Na pandemia

Estudo da USP aponta melhora no consumo de alimentos saudáveis

Análise faz parte do maior estudo sobre alimentação do país, que investiga a relação entre padrões de alimentação e o desenvolvimento de doenças crônicas no Brasil

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
Primeiros resultados mostram algumas mudanças na alimentação
Primeiros resultados mostram algumas mudanças na alimentação (alimentos)

SÃO PAULO- As primeiras análises do Estudo NutriNet Brasil, que envolveram os primeiros 10 mil participantes da pesquisa, indicam um aumento generalizado na frequência de consumo de frutas, hortaliças e feijão (de 40,2% para 44,6%) durante a pandemia. Por outro lado, a evolução positiva na alimentação foi acompanhada por um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados nas regiões Norte e Nordeste e também entre as pessoas de escolaridade mais baixa. Esses resultados sugerem desigualdades sociais na resposta do comportamento alimentar à pandemia.

"Essa mudança positiva no comportamento alimentar poderia ser explicada por alguns fatores. As novas configurações causadas pela pandemia na rotina das pessoas podem ter as estimulado a cozinharem mais e a consumirem mais refeições dentro de casa. Além disso, uma eventual preocupação em melhorar a alimentação e, consequentemente, as defesas imunológicas do organismo poderiam ser consideradas", comenta o Professor Carlos Monteiro, coordenador do NutriNet Brasil.

Enquanto o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados fortalece os mecanismos de defesa do organismo, o consumo de ultraprocessados favorece doenças crônicas que aumentam a letalidade da Covid-19. "Preocupa o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados nas regiões Norte e Nordeste e entre pessoas de escolaridade mais baixa, o que poderia estar refletindo a intensificação da publicidade desses produtos observada durante a pandemia", acrescenta.

Para essa análise, o Estudo NutriNet Brasil aplicou o mesmo questionário alimentar em dois momentos: entre 26 de janeiro e 15 de fevereiro (antes da pandemia) e entre 10 e 19 de maio (durante a pandemia). Foi questionado o consumo de uma série de alimentos no dia anterior ao preenchimento do formulário. A amostra composta pelos dez mil primeiros participantes é representada, em sua maioria, por jovens adultos, de 18 a 39 anos (51,1%), mulheres (78%), residentes da região Sudeste do Brasil (61%) e com nível de escolaridade superior a 12 anos de estudo (85,1%).

A motivação desta análise foi conhecer o impacto da pandemia de Covid-19 sobre o comportamento alimentar da população.

O recorte faz parte do Estudo NutriNet Brasil, lançado em janeiro de 2020, que tem como objetivo investigar a relação entre padrões de alimentação e o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. A pesquisa tem duração de 10 anos e irá acompanhar 200 mil pessoas. Os interessados em participar voluntariamente do estudo podem se inscrever no site: nutrinetbrasil.fsp.usp.br.

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