Alternativo | Reflexão

Teatro virtual com leitura inédita sobre feminicídio

Em projeto iniciado durante a pandemia, a atriz conduz a live de teatro documental Mulheres da Areia, texto do dramaturgo mexicano Humberto Robles, sobre o assassinato de milhares de mulheres na Ciudad Juárez, no México
22/11/2020 às 06h15
Teatro virtual com leitura inédita  sobre feminicídioA leitura, conduzida por Christane Tricerri e montada como live durante a pandemia (Arthur Medeiros/Divulgação)

SÃO PAULO- O Itaú Cultural fecha no dia 24 (terça-feira) a programação do Palco Virtual de novembro com uma estreia teatral online: a leitura de Mulheres da Areia, texto do dramaturgo mexicano Humberto Robles, e que integra o novo projeto Christiane Tricerri, atriz e diretora da ação. Robles, que é dramaturgo mexicano vivo mais encenado no mundo, aborda o feminicídio no texto, além de vir há anos se dedicando à luta contra o assassinato de mulheres no México. Após a apresentação, o público participa de uma conversa online com o autor e elenco.

A apresentação acontece via Zoom e os ingressos, gratuitos, já podem ser reservados pela plataforma Sympla (confira o link em www.itaucultural.org.br).

O ponto de partida de Mulheres da Areia é Juárez, cidade mexicana localizada na fronteira com os Estados Unidos, com cerca de dois milhões de habitantes, e que é considerada uma das cidades mais violentas do mundo, em especial no que diz respeito a feminicídio. O texto documental escrito por Humberto Robles tem como base o testemunho de pessoas do local, tido como a cidade que odeia mulheres, narrando os fatos de elas serem violentadas, assassinadas e seus corpos abandonados no deserto mexicano.

Dentro da proposta de teatro útil do dramaturgo, Mulheres da Areia leva para a cena um grito contra o feminicídio. A leitura, conduzida por Christane Tricerri e montada como live durante a pandemia, tem como base a linguagem do teatro documental, que ganha potência na plataforma audiovisual, unindo texto e vídeo. Tendo, ainda, no elenco, Rubens Caribé, Erica Montanheiro e Débora Santos, participação especial Lena Roque, a trama se desenrola quando duas vozes femininas levam ao público depoimentos extraídos de entrevistas com as mães, irmãs e amigas das vítimas de Ciudad Juárez. Em meio a isso, uma voz masculina rompe a sintonia e orquestração das vozes femininas. Mas se trata de um dos poucos homens que se juntam à causa.

Apesar de o texto ter sido escrito em 2011, os fatos não mudaram em quase uma década, e mais de mil mulheres foram mortas no México nos últimos nove meses. “Dar voz a essas mulheres é, extremamente dolorido, mas também libertador”, destaca Christiane. Robles complementa: “Não basta ser contra o feminicídio, é preciso lutar contra ele”.

Para além da dramaturgia, Humberto Robles está ligado a entidades que lutam pelas causas contra o feminicídio e na defesa do LGBT+, como COMITÊ DE Anistia Internacional e Comitê Cerezo. Todos os cachês do dramaturgo relacionados à obra Mulheres da Areia são doados para ONGs. Dessa vez, o cachê será doado para ONG brasileira Apolônias do Bem, que faz reconstituição dentária de mulheres que sofreram violência.

Sobre Christiane Tricerri

Atriz e diretora formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP, Christiane Tricerri estreou nos palcos aos 16 anos, em Equus, de Peter Shaffer, ainda na escola. A estreia profissional aconteceu em 1981, em Mal Secreto, direção de Roberto Lage, e, no ano seguinte, com Bella Ciao, foi escolhida como Melhor Interprete no prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, APCA.

Entrou para o Teatro do Ornitorrinco em 1985. Com a companhia, tem uma vasta e premiada trajetória no teatro, intercalada por atuações também na televisão e no cinema, além de outros trabalhos nos palcos, como Mistérios Gozozos (1994), com Celso Martinez Corrêa, Quíntuplos (1996), sob direção de Maria Alice Vergueiro, e Rei Lear (2001), com Raul Cortez.

A relação com a obra do dramaturgo Humberto Robles, que agora culmina com o projeto de Mulheres da Areia, segue ininterrupta ao longo dos últimos anos. Em 2018, estreou Nem Princesas Nem Escravas, e em 2019, Frida Kahlo - Viva la Vida, ambas de autoria do mexicano e com tradução e direção de Cacá Rosset.

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