vendendo mais para famílias que querem celebrar o período junino em casa, porém, as vendas não estão como deveriam”, conta José Carlos, comerciante e dono de loja de fogos de artifício há 18 anos. Ele frisa que suas vendas caíram cerca de 50% em relação ao ano de 2019. Em 2020, a queda foi de 40%.

Dica Gomes, gerente de uma loja de artifícios para festas juninas, que está no mercado ha 20 anos, diz que a queda nas vendas chegou a 90% e que são poucos os produtos que estão saindo. “Está tudo parado. Esta é uma época em que vendemos muito, todo mundo fazia decoração junina, mas neste ano as vendas caíram muito, não tem movimento. Quem procura agora é só quem produz alguma live ou então está organizando o São João dentro de casa”, relatou.

De acordo com os comerciantes, os artefatos que mais tem saído neste ano são decorações, bandeiras e balões para a casa, além de bombinhas, estalinhos e murrões, mais usados por crianças e jovens durante o festejo.

Esperança para o próximo ano
Com o avanço da vacinação no estado e, principalmente, na capital maranhense, a esperança para os comerciantes são de que no próximo ano tenha a reabertura das festas juninas e que as vendas possam superar e repor o que não foi levantado nestes dos anos de restrições e pandemia.

“A esperança é o que nos resta. E acredito que, com essa vacinação acelerada, no próximo ano a gente vá poder voltar com as comemorações e as vendas melhorem e até superem os anos de 2020 e 2021 juntos. Até mesmo nas festas de fim de ano já acho que as vendas de fogos de artifícios possam melhorar”, acredita José Carlos.

“Nós só podemos flexibilizar as medidas quando houver uma queda de casos. No momento vivemos uma estabilidade, então iremos manter as medidas restritivas”, disse o governador Flávio Dino, em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (18), a respeito das flexibilizações no estado.

Arraiá em casa
Apesar da suspensão de eventos, ainda há aqueles que não deixam o espírito junino morrer, e decidiram realizar seu próprio arraiá em casa. Esse é o caso de Alexandra Veracruz, farmacêutica, e Leonardo Júnior, engenheiro, que devido à saudade do São João, decidiram decorar sua casa e realizar um festejo para a família, seguindo os protocolos de segurança contra a Covid-19.

“O São João faz muita falta para gente, ainda mais que moramos no bairro do João Paulo e todos os anos temos as brincadeiras de bairro, por isso não deixamos de celebrar em casa. Compramos decorações, bandeiras, chapéus para usarmos e bombinhas para as crianças poderem se divertir também. Sinto muita falta então acho importante continuarmos celebrando as festas juninas, mas claro, com todos os cuidados”, contou Alexandra, enquanto escolhia as bandeiras para manter o espirito junino em sua casa.

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