Cidades | Pandemia

Aulas híbridas continuam sendo alvo de debate de pais e educadores

Com adoção do sistema que mescla as aulas presencial e remota, estudantes revelam dificuldades para acompanhar processo de ensino
Evandro Junior / O Estado MA13/05/2021
Aulas híbridas continuam sendo alvo de debate de pais e educadores Estudantes ainda estão buscando se adaptar ao modelo híbrido de acompanhamento de aulas em São Luís (Matheus Soares)

São Luís - A adoção do método híbrido, com aulas presenciais e remotas, tem afetado negativamente o processo educacional, segundo pais de alunos de escolas particulares de São Luís. Eles contam que nem todos conseguem acompanhar as aulas como deveriam. Professores, por sua vez, revelam que o trabalho redobrou, mas que melhorou bastante, pois docentes e discentes acabaram se acostumando. O sistema híbrido é uma alternativa encontrada para evitar aglomerações e a transmissão do coronavírus.

Segundo Marta Rodrigues, aluna de escola particular do ensino fundamental, ela nem sempre consegue entender as aulas. “Tem dias que não entendo nada, porque fica confuso. Eu gosto mais do presencial, só que meus pais ainda têm medo de me mandar todos os dias. Ai, a gente fica mesclando uns dias na sala e outros em casa”, contou.

Para a mãe e professora Karina Barros, que leciona em escola particular da capital, o trabalho tem sido grande, pois é importante dar atenção tanto para quem está na sala quanto para quem está em casa, assistindo pelo computador.

“Metade dos alunos fica na sala numa semana e metade em casa. Na semana seguinte, troca. É mais fácil quando todos estão na sala ou quando todos estão em casa. Acredito, também, que os alunos precisam se concentrar quando estão em casa, como se estivessem na escola e nesse processo, o cuidado dos pais é fundamental. Acredito que muita coisa melhorou, mas não é fácil”, frisou a professora e mãe.

Experiência

A coordenadora pedagógica do Colégio Santa Teresa, Fernanda Couto, explicou que a experiência do ensino híbrido já soma um ano na instituição e várias adaptações foram feitas para que a qualidade das aulas se mantivesse e o trabalho pedagógico e administrativo continuasse com tranquilidade. Inicialmente, conforme ela, a adaptação foi complicada, pois a mudança abrupta do presencial para o 100% on-line exigiu dos professores e alunos total mudança de planejamento e estudo.

“As famílias também sofreram impactos em seus trabalhos e todos nós, família e comunidade educativa, ainda sofremos os impactos emocionais causados pela pandemia. Hoje, temos alunos mais adaptados às aulas que até o momento acontecem de forma híbrida, mas cada família possui uma rotina muito particular e algumas ainda sentem dificuldade em organizar demandas acontecendo simultaneamente em casa. Enquanto escola, nós buscamos nos aproximar cada vez mais das famílias, ouvir e ajudá-las onde for possível, buscando minimizar as dificuldades trazidas pelo momento atual”, frisou Fernanda Couto.

Gestor educacional do Grupo Dom Bosco, Igor Melo complementou afirmando que a adaptação não foi fácil e não tem sido, até hoje. Depende da autonomia e da forma como o aluno se adapta ao aprendizado.

“Para muitos, ainda há uma dificuldade grande de concentração, principalmente em relação àqueles alunos com menos maturidade e menos idade. Há muita distração em casa, por exemplo, e isso atrapalha um pouco. Os pais até hoje reclamam bastante e isso é geral, pois eles precisam acompanhar também e isso acaba sendo mais uma tarefa para eles nas aulas síncronas. Eles têm que olhar agenda, observar as atividades, dentre outras tarefas. Mas acredito que esse modelo é o futuro da educação, mesmo que não exatamente da forma como acontece atualmente”, finalizou.

Sindicato

Segundo Elsa Balluz, primeira vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular do Maranhão, a entidade tem atuado de forma incansável, discutindo e debatendo os temas mais relevantes sobre a educação, para minimizar os impactos na aprendizagem. Para isso, tem participado de vários grupos de trabalho, tanto na esfera estadual quanto nacional, atento a todos os estudos e relatórios, respaldado na ciência, na articulação e autonomia pedagógica, bem como nas questões jurídicas.

“Todos nós temos que nos debruçar cotidianamente e acompanhar o processo. Relatos de experiências, troca de conhecimento e vivências práticas têm sido uma força para as escolas filiadas. Acreditamos que as famílias têm papel fundamental na vitoriosa abertura das escolas, quando promovem dentro e fora de casa todos os cuidados, evitando reuniões com aglomeração e, ao sinal de qualquer sintoma, avisar imediatamente a escola e não mandar os filhos no rodízio presencial”, disse.

Ela informou que as escolas continuam a oferecer a modalidade remota, agora com a maioria tendo transmissão ao vivo, fruto do esforço da rede em não parar de buscar novas alternativas. Elsa Balluz enfatizou que a sociedade como um todo precisou se adaptar aos novos meios de trabalho e comunicação direta, e a educação formal, em todos os níveis também, trabalhando remotamente com crianças e adolescentes, no ensino básico e com adultos nas instituições de ensino superior.

A principal “virada de chave”, conforme Elsa Balluza, foi entender que seria possível manter os vínculos educativos tão importantes, e professores se superaram para reinventar suas aulas, e dar conta de suas próprias demandas familiares, pais e alunos se reorganizaram na rotina em casa, e gestores se desdobraram em buscar soluções para dar apoio ao todos os envolvidos.

“Não foi fácil, mas a conscientização de que é necessário e imprescindível o trabalho colaborativo nos fez chegar a um equilíbrio em prol da vida, bem maior. Naturalmente, uns se adaptaram mais, outros menos. Devemos sempre buscar alternativas que atendam aos grupos e se debruçar sobre casos especiais para não deixar ninguém alheio, principalmente respeitando as crianças, a saúde emocional e mental de todos”, finalizou.

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