Cidades | Carteira de vacinação

Baixa cobertura vacinal atinge imunizantes que são de rotina, na capital

Além da importante aquisição da vacina contra a Covid-19, outros imunizantes ofertados na rede pública devem ser acessados; vacinação contra a influenza está com baixa cobertura
Thiago Bastos / O Estado 12/06/2021
Vacinação contra a influenza terá Dia D neste sábado, em São Luís, com atendimento em postos

São Luís - O Brasil registra um dos planos de imunização considerados mais complexos do mundo. Liderado pelo Ministério da Saúde (MS) a execução da primeira campanha de vacinação no país é datada de 1804, com o combate à contaminação da varíola.

Atualmente, o país é considerado referência na execução de políticas de aplicação de doses e construção de logística de campanhas. No caso da campanha da Covid-19, por exemplo, especialistas apontam que o problema da lentidão da vacina não era a mão-de-obra executora, e sim a ausência da oferta de imunizantes.

No entanto, O Estado aproveita a onda e a procura frenética – influenciada pela “corrida” lançada por gestores públicos pelo protagonismo da campanha – para alertar acerca da importância para aplicação de doses para outras doenças. Todas incluídas na rotina vacinal devido ao Plano Nacional de Imunização que, em 2020, completou cinco décadas.

De acordo com o que preconiza o próprio Ministério da Saúde (MS), em seu site oficial, “a imunização é de extrema importância para evitar óbitos e sequelas causadas por doenças imunopreveníveis como surdez, cegueira, paralisia, problemas neurológicos”. Segundo o MS, atualmente 18 vacinas são oferecidas às crianças e adolescentes conforme o Calendário Nacional de Vacinação brasileiro.

A BCG, por exemplo, é uma vacina que vacina protege contra formas graves de tuberculose e composta por uma bactéria viva atenuada e deve ser administrada uma dose única ao nascer. Já a Hepatite B imuniza contra a doença e, de acordo com o MS, deve ser administrada por via intramuscular, uma dose ao nascer ou o “mais precocemente possível”, nas primeiras 24 horas.

O rotavírus humano, cuja vacina também é preconizada pelo MS, protege contra a diarreia. De acordo com a pasta federal, deverão ser administradas “duas doses”, aos dois e quatro meses de idade, via oral.

A vacina contra a poliomielite é “administrada”, ainda de acordo com o MS, em três doses e é composta, neste caso, pelo vírus inativado dos tipos 1, 2 e 3 no combate à doença. A vacina contra a febre amarela protege contra a doença e deve ser administrada, por via subcutânea, com uma dose aos nove meses de vida e outra dose de reforço aos “quatro anos de idade”.

Além destas, outras vacinas são importantes, como a do HPV, que ainda está com baixa cobertura.

HPV e a baixa cobertura
Dados obtidos por O Estado com a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) apontam que a vacina HPV registrou queda de 28% na procura por jovens do sexo masculino durante a pandemia. De 33.335 pessoas vacinadas em 2019 para 23.760 imunizadas em 2020. A vacina HPV é considerada uma das mais importantes do ciclo de proteção vacinal, em especial para crianças e adolescentes.

Ainda sobre a vacinação HPV, a cobertura para o imunizante para o público do sexo feminino registrou índice inferior a 50%. No total, de acordo com dados da pasta, 268.891 pessoas ainda não foram vacinadas com o imunizante.

A vacina contra o HPV, ou papiloma vírus humano, é dada em forma de injeção e tem como função prevenir doenças causadas por este vírus, como lesões pré-cancerosas, câncer do colo do útero, vulva e vagina, ânus e verrugas genitais.

Influenza
Outra vacina que ainda registra baixa procura é a da influenza. Segundo a última atualização da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), foram vacinadas desde o começo da campanha, no dia 12 de abril deste ano, 112.320 pessoas contra a influenza, o que representa 31,7% da cobertura vacinal.

Nesta semana, O Estado percorreu alguns postos e constatou movimento variável. Alguns postos da região central apresentaram baixa procura. Outros, como o Centro de Saúde do Bairro de Fátima registraram grande volume de pessoas. “Vim vacinar hoje [sexta-feira, dia 11] e deveria ter vindo antes”, disse o motorista Janison Alencar, morador do São Francisco e motorista.

Pensando em acelerar estes índices, a pasta realiza neste sábado, 12, o Dia D da campanha de vacinação contra a influenza na capital maranhense. Estarão abertos neste dia 62 locais para a imunização da população.

Deverão procurar os locais de vacinação os integrantes das forças armadas, de segurança e salvamento, além das pessoas com comorbidades, com condições clínicas especiais ou com deficiência permanente, além de caminhoneiros.

Também estão contemplados, nesta fase, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário, trabalhadores portuários, funcionários do sistema de privação e liberdade, a população privada de liberdade e adolescentes em medidas socioeducativas. Todos os públicos deverão levar documento com foto, além da carteira de vacinação. Pessoas com comorbidades devem apresentar laudo médico específico e os que se enquadram em funções profissionais deverão apresentar, nos casos possíveis, documento comprobatório.

Pessoas que porventura chamadas em fases anteriores e que perderam o prazo, ou seja, crianças entre seis meses e menores de seis anos, gestantes e as puérperas após 45 dias de parto, trabalhadores da saúde (ativos e de instituições hospitalares), idosos com 60 anos ou mais e professores de escolas públicas e privadas também poderão se vacinar neste sábado. Idosos que perderam as datas anteriores procuraram as unidades nos últimos dias e se vacinaram contra a influenza.

Nesta terceira fase da campanha contra a influenza, a orientação acerca da vacina Covid-19 segue a mesma, ou seja, com base em preconização do Ministério da Saúde (MS). Neste caso, não se recomenda a aplicação das duas doses (influenza e Covid-19) de forma simultânea.

O secretário de Saúde de São Luís, Joel Nunes, enfatiza a importância da vacinação contra a influenza e de outras doenças. “É importante que as pessoas enquadradas nestes perfis listadas na terceira etapa procurem os postos e se vacinem. É fundamental ainda que as pessoas dos perfis já chamados pelo Município procurem os locais para a imunização”, disse.

Importância
A vacinação é uma das medidas mais importantes de prevenção contra doenças. Os imunizantes protegem o corpo humano contra os vírus e bactérias que provocam vários tipos de doenças graves, que podem afetar seriamente a saúde das pessoas e inclusive levá-las à morte.

A vacinação não apenas protege aqueles que recebem a vacina, mas também ajuda a comunidade como um todo. Além disso, algumas doenças que são prevenidas, em tese, por vacina podem ser erradicadas por completo, não causando mais doença em nenhum local do mundo. Até hoje, a varíola é a única já erradicada mundialmente e o último registro da doença no mundo é de 1977.

Vicenzo Costa Soares recebe dose da vacina contra Hepatite B, na perna

SAIBA MAIS

CALENDÁRIO BÁSICO DE VACINAÇÃO DA CRIANÇA

Ao nascer

  • BCG-ID
  • Hepatite B
2 meses

  • Pentavalente (1ªdose)
  • Poliomielite (1ªdose)
  • Pneumocócica conjugada - 1ª dose
  • Rotavírus 1ª dose
3 meses

  • Meningocócica C conjugada - 1ª dose
4 meses

  • Pentavalente 2ª dose (Tetravalente + Hepatite B 2ª dose)
  • Poliomielite 2ª dose
  • Pneumocócica conjugada 2ª dose
  • Rotavírus 2ª dose
5 meses

  • Meningocócica C conjugada 2ª dose
6 meses

  • Pentavalente 3ª dose (Tetravalente + Hepatite B 3ª dose)
  • Poliomielite 3ª dose (VIP)
9 meses

  • Febre Amarela - 1ª dose
12 meses

  • Pneumocócica conjugada reforço
  • Meningocócica C conjugada reforço
  • Tríplice Viral 1ª dose
15 meses

  • DTP 1º reforço (incluída na pentavalente)
  • Poliomielite 1º reforço (VOP)
  • Hepatite A (1 dose de 15 meses até 5 anos)
  • Tetra viral (Tríplice Viral 2ª dose + Varicela)
  • Influenza (1 ou 2 doses anuais; de 6 meses a menores de 6 anos)
4 anos

  • DTP – 2º reforço
  • Poliomielite (2º reforço)
  • Varicela (2º reforço)
  • Febre amarela (Reforço)
Fonte: Ministério da Saúde (MS)

Público alvo da vacinação contra influenza (desde a primeira fase)

  • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias) gestantes
  • Puérperas
  • Trabalhadores da saúde
  • Idosos com 60 anos ou mais
  • Professores das escolas públicas e privadas
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais
  • Pessoas com deficiência permanente, forças de segurança e salvamento, Forças Armadas
  • Caminhoneiros
  • Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso
  • Trabalhadores portuários
  • Funcionários do sistema prisional
  • Adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas
  • População privada de liberdade
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde (Semus)

Números

HPV (masculino)

2019 – 33.335 vacinados
2020 – 23.760 vacinados

HPV (Feminino)

Cobertura inferior a 50%
268.891 não-vacinadas
47,17% de jovens vacinadas

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde (Semus)

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