Cidades | Desemprego

Procura por serviços de diaristas e domésticas diminui na pandemia

Segundo dados do IBGE, 1,7 milhão de empregados domésticos perderam o trabalho no ano passado em todo o país
Ismael Araújo / O Estado29/01/2021
Procura por serviços de diaristas e domésticas diminui na pandemia Trabalho de funcionários domésticos ficou comprometido na pandemia (Paulo Soares / O Estado)

São Luís - A pandemia da Covid-19, que tem como palavra de ordem o isolamento social, afetou a procura pelos serviços realizados de diarista e trabalho doméstico no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais de quatro milhões de trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego até o fim do terceiro trimestre do ano passado em todo o país. Desse total, 1,7 milhão eram empregados domésticos, com trabalho formal. No Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado do Maranhão há cerca de 600 profissionais cadastrados.

Maria Inês Damasceno, de 58 anos, disse que há mais de uma década trabalha como diarista e durante a semana consegue fazer a limpeza em, pelo menos, três residências na Grande Ilha. No ano passado, ficou sem trabalhar no decorrer de quatro meses devido ao novo coronavírus. “Meus patrões ficaram com receio da doença, então, resolveram pelo meu afastamento do local do trabalho, mas pagaram pelas diárias”, contou a diarista.

Ela disse que várias colegas de profissão ficaram desempregadas e alguns pediram as contas para evitar o contágio da doença. “Muitas amigas, após contraírem a Covid, resolviam não voltar para o trabalho, com receio de contaminar outras pessoas. E, a maioria delas, recebeu auxílio do Governo Federal”, declarou Maria Inês Damasceno.

A diarista, no momento, está trabalhando normalmente, mas, usando luvas, máscara e o álcool em gel. Durante o trabalho é evitado o contato constante com outros funcionários da casa, moradores, principalmente, crianças e idosos. “Na dependência da residência em que estou limpando, na maioria das vezes, estou sozinha. O contato com outras pessoas é sempre evitado”, contou a diarista.

Maria do Espírito Santos, de 53 anos, é empregada doméstica e disse que, no momento, está afastada do serviço por causa de crises de hérnia de disco, mas, tem ouvido das colegas de profissão que o trabalho está escasso. “Muitas amigas foram demitidas e outras afastadas pelos patrões, devido ao medo de contrair o coronavírus”, declarou.

Efeitos da Covid-19
A diretora de Finanças do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado do Maranhão, Maria Isabel, informou que a categoria vem sofrendo perda desde o início da pandemia. “São mais de 600 trabalhadores domésticos sindicalizados em todo o estado e contabilizamos perdas e modificações devido ao novo coronavírus”, disse.

Ela declarou que algumas colegas, logo no início da pandemia, tiveram o contrato de trabalho suspenso e receberam o soldo por meio do Governo Federal. Também houve casos em que a profissional teve redução de jornada de trabalho e consequentemente diminuição salarial.

Maria Isabel ainda contou que teve caso em que a empregada doméstica ficou confinada por um período de três ou quatro meses no local de trabalho e teve patrão que optou por pagar o serviço de motorista de aplicativo para o transporte diário da funcionária.

Ela frisou que, após a reforma trabalhista, a movimentação na sede do sindicato, localizado na Casa do Trabalhador, no Cohafuma, diminui bastante. “Antes da reforma, a equipe do sindicato avaliava mais de 60 contratos de demissão de empregados domésticos por mês, no momento, são dois ou três. Agora, o próprio patrão e o empregado podem fazer a homologação desse contrato no local de serviço”, explicou Maria Isabel.

SAIBA MAIS

Reduzir o risco de transmissão (no trabalho do empregado doméstico)

  • Janelas abertas
  • Uso de máscaras simples portodos
  • Evitar aglomerar em ambientes pequenos
  • Refeições realizadas separadamente
  • Higiene de mãos e superfícies (mesas, bancadas) constante
  • Na presença de sintomas sugestivos de Covid19 no empregador = isolamento desta pessoa em um cômodo, isolamento inclusive do empregado, para proteção do empregado.
  • Na presença de sintomas sugestivos de Covid19 no empregado (ou contato com casos suspeitos) = funcionário não deve vir trabalhar por no mínimo 7 dias.

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