Polícia | Mortes

Violência em alta: 17 assassinatos registrados em sete dias na Grande Ilha

A SSP informou que a maioria dos crimes tem ligação com uma guerra entre faccionados e que está tomando medidas mitigadoras para conter a onda de criminalidade
26/09/2020
Violência em alta: 17 assassinatos registrados em sete dias na Grande IlhaPoliciais no local da execução de Cleyson Garcia Barros, na manhã desta sexta-feira (25), na Av. Alexandre de Moura (Paulo Soares / O Estado)

SÃO LUÍS - Dezessete assassinatos ocorreram em um intervalo de sete dias na Grande Ilha e, de acordo com a polícia, a maioria dos casos está relacionado a guerra de faccionados. Somente durante a noite de quinta-feira (24) até o período da manhã de sexta-feira (25), o registro foi nove mortes violentas e, entre as vítimas, o policial militar Ricardo Sousa Pinheiro, de 35 anos. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou, que as forças de segurança estão tomando medidas mitigadoras para conter essa onda de violência na Região Metropolitana.

O policial Pinheiro, como era conhecido na corporação militar, foi abordado pelos criminosos na porta da residência da sua mãe, localizada no Ipem São Cristóvão. Segundo a polícia, os bandidos queriam tomar de assalto o veículo do militar, um Corsa Classic. Houve troca de tiros. Pinheiro e um dos assaltantes, Wilker Xavier Silva, de 18 anos, vieram a falecer.

Guarnições da Polícia Militar começaram a realizar incursões na Ilha e durante o período da madrugada de sexta-feira abordaram mais um envolvido na morte de Pinheiro, identificado como Neyvison Canindé Carvalho, de 21 anos, na Estrada de Santana, área da Cidade Olímpica. Houve confronto e o criminoso acabou morrendo.

Outros assassinatos

Ainda durante a noite de quinta-feira (24) ocorreram mais três assassinatos quase no mesmo horário. De acordo com a polícia, um dos casos foi registrado 22h30, na Vila Luizão e teve como vítima Theco Ryan de Sousa Goulart, Biu, de 18 anos. Ele ainda foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araçagi, mas chegou sem vida.

O outro homicídio ocorreu 22h32, no bairro Cohab-Anil III e a vítima foi identificada como Maicon Almeida Silva, de 22 anos. A polícia informou que ele foi morto a tiros em plena via pública desferidos por faccionados e tinha passagem pela Justiça.

O terceiro assassinato aconteceu 22h40, no Novo Aurora, área do Cohatrac, e a vítima foi José Luís Lisboa de Aquino, de 29 anos. De acordo com a polícia, José Aquino foi assassinado na porta de sua residência e o irmão dele, Luís Cláudio, idade não revelada, foi baleado na perna e levado para o Socorrão II, localizado na área da Cidade Operária.

Execução de adolescente

Um adolescente, de 15 anos, foi executado nas primeiras horas de sexta-feira (25), no Residencial Amendoeira, bairro do Maracanã. A vítima levou sete tiros e atingiram tórax, braços e as costas. Os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas quando chegam o adolescente já estava sem vida.

A polícia informou que esse crime foi cometido por faccionados e a vítima fazia parte de uma facção criminosa dessa localidade. O corpo dele foi removido para o Instituto Médico Legal (IML), no Bacanga, para ser autopsiado e, na manhã de sexta-feira, liberado para os familiares. A Polícia Civil investiga o caso e não tem registro de prisão dos suspeitos.

Em plena luz do dia

A polícia ainda registrou mais dois assassinatos durante a manhã de sexta-feira (25). Segundo a polícia, dois faccionados em uma motocicleta efetuaram vários tiros na Macaúba. Hudson Garcês Costa, de 18 anos, foi baleado e morreu no local. Também Edgar dos Santos Pinheiro, de 20 anos, foi baleado no tórax e levado para o Socorrão I, no Centro, onde passou por tratamento cirúrgico.

Em plena Avenida Alexandre de Moura, na frente do quartel do Corpo de Bombeiros Militares, Caminho da Boiada, foi executado Cleyson Garcia Barros, idade não revelada. A vítima morreu dentro de um veículo Corsa branco e os criminosos fugiram em um Celta preto. A ação criminosa foi filmada pelas câmeras de segurança.

Latrocínio

Muitos populares ainda sentem receio de andar de coletivo na cidade devido a onda de violência. Na noite do último dia 19, o motorista de coletivo, Francisco Carlos da Silva Teixeira, de 47 anos, foi assassinado durante um assalto ao coletivo, que faz linha Bequimão/Ipase, no elevado da Cohama.

Dois suspeitos foram presos e conduzidos para a sede da Superintendência de Homicídio e Proteção a Pessoas (SHPP), na Avenida Beira-Mar. No dia 20, a cidade amanheceu sem ônibus devido esse crime e, na terça-feira (22), houve uma reunião entre os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (Sttrema) e a cúpula da SSP para traçar ações de segurança voltadas para combater essa empreitada criminosa na Ilha.

Cidade Operária violenta

Quatro assassinatos a tiros ocorreram em um intervalo de 72 horas na área da Cidade Operária. Um dos últimos casos ocorreu na manhã de quarta-feira (23) e a vítima foi Kleiton César Monteiro Rodrigues, o Batata, de 19 anos. Os acusados fugiram em um veículo Ford Ka vermelho e foi abandonado no Residencial Eco Tajaçuaba.

As outras mortes aconteceram na noite do último dia 21 e sendo que duas vítimas foram os adolescentes Carlos Eduardo Pereira Costa, de 15 anos; e Elias Pereira, de 14 anos. O duplo homicídio ocorreu na Vila Apaco, nas proximidades da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), cometido por dois criminosos.

Também nesse dia foi morto a tiros José Ryan de Sousa Salazar, de 19 anos, na Avenida Principal da Santa Clara. A polícia informou que esse assassinato teve a participação de faccionados e motivado devido rivalidades entre facções. A vítima levou vários tiros e morreu ainda no local.

Rivalidades de faccionados

Rivalidades de integrantes de facções criminosas ocorridas durante a noite de quarta-feira (23) na cidade de São José de Ribamar resultou na morte de Luís Guilherme Mendes Araújo, de 19 anos, e Natanael Mendes Rodrigues, de 28 anos, e em dois baleados. Entre os feridos, um adolescente, de 14 anos.

A polícia informou que faccionados promoveram tiroteio no Residencial Turiúba. Luís Guilherme e Natanael Mendes foram baleados e vieram a falecer. Eles tinham passagem pela Justiça por diversos crimes. Também foi baleado Ryan Lucas Barbosa Lopes, de 27 anos; e levado para o hospital.

Na rua do Mangue, área central dessa cidade, os criminosos roubaram um estabelecimento comercial e durante a fuga efetuaram vários tiros em plena via pública. Um adolescente, de 14 anos, foi baleado nas costas e levado para o hospital dessa cidade e até o período da tarde de sexta-feira (25) continuava hospitalizado em estado grave.

Ainda na noite do dia 23, as Policias Militar e Civil realizaram um cerco nessa cidade e se estendeu até a noite de 24 com o objetivo de desarticular facções criminosas. No decorrer dessa operação, 22 faccionados foram presos como também foram apreendidos três armas de fogo, um simulacro de arma de fogo e uma quantidade de entorpecente, sendo a maioria maconha e crack.

Mais casos

A polícia ainda registrou o assassinato de Natanael Soares Santos, de 42 anos, na Vila do Povo, no último dia 20. Na quinta-feira (24) ocorreu a morte de Ruberval Pacheco Matos, de 43 anos. Segundo a polícia, a vítima residia no Conjunto São Raimundo e acabou sendo esfaqueado durante uma briga com o vizinho, identificado como Márcio. A Polícia Civil está investigando o caso.

Órgãos de segurança

O governador Flávio Dino declarou para a Tv Mirante que a maioria dos assassinatos da Grande Ilha foram provenientes de uma guerra promovida por integrantes de facções criminosas e ainda na sexta-feira (25) todos os órgãos da segurança pública estavam reunidos para traçar medidas para combater essa onda de violência.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou, por meio de nota, que as forças de segurança estão tomando medidas mitigadoras de contenção, acerca dos episódios de violência registrados em São Luís nas últimas horas.

A SSP também informou que em reunião extraordinária, os comandos de policiamento metropolitano definiram ações estratégicas a serem adotadas, de forma imediata, no combate à criminalidade oriunda de facções ou de quaisquer outras naturezas. Ainda na sexta-feira, ocorreu uma operação policial em toda a Ilha e sendo comandada pelo próprio secretário da SSP, Jefferson Portela.

Fake News

Uma série de fake news (falsas notícias) ocorreu devido a onda de violência na Ilha. Uma das mensagens foi por meio de grupo de WhatsApp que haveria arrastão na cidade e outras mensagens diziam que os faccionados tinham cometidos assassinatos na Liberdade e no Parque Vitória. Nenhum desses informes foi confirmado pela polícia.

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Cronologia das mortes violentas

Dia 19: Francisco Carlos da Silva Teixeira, de 37 anos

Dia 20: Natanael Soares Santos, de 41 anos

Dia 21: José Ryan de Sousa Salazar, de 19 anos; Carlos Eduardo Pereira Costa, de 15 anos; um adolescente, de 14 anos

Dia 23: Kleiton César Monteiro Rodrigues, de 19 anos; Luís Guilherme Mendes Araújo, de 19 anos; Natanael Mendes Rodrigues, de 28 anos.

Dia 24: Ruberval Pacheco de Matos, de 43 anos; Wilker Xavier Silva, de 18 anos; Tchelo Ryan de Sousa Goulart, de 18 anos; Maicon Almeida Silva, de 22 anos: José Luís Lisboa de Aquino, de 29 anos; Ricardo Sousa Pinheiro, de 35 anos

Dia 25: Artur Henrique Nascimento de Santana, de 15 anos; Cleyson Garcia Barros, idade não revelada; e Hudson Garcês Costa, de 18 anos

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