Cidades | Após 15 meses

Maranhão ultrapassa registro de 300 mil casos de Covid-19

Plataforma Farol do Covid alerta que a cada 10 pessoas contaminadas, 9 não são diagnosticadas; famílias relatam a perda de parentes e o medo da doença
Bárbara Lauria / O Estado12/06/2021 às 00h00
Maranhão ultrapassa registro de 300 mil casos de Covid-19Testagem de covid é realizada no Terminal de Integração da Praia Grande, no centro da capital maranhense (Divulgação/Matheus Soares)

São Luís – Após 15 meses de pandemia, o Maranhão ultrapassou, na última sexta-feira, 11, 300 mil casos de Covid-19 registrados pela Secretária de Estado da Saúde (SES), chegando a marca de 300211 casos. A doença, que voltou a ter alta na contaminação, causou o aumento na ocupação dos leitos hospitalares e ocasionou a morte de 8.434 pessoas, que, além de números, eram mães, pais, filhos e irmãos.

Idulina Diniz foi uma das vítimas da doença. Com 82 anos, ela já havia tomado as duas doses da vacina CoronaVac quando descobriu que estava contaminada. É o que conta sua filha, Cláudia Diniz, enfermeira, que está vivendo o luto pela perda da mãe. “Minha mãe tomou a segunda dose da vacina dia 9 de abril. Em maio, ela caiu e começou a sentir muitas dores e calafrios e, no dia 28, decidimos levá-la ao hospital. Eu nunca ia imaginar que as dores não eram da queda, mas sim Covid-19. No mesmo dia, ela foi internada com 80% do pulmão tomado. Fiquei com ela até o momento da entubação. Queria mostrar que ela não estava sozinha, que ela era forte”, contou.

Ela, assim como muitos contaminados pelo vírus, veio a óbito no dia 1º de junho. “Minha mãe era forte. Ela tinha comorbidades, mas se cuidava. Sempre lutou, me ensinou a batalhar desde pequena e sempre foi muito alegre e sorridente. É assim que eu quero lembrar dela, sempre alegre, cuidando do seu cachorro que está comigo agora, sempre feliz. E lembrar a todos que vacinaram que continuem se cuidando”, desabafou Cláudia.

O uso de máscaras e a continuação dos protocolos de segurança, de acordo com especialistas, são essenciais para evitar a propagação do vírus, mesmo depois da imunização. Isso porque é necessário espera pelo menos 15 dias após a aplicação da segunda dose para estar protegido, e, segundo o Instituto Butantan, mesmo a pessoa estando imunizada, não se sabe se ela é capaz de transmitir o vírus. “Precisamos continuar tendo todos os cuidados. A pandemia ainda não acabou e todo cuidado é pouco”, disse o epidemiologista Antônio Augusto Moura.

Subnotificações
Outro ponto preocupante da disseminação da doença no estado é a subnotifcação dos casos. De acordo com a plataforma Farol Covid, a cada 10 casos da doença do estado, nove não foram notificados.

Yngrid Karinne Coelho, 19 anos, e sua família, estão dentro dos possíveis casos não notificados nos boletins de saúde. Após ter contato direto com um parente contaminado, a jovem passou mal e teve todos os sintomas da doença, mas nunca fez testes.

“Meu primo sempre vinha aqui no início da pandemia e uma das vezes, após sair daqui, ele fez o teste e deu positivo. Em alguns dias eu estava com sintomas, sentia falta de ar e não sentia gosto dos alimentos. O mesmo aconteceu com meu pai. Como o do meu primo já havia dado positivo não vimos necessidade de ir testar e tratamos em casa. Até hoje sinto algumas sequelas e não sinto o gosto de algumas comidas”, relatou a jovem.

Desde o dia 26 do mês passado, a Prefeitura de São Luís começou a realizar o teste de Covid-19 em massa na cidade e, mais de 2 mil pessoas já foram submetidas ao exame. A ação é executada pela equipe da Secretaria Municipal da Saúde (Semus) e íntegra as estratégias no combate à pandemia. Em caso positivo, o paciente é encaminhado para o Laboratório Central de São Luís (Lacem) e para a Unidade Mista do Bequimão para que realize o teste RT-PCR, neste caso, considerado padrão para os casos de Covid-19.

Os testes estão sendo ofertados nos terminais da Praia Grande e do Distrito Industrial, nos Centros Municipais de Atendimento às Síndromes Gripais Leves (Clodomir Pinheiro Costa, no Anjo da Guarda, Centro de Saúde José Carlos Macieira, na Avenida dos Africanos e Centro de Saúde Genésio Ramos Filho no conjunto Cohab/Anil) e nas unidades Centro de Saúde Amar, na Rua Deputado Luís Rocha, na Vicente Fialho, o Centro de Saúde Olímpica I, o Centro de Saúde Fabiciana Moraes, do São Cristóvão e o Centro de Saúde Laura Vasconcelos. Os locais atendem das 9h às 17h.

Platô
De acordo com o relatório semanal do observatório da Covid-19 da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o estado permanece no platô e no limite da saturação dos leitos de UTI. “Estamos no platô, ou seja, atingimos um dos pontos mais altos da epidemia, e os casos estão mais ou menos estáveis”, explicou Antônio Augusto, por meio de suas redes sociais.

De acordo com o boletim da última quinta-feira, 11, o Maranhão já possuía 28.553 casos ativos e uma ocupação de 96,77% dos leitos de UTI e 93,80% dos leitos de enfermaria apenas na Grande Ilha. Em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira, 11, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), prorrogou as medidas sanitárias de combate ao coronavírus mais uma vez, agora o regime vai durar até o dia 21 de junho.

O decreto vigente diz, que o comércio e a indústria podem funcionar de 9h às 21h, já bares e restaurantes, até as 23h. Supermercados das 6h à 0h. Além dos supermercados, academias, salões, bares e restaurantes estão autorizados a funcionar, todos com apenas 50% da capacidade total.

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