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Estudo inédito avalia os impactos da pandemia na saúde do homem

Pesquisa aponta que saúde mental foi mais afetada que a física, na população masculina
18/11/2020 às 18h30
Estudo inédito avalia os impactos da pandemia na saúde do homemPandemia afetou tanto a saúde física quanto a mental do homem (Divulgação)

São Paulo - Em 2020, o mundo foi surpreendido pela pandemia provocada pelo novo coronavírus e a saúde passou a ser o centro de todas as discussões e preocupações. Segundo o Ministério da Saúde, a Covid-19 é mais letal entre os homens pardos, com mais de 60 anos e que apresentam comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas no mesmo paciente e ao mesmo tempo).

Nesse cenário, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) resolveu investigar como o vírus, a doença por ele causada (Covid-19) e seus desdobramentos afetaram a saúde da população masculina brasileira. O estudo "Você e a Covid-19 - A saúde do homem na pandemia" teve como objetivo medir os sentimentos, mapear a saúde física e emocional do homem brasileiro de todas as faixas etárias e perceber o quanto o brasileiro mudou sua rotina em face ao maior desafio sanitário global já enfrentado.

No período de pandemia muito homens negligenciaram ainda mais o cuidado com a sua saúde o que pode ter um impacto importante em sua saúde futura. “A saúde da população masculina é uma das três causas prioritárias do LAL, além das doenças cardiovasculares e do câncer, e nesse momento tão delicado não poderíamos deixar de entender as principais aflições dessa população. Além de ouvir como a mudança de comportamentos impactou, por exemplo, a diminuição de exames e consultas de rotina, procuramos entender também como a pandemia mexeu com o emocional dos homens brasileiros. Um dos efeitos de adiar consultas e exames é o de que vários diagnósticos precoces de algumas doenças, como o câncer de próstata, deixaram de ser feitos” explica Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Realizada entre 15 de julho e 21 de setembro, o estudo foi coordenado por Roberta Pimenta, especialista em pesquisas e inteligência de mercado, Mestre em Administração de Empresas pelo Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com Especialização em Marketing Internacional pela EM Lyon Business School e Pós-graduada em Finanças pela FIA/USP. Contou com a participação de 1080 homens, de todas as regiões brasileiras e com idades entre 14 e mais de 66 anos.

Entre os fatores apontados pelo estudo está o impacto na saúde mental: 96% dos participantes declaram que vivem na quarentena ao menos um sentimento negativo - de ansiedade, estresse, desanimo. Outro fator que chamou a atenção é que enquanto 87% dos entrevistados acreditam que sua saúde física vai bem esse índice cai para 78% quando questionado sobre a saúde mental. O índice fica ainda mais marcante quando se compara os 33% dos entrevistados que acreditam que sua saúde física vai muito bem, contra os 19% que se auto avaliam muito bem em relação a saúde mental.

“Conforme realizamos os cruzamentos de dados, percebemos que o sentimento que predomina é a preocupação com assunto familiares ou afetivos, o que sugere que a pandemia afetou mais os relacionamentos do que a experiência individual. A ansiedade é compartilhada por homens de todas as idades, mas é curioso que os sentimentos negativos são mais presentes em homens mais jovens, decrescendo à medida que a idade do homem aumenta”, complementa Marlene.

Saúde física
60% dos homens declararam ter ao menos um fator de risco ao agravamento da Covid-19 sendo que 15% apresentam a combinação de 3 ou mais fatores de risco. Os hipertensos são os mais apresentam comorbidades: 81% tem outra condição de risco em particular obesidade, diabetes e idade acima dos 60 anos.

Prevenção da Covid-19
Os métodos de prevenção do contágio pelo novo coronavírus tiveram grande adesão. Dos homens ouvidos, 96% declaram usar máscara ao sair de casa; 89% evitam aglomerações; 88% lavam as mãos frequentemente e 70% usam álcool para higienizá-las.

“Pudemos perceber que as medidas de prevenção do contágio pelo novo coronavírus são pouco ou nada influenciadas pelas condições de saúde do homem e acreditamos que isso se deve ao fato de eles entenderem que a proteção contra a doença não é apenas para si, mas para o bem coletivo”, comenta Roberta Pimenta, curadora da Pesquisa.

Quanto mais jovem, mais frequente é a quebra do isolamento social. 25% dos jovens declararam não evitar aglomerações e um terço saem de casa mesmo que não seja estritamente necessário. A partir dos 46 anos de idade, é quase unanime a medida de evitar aglomerações, apesar de que, nesta faixa etária, os homens ainda saem de casa sem necessidade.

Telemedicina ou adiamento de consultas?
17% dos homens participantes do estudo foram atendidos à distância por médicos, psicólogo ou outro profissional de saúde. Porém, 44% declarou ter diminuído a frequência de visitas ao médico, 13% interrompeu um tratamento médico que fazia antes da pandemia e outros 10% adiou uma cirurgia ou procedimento médico. Além disso, os atendimentos remotos tendem a ser prestados por profissionais credenciados por plano de saúde. A telemedicina foi reportada por apenas 11% dos homens atendidos exclusivamente pelo SUS.

“A pandemia foi um grande acelerador das interações sociais e pode ter dado o impulso definitivo para que a telemedicina se estabeleça como alternativa no relacionamento médico-paciente. Entretanto, os índices de diminuição de frequência a consultórios médicos e/ou tratamentos é preocupante por elevar, no futuro, a gravidade de diagnósticos e tratamentos”, finaliza Marlene.

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