Jack Ferreira e Carla Câmara - Das drogas à vida em família

História de superação e amor próprio

Eles começaram a usar entorpecentes antes de completar a maioridade e, agora, têm residência própria, profissão e um filho de 3 anos

Ismael Araújo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h18
Jack Ferreira e Carla Maiara, com o filho Arthur Carllos, de três anos
Jack Ferreira e Carla Maiara, com o filho Arthur Carllos, de três anos

SÃO LUÍS - Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem serviços de saúde de caráter aberto a pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Eles desenvolvem um trabalho de reinserção social pelo acesso ao trabalho, lazer e exercício dos direitos civis.

Foi nesse ambiente que Jack William do Nascimento Ferreira, 31, e Carla Mayara Câmara Gonçalves, 35, além de saírem do mundo das drogas, se conheceram e aprenderam a ter uma outra visão da realidade e construíram uma família.

Jack do Nascimento procurou pelos serviços do CAPS AD do Monte Castelo em 2012. Ele declarou que começou a usar drogas, principalmente merla, aos 17 anos, influenciado por colegas de rua. “Era meu irmão, Wilson, que viria fazer tratamento no CAPS AD, mas, como não quis, eu acabei vindo, pois queria sair do mundo das drogas e procurar um rumo certo para a minha vida”, contou.

Ele ainda disse que, no primeiro momento, chegou a fazer o tratamento de forma diária por um período de um ano e oito meses, mas acabou tendo uma recaída e abandonou o Centro de Atenção Psicossocial. “É difícil para o usuário durante os primeiros dias do tratamento, mas devemos ter muita fé em Deus e força de vontade”, frisou Jack.

jack e Carla Maiara, com o diretor do CAPS AD do Monte Castelo, Marcelo Costa
jack e Carla Maiara, com o diretor do CAPS AD do Monte Castelo, Marcelo Costa

Carla Mayara informou que também começou a usar entorpecentes antes da maior idade, por influência de amigos. Para manter o vício, chegou a vender objetos de valor da sua residência e da sua genitora, Maria Câmara. Em 2015, ela resolveu fazer o tratamento no CAPS do Monte Castelo. “A minha mãe estava sofrendo muito e eu tinha que mudar o meu modo de vida, começando por abandonar as drogas”, contou.

Encontro

Jack do Nascimento disse que, quando retornou ao CAPS AD do Monte Castelo, no final de 2015, conheceu Carla Mayara, mas a relação amorosa somente começaria em dezembro de 2016. Ele contou que, primeiramente, ganhou a confiança e amizade de Carla Mayara durante as terapias em grupo e, ao longo dos meses, passaram a frequentar, juntos, uma igreja evangélica, localizada na área central da cidade.

Ela recebia vários conselhos de Jack do Nascimento para deixar as drogas e um dava força ao outro para continuar fazendo o trabalho, como também não ter uma recaída. “Teve um dia que cheguei ao CAPS com uma fratura na cabeça e ele deu total força para eu deixar esse mundo das drogas”, desabafou.

Carla Mayara contou que, no final de 2016, eles firmaram o namoro e, no ano seguinte, tiveram o primeiro filho, Arthur Carllos Gonçalves Ferreira. A criança tem 3 anos e oito meses e reside em uma casa no bairro João Paulo. “Consegui deixar as drogas, trabalho com vendas e acabei construindo a minha família. Posso dizer que sou uma vencedora ao lado do meu marido”, afirmou.

O diretor do CAPS AD do Monte Castelo, Marcelo Costa, declarou que não aceita namoro no centro, mas durante os trabalhos em grupo, os pacientes acabam criando laços de amizade. “Os pacientes realizam vários trabalhos em grupos e isso, de certa forma, estreita laços de amizade”, frisou Marcelo Costa.

Em relação ao casal, Marcelo Costa disse que eles integram parte do grupo de 20% dos pacientes que fazem o tratamento e conseguem deixar as drogas, como ainda voltam ao mercado de trabalho, inclusive com uma profissão. E informou que, somente este ano, o Centro de Atenção Psicossocial já atendeu mais de seis mil pessoas.

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