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MA: cerca de 60% dos novos casos de Covid-19 são da nova variante

Em vídeo de análise semanal dos dados móveis da pandemia no estado, epidemiologista explica que apesar de uma ligeira redução de casos, mortalidade está em crescimento e é necessário observar os próximos dias
Bárbara Lauria / O Estado13/04/2021
MA: cerca de 60% dos novos casos de Covid-19 são da nova varianteNova cepa foi identificada na maioria dos casos de Covid no Maranhão (Divulgação)

São Luís - De acordo com a análise semanal do epidemiologista Antônio Augusto Moura, coordenador do Grupo de Modelagem Covid-19 da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), foi confirmado que a nova cepa do vírus, Variante P.1, é a predominante no estado do Maranhão neste período. Segundo os dados, apenas em fevereiro, cerca de 60% dos casos de Covid-19 foram provenientes da nova variante.

“A nova variante é extremamente mais transmissível e tem a possibilidade de reinfecção, e isso, talvez, seja um dos fatores que explique o novo aumento da pandemia no Maranhão”, explicou o epidemiologista em vídeo.

Apenas em abril, do dia 1º ao dia 11, foram registrados 6.784 novos casos da Covid-19, sendo 1.424 referentes à Grande Ilha, 591 à Imperatriz e 4.769 a outras regiões. Apesar do alto número, segundo o epidemiologista, no último período analisado pelo grupo, de 2 a 8 de abril, foi possível identificar uma ligeira redução dos casos, que pode ser resultado das medidas restritivas decretadas pelo Governo Estadual desde fevereiro.

Outras possíveis causas para a redução de casos, apontadas pelo epidemiologista, foram o aumento do isolamento social e maior uso de máscaras que aconteceram após o conhecimento do aumento das mortes pela população; e a diminuição ou esgotamento de suscetíveis. “A epidemia desacelera quando houver menos pessoas para o vírus infectar, ou seja, muitos já foram infectados e estão temporariamente protegidos de reinfecção”, ressaltou.

O professor ainda lembra que, no caso da nova variante, não se sabe ainda por quanto tempo dura a sua proteção e, por isso, é importante manter os cuidados e avaliar bem as medidas restritivas. “Tudo depende de quantas pessoas ainda estão suscetíveis e da capacidade de reinfecção da nova variante P.1, que no final de fevereiro já era responsável por 60% dos casos no estado. É preciso muito cuidado e ir suspendendo as medidas devagar e acompanhando a situação de perto”, disse.

Atraso de notificações
Contudo, apesar da pequena queda de casos, o epidemiologista alerta para a mortalidade que ainda está em crescimento, ou seja, o número de óbitos a cada mil contaminados continua aumentando no estado. De acordo com Antônio Augusto, isso se deve a um atraso na divulgação do número dos óbitos e, inclusive, na própria confirmação da causa da morte.

“A pandemia pode estar em uma desaceleração, mas a mortalidade vai continuar aumentando, tanto porque existe essa defasagem temporal, como também existe esse atraso, aqui no Maranhão, do lançamento de óbitos que foi estimado pela Fiocruz”, explicou o epidemiologista. De acordo com a pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Maranhão é o terceiro estado com maior atraso nas notificações de óbitos do país, levando cerca de 30 dias para lançar o número de mortes.

Os boletins lançados pela Secretária de Estado da Saúde (SES) durante o mês de abril chegaram a registrar 484 óbitos nos primeiros 11 dias do mês, porém, 81 foram registrados dentro de 24h, sendo as outras 403 mortes provenientes de dias ou semanas anteriores ao boletim em que foram registradas. De acordo com a Média Móvel do Consórcio de Imprensa referente ao dia 10 de abril, o estado continua, inclusive, em situação vermelha, com aumento de 15% nos óbitos.

Em nota, a SES informou que os óbitos relacionados às Síndromes Respiratórias Agudas Graves por Covid-19 são notificados no Sistema Notifica Covid-19, desenvolvido pela SES/MA, e no Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), do Ministério da Saúde/DATASUS, que constantemente apresenta instabilidade.

“Ainda assim, mesmo com a inconsistência no Sivep-Gripe, base de análise do levantamento do Instituto Oswaldo Cruz, os dados do Maranhão são regularmente notificados na plataforma estadual, de modo a garantir a qualificação da informação sem atrasos, tendo suas publicações diárias no Boletim Epidemiológico”, disse a Secretaria em nota, que também ressaltou que a notificação dos dados é responsabilidade das unidades de saúde públicas de gestão estadual, municipal e federal; bem como da rede privada e vigilâncias epidemiológicas das 217 cidades maranhenses. A SES ainda disse que mesmo com a instabilidade informada no Sivep-Gripe, os profissionais realizam a inserção dos dados quando existe possibilidade técnica.

Leitos
Outro aspecto que o Grupo de Modelagem identificou foi uma pequena melhora da situação em hospitais privados, em que cerca de 100% estão sem filas de espera e começando a possuir leitos de enfermarias disponíveis. Em relação aos leitos das unidades de saúde estaduais, tanto Imperatriz quanto as demais regiões do interior do estado apresentaram uma melhora e estão com ocupação em até 80%. Contudo, a região da Grande Ilha ainda apresenta cenário preocupante.

Segundo os dados divulgados no último domingo, 11, a Grande Ilha possui 687 pessoas internadas, tanto em leitos de UTI, quanto de enfermarias. A ocupação da região é de 91,88% nos leitos de UTI e 80,66% nos leitos de enfermaria.

“A situação não é tão dramática quanto nas semanas anteriores, pelo menos a situação parou de piorar. Porém, ainda não sabemos se a tendência de queda que vinha na semana passada vai continuar ou vai ser interrompida. Essa pandemia, cada semana é uma semana, e temos que acompanhar para ver o que vai acontecer”, explicou.

Vacinação
A situação da vacinação no Maranhão é mais um aspecto que, segundo o epidemiologista, ainda está muito lenta. Até o momento a primeira dose foi aplicada em 8% da população, enquanto a segunda dose foi aplicada em apenas 2% dos maranhenses. De acordo com o epidemiologista, o ideal para conter a propagação do vírus é a imunização de 70 a 80%.

Porém, o professor ainda ressalta que há possibilidade de a vacinação impactar positivamente na gravidade dos casos em pessoas idosas. “É possível que já tenha havido uma redução da gravidade dos casos nos idosos, isto está sendo investigado em vários estudos, mas não temos muitos dados ainda”, contou.

NÚMEROS

6.784 casos da covid registrados do dia 1º ao dia 11 de abril

1.424 casos deste total, na Grande São Luís

591 casos deste total, em Imperatriz e 4.769 a outras regiões

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