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Casos de dengue caíram 77% com o uso do Método Wolbachia

O estudo é realizado na Indonésia World Mosquito Program (WMP), da Universidade de Monash, na Austrália; no Brasil, a iniciativa é conduzida pela Fiocruz e já apresenta dados preliminares que apontam redução de chikungunya
Com informações da Fiocruz26/08/2020 às 11h07
Casos de dengue caíram 77% com o uso do Método WolbachiaDivulgação

Rio de Janeiro - Um estudo realizado pelo World Mosquito Program (WMP), da Universidade de Monash, na Austrália, em parceria com a Tahija Foundation e Universidade Gadjah Mada, na Indonésia, apontou redução de 77% na incidência de casos de dengue, virologicamente confirmados, nas áreas onde houve liberação de Aedes aegypti com Wolbachia, em Yogyakarta, na Indonésia, quando comparado com áreas que não receberam o método. O estudo clínico randomizado controlado (Randomized Controlled Trial - RCT) “Applying Wolbachia to Eliminate Dengue (AWED)”, teve duração de três anos e foi conduzido em uma área que abrange cerca de 321 mil habitantes.

Wolbachia é um gênero de bactérias que infectam artrópodes, incluindo uma alta taxa de insetos, como os mosquitos transmissores da dengue. Além destes, infectam também aranhas

Este é o primeiro teste padrão-ouro que mostra a capacidade de redução de casos de dengue através da metodologia do Aedes aegypti com a Wolbachia. No Brasil, a iniciativa é conduzida pela Fiocruz e já apresenta dados preliminares que apontam redução de chikungunya.

Doze de 24 áreas de tamanhos semelhantes da cidade de Yogyakarta foram escolhidas aleatoriamente para receber os mosquitos com Wolbachia do WMP em conjunto com as medidas de rotina de controle da dengue realizadas no município. As 12 áreas restantes continuaram recebendo apenas as ações de rotina de controle da dengue.

O ensaio envolveu 8.144 participantes com idades entre 3 e 45 anos que se apresentaram a uma das 18 clínicas de atenção primária com febre aguda indiferenciada de um a quatro dias de duração. O estudo utilizou o método de teste negativo para analisar e medir a eficácia da Wolbachia (cepa WMel) em reduzir a incidência de casos confirmados de dengue em um período de 27 meses.

Após 2 anos do término das liberações, a frequência de Wolbachia continua elevada nas populações de mosquitos Aedes aegypti nas 12 áreas de intervenção. A implementação do Método Wolbachia foi bem aceita pela comunidade e não houve preocupações de segurança.

Este estudo marca uma década de pesquisas de laboratório e de campo, começando primeiro na Austrália e depois expandindo para 11 países onde a dengue é endêmica, entre eles o Brasil. O diretor global do WMP, Scott O'Neill, afirma que este era o resultado que os cientistas do WMP esperavam. "Temos evidências de que nosso método é seguro, sustentável e reduz a incidência de dengue. Agora podemos ampliar essa intervenção para várias cidades em todo o mundo”, destaca.

Método Wolbachia no Brasil

No país, o Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio de governos locais. As ações iniciaram no Rio de Janeiro e em Niterói, em uma área que abrange 1,3 milhão de habitantes. Em Niterói, dados preliminares já apontam redução de 75% dos casos de chikungunya nas áreas que receberam os Aedes aegypti com Wolbachia, quando comparado com áreas que não receberam.

Atualmente, o projeto está em expansão para Campo Grande, Petrolina (PE) e Belo Horizonte. Na capital mineira também será realizado um estudo clínico similar ao conduzido pelo WMP na Indonésia. A cidade será a primeira das Américas a acompanhar casos de dengue, zika e chikungunya por meio de um estudo clínico randomizado controlado (RCT, em inglês), em conjunto com o Método Wolbachia.

Em uma primeira etapa, alguns bairros vão receber o Aedes aegypti com Wolbachia enquanto outros irão receber após a validação do estudo e aprovação junto ao Ministério da Saúde. A escolha dos bairros que vão receber o Método Wolbachia primeiro será por meio de sorteio, metodologia proposta pelo Estudo Clínico Randomizado.

Antes do RCT, será realizado um piloto da operação do WMP Brasil em BH em três áreas de abrangência da Regional Venda Nova (Centros de Saúde Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga). A previsão é que a liberação dos mosquitos com Wolbachia seja iniciada ainda neste ano.

Para a realização do RCT, serão convidadas para participar 60 crianças, na faixa etária de 6 a 11 anos, da 1ª à 3ª série, matriculadas em escolas públicas municipais de BH selecionadas para participar do projeto. Com a autorização dos responsáveis e o necessário consentimento das crianças, será colhida uma amostra de sangue, para avaliar se elas tiveram contato com o vírus da dengue, zika ou chikungunya.

Este estudo, chamado Projeto Evita Dengue, é realizado em colaboração com a implementação do Método Wolbachia, feito pelo WMP Brasil/Fiocruz em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte. Trata-se de uma colaboração científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Emory, a Universidade Yale e a Universidade da Flórida. O estudo é financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID/NIH), dos Estados Unidos.


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