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Boletim Observatório Covid-19 tem nova edição com padrões altos de transmissão

Documento confirma a tendência de elevação no número de casos e óbitos de janeiro
08/02/2021 às 16h30
Boletim Observatório Covid-19 tem nova edição com padrões altos de transmissão. (Divulgação)

Brasília - A nova edição do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz aponta que os dados consolidados para o país mostram a manutenção de padrões elevados de transmissão da Covid-19, confirmando a tendência de alta no número de casos e óbitos de janeiro. Nas semanas epidemiológicas 3 e 4 (17 a 30 de janeiro), o Brasil registrou uma média diária de 51 mil casos e de 1.050 óbitos por dia. Nenhum estado apresentou tendência de queda no número de óbitos. Em cinco deles - Acre, Amazonas, Roraima, Ceará e Paraná - houve um aumento significativo do número de mortes.

A nova edição destaca a importância estratégica da farmacovigilância. Com o início das campanhas de vacinação, a vigilância de eventos adversos tem ganhado destaque na mídia e despertado o interesse da população em geral. Diante deste cenário, a vigilância assume papel fundamental ao possibilitar a identificação de eventos raros não detectados previamente, assim como de possíveis benefícios à saúde ainda não observados.

O início das campanhas chega em um momento crítico da pandemia no país. Segundo o Boletim, 11 estados apresentam elevadas taxas de incidência e em 18 foram observadas altas taxas de mortalidade. A maior parte desses estados mantém taxa de letalidade por Covid-19 (proporção de casos que resultam em óbitos) elevada, confirmando a expressiva alta no Amazonas (4,5%) e a manutenção de taxas elevadas no Rio de Janeiro (4,9%). Na visão dos pesquisadores do Observatório Covid-19, que é integrado por uma equipe multidisciplinar, este fato indica graves falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados.

“No caso das novas vacinas para Covid-19 que estão sendo utilizadas no Brasil é importante que todos os eventos adversos observados sejam notificados. Os estudos realizados previamente incluíram número pequeno de pessoas idosas e ainda requerem mais dados para que se conheça o perfil mais completo desses eventos nesse grupo”, observam os pesquisadores.

No entanto, de acordo com o Boletim, com o perfil de segurança já conhecido, o balanço entre risco e benefício das vacinas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) é favorável à vacinação dos idosos. Os cientistas do Observatório Fiocruz Covid-19 ressaltam que os dados sobre os eventos adversos são analisados por uma equipe internacional de especialistas para identificar situações que possam gerar riscos a algum grupo populacional específico.

”Até o momento, os eventos conhecidos, relatados nos estudos realizados no Brasil e em outros países, são todos de pequena gravidade: poucos casos de dor de cabeça, dor no local da aplicação, febre baixa, calafrio, dor articular e muscular e cansaço. E todos com melhora de 24 a 48 horas”, afirmam os cientistas.
Cidadãos e profissionais de saúde ou serviços de saúde e vigilâncias sanitárias podem fazer notificações pelo VigiMed, que é disponibilizado pela Anvisa. O formulário disponível nesse sistema serve para relatar eventos adversos e outros problemas relacionados a medicamentos e vacinas. O sistema é simples e rápido e a notificação pode ser feita mesmo que seja apenas uma suspeita. E possível relatar eventos adversos também nos sites dos produtores das vacinas: na Fiocruz e no Butantan.

Leitos de UTI Covid-19
Por sua vez, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos encontram-se em zona de alerta crítica, com (≥80,0%) em sete estados na zona de alerta intermediária e (<80% e ≥ 60,0%) em 14 estados e no Distrito Federal. Em oito capitais as taxas de ocupação estão na zona de alerta crítica, destacando-se Porto Velho e Rio de Janeiro, com 100% de ocupação de leitos UTI Covid-19, segundo registro feito em 1º de fevereiro. Estes dados apontam para uma alta demanda de internações.

Novas variantes
A análise destaca ainda as características singulares do novo Sars-CoV-2. Desde o primeiro caso confirmado de infecção pela nova variante o vírus já circulou pelo mundo e em cada pessoa contaminada se multiplicou e fez milhares de cópias de si mesmo. O surgimento destas novas linhagens, que apresentam mutações na proteína Spike e que podem impactar a capacidade do vírus de se replicar em um determinado ambiente, além da transmissibilidade, tem sido motivo de preocupação em todo o mundo.

De acordo com nota técnica elaborada pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), as cepas variantes circulam no Amazonas desde abril de 2020 e podem ser representantes de um vírus de uma linhagem emergente no Brasil.

“Se essas mutações conferem alguma vantagem seletiva para a transmissibilidade viral, devemos esperar um aumento da frequência dessas linhagens virais no Brasil e no mundo nos próximos meses. Neste novo cenário, é fundamental aumentar nossas capacidades de vigilância em saúde, incluindo a vigilância genômica e sorológica, para inclusive determinar a eficácia das vacinas existentes para a Covid-19 nestas novas linhagens”, alertam os pesquisadores do Observatório Covid-19.

Incidência e mortalidade – Atrasos nos fluxos de dados
Em relação à incidência e mortalidade, o Boletim mostra que as maiores taxas de incidência de Covid-19 foram observadas em Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Já as taxas de mortalidade mais elevadas foram verificadas no Amazonas, Roraima, Amapá, Tocantins, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Os pesquisadores do Observatório Fiocruz Covid-19 ressaltam que, no momento, há um grande atraso no fluxo de dados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) e que parte dos casos divulgados em janeiro pode ainda ser decorrente de exames, adoecimentos, internações e óbitos ocorridos em dezembro. Da mesma forma, segundo os cientistas, casos ocorridos em janeiro podem estar represados.

Fonte: Portal Fiocruz

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