A gente conta... | Paulo Ribeiro - idealizador do projeto "Acolher"

Mãos solidárias que acolhem e orientam

Ele arregaçou as mangas para ajudar pacientes em tratamento contra HIV/Aids no Maranhão e, por meio do empreendedorismo, encontrou uma maneira de tocar o projeto
Evandro Junior / O Estado MA12/09/2020
Paulo Ribeiro com voluntárias do projeto "Acolher"

São Luís - Protético e empreendedor solidário, o maranhense Paulo Ribeiro, que nasceu em Pinheiro e cresceu em São Luís, é uma prova de que a atitude pode mudar a vida de muita gente. Ele é o idealizador do projeto “Acolher”, uma extensão do Grupo de Ação pela Solidariedade Humana (GASH), que existe há 18 anos e cujo objetivo é atender pessoas em vulnerabilidade social na região metropolitana de São Luís.

“Nossa missão é acolher e atender pessoas vivendo e convivendo com HIV e Aids em todo o Maranhão. Já 4.509 pessoas nos últimos dois anos”, conta ele, lembrando que a sede fica na Rua Munniz Barreiro, na Jordoa.

A iniciativa surgiu da necessidade de estimular a leitura e avançou. “O Gash veio para tentarmos levar o prazer pela leitura para crianças de 9 a 13 anos, em diversas comunidades da área Itaqui-Bacanga, pois o projeto inicial nasceu lá. Depois, observamos que haviam outras necessidades e foi quando decidimos abraçar essa causa”, conta.

Por meio do projeto “Acolher”, os pacientes em tratamento, sendo cerca de 90% proveniente do interior do estado, têm direito do café da manhã ao banco de roupas. “Prestamos atendimento social, psicológico, acompanhamento em consultas, atendimento jurídico, social, nutricional e entregamos kits de higiene pessoal. Muitos não têm nem escova de dentes, quando chegam do interior. Além disso, destinamos também roupas às famílias e ao paciente”, diz.

Bonecas sustentáveis comercializadas para angariar recursos usados na iniciativa

Com tino empreendedor, Paulo Ribeiro sentiu a necessidade de fazer alguma coisa para poder conseguir tocar o projeto e ajudar mais pessoas. “Foi quando tivemos a ideia de produzir bonecas de maneira artesanal. Elas são sustentáveis e ecológicas, produzidas com pó de madeira, reutilização de sacolas plásticas e sobra de resido têxtil. Ou seja, transformamos o lixo em luxo. O material é doado por malharias e costureiras, por exemplo”, conta.

Já foram produzidas mais de 28 mil unidades, ao longo de dois anos de trabalho. “Na fabricação, estão envolvidas seis pessoas no ateliê. Nós comercializamos em 17 pontos de venda solidária. A grande custa R$ 25 e o chaveiro, R$ 10”, informa.

Histórias

Via projeto “Acolher”, Paulo Ribeiro conheceu muitas histórias. Ele conta que muitas pessoas idosas relatam que são esquecidas pelas famílias. “Foi o caso de uma senhora de 70 anos. Ela relatou que nunca tinha recebido nem mesmo um abraço da família. Aqui, nós fazemos a pessoa saber o quanto ela é importante para a sociedade”, afirma.

O projeto conta com a ajuda de 17 voluntários. “Nós passamos o dia todo na casa. Abrimos às 7h e, em média, atendemos entre 20 a 25 pessoas por dia. Quando há necessidade de pernoite, acionamos outro local e, de manhã, o paciente retorna para fazer as refeições”, explica.

No Maranhão, são 21.500 diagnosticadas com a doença e esse número pode chegar a mais de 60 mil, segundo Paulo Ribeiro. “Porque as pessoas que tiveram contato com outras com a doença não têm coragem de fazer a testagem. Desses 21.500, 43% é do sexo feminino e a maioria mulheres acima de 45 anos. Em São Luís, mais de 7 mil pessoas têm a doença. É muito importante que o nosso próximo prefeito repense as politicas públicas para diminuir esse quadro crescente. Além disso, há um percentual alto de abandono de tratamento, em torno de 7 mil”, revela.

Ao longo da pandemia, o projeto destinou 45 toneladas de alimentos a famílias que convivem com a doença. “São muitas dificuldades, mas seguimos firmes no propósito de ajudar. Nosso desejo é fazer com que o aplicativo Xove, que faz o cálculo de risco, seja divulgado na mídia, para que mais pessoas sejam ajudadas. Queremos que o Maranhão saia da zona de risco”, conclui.

Contato interessados em ajudar: 98818-6272

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte