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Massas e sabores: muito mais que trigo, fermento e sal

Projeto social liderado por mulheres apresentou ao povoado de Roça Grande, em Alto Alegre do Pindaré, uma alternativa de renda, criando a primeira padaria daquela região
16/01/2021
Curso trabalhou padrão de qualidade com mulheres do projeto

Maranhão - A comunidade de Roça Grande pertence a área rural do município de Alto Alegre do Pindaré e fica a 315 quilômetros de distância de São Luís. Vizinha à Estrada de Ferro Carajás, a comunidade tem o trabalho de agricultura familiar como a principal fonte de renda da população. Porém, há cerca de três anos um movimento liderado por mulheres criou uma alternativa de geração de renda no povoado, garantindo apoio ao sustento de 16 famílias.

A ideia inicial delas era não depender tanto dos maridos e da sazonalidade da produção rural. E assim nasceu o projeto Massas e Sabores, que criou a primeira panificadora da localidade. Hoje, elas produzem mais de 9 mil pães por mês e atendem a vários povoados vizinhos.

"Nós tivemos a ideia, mas não sabíamos nem por onde começar. Primeiro passo foi procurar ajuda para aprender como fazer. O curso foi fundamental. Até noção de técnicas de vendas tivemos. Depois dessa etapa, começamos a andar com as próprias pernas e colocamos o nome “Massas e Sabores” na praça, afirmou Jeciara Melo, uma das pioneiras no projeto.

A mineradora Vale, concessionária da Estrada de Ferro Carajás, ofereceu ao grupo de mulheres que liderava o projeto uma capacitação técnica especializada de seis meses, ministrada pelo Grupo de Apoio às Comunidades Carentes do Maranhão (GACC). Hoje, o projeto Massas e Sabores funciona sete dias por semana na sede do povoado de Roça Grande, produzindo 300 pães por dia e cerca de 9 mil por mês. O incremento de renda individual dos participantes já chegou a R$ 450.

Igor Melônio, entregador do projeto, roda quase 15 quilômetros para deixar pão quentinho aos clientes. Além do retorno financeiro, que o ajuda com as despesas do dia a dia, há os elogios. "Sempre ouço dos clientes que esse é o pão mais gostoso que experimentaram".

Quem hoje exporta pão, também já dependeu de outros povoados para saborear o alimento. "Antes dessa padaria, nós tínhamos de ir até Altamira para comprar. Não tinha essa história de pão quente todo dia. Hoje, isso mudou", comemora Luís Antonio Silva, lavrador de Roça Grande e cliente do projeto.

Tudo começa ainda de madrugada, às 3h. É quando Eugênio Barros, um dos padeiros, chega à padaria para encontrar outras colegas e literalmente meterem a mão na massa. E junto com o crescimento da massa, aditada de fermento, veio também a vontade de ver o projeto chegar ainda mais longe. Hoje, tudo que é produzido é vendido no mesmo dia, mas sobra disposição para fazer mais.

Para Maria Aires de Sousa, da equipe de produção do projeto, o sonho apenas começou a virar realidade. "Isso vai crescer, vai expandir. Vocês ainda vão ouvir falar da gente, porque nós vamos ainda mais longe". O sonho dessas empreendedoras agora é aumentar o maquinário e ter uma sede própria que permita ampliar a produção. E mais uma vez eles buscaram o
apoio da Vale.

Trabalho começa ainda de madrugada

"Na primeira fase do projeto, apoiamos com a capacitação técnica, até que eles atingissem esse nível de excelência. Agora, iremos apoiar com infraestrutura e com a doação de equipamentos. Estamos no caminho certo, fase a fase, consolidando um negócio social que já faz diferença na vida de tantas mulheres e famílias", afirmou Andreia Andrade, gerente de Relacionamento com Comunidades da Vale.

Então, se você pretende viajar ao longo da Estrada de Ferro Carajás, que tal dar uma parada para saborear o pão do "Massas e Sabores", na comunidade Roça Grande? Um pão que traz na sua essência muito mais de trigo, fermento e sal.

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