Incêndio

Curtos-circuitos já causaram incêndios em 10 edifícios no Maranhão este ano

De acordo com informações da Abracopel, 80% dos casos de incêndio em residência foram causados por problemas elétricos

Bárbara Lauria / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
Apartamento foi incendiado após curto circuito em fio de ventilador; fogo alastrou-se rapidamente
Apartamento foi incendiado após curto circuito em fio de ventilador; fogo alastrou-se rapidamente (prédio incêndio)

São Luís – O curto-circuito acontece quando a corrente que passa por um circuito (fio) eleva acima da capacidade de condução de corrente dele ou acima da capacidade de isolamento do condutor, o que pode causar incêndios. Segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), 80% dos casos de incêndio em residência foram causados por problemas elétricos. De acordo com informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, no Maranhão, este ano 10 edifícios tiveram incêndios motivados por curto circuito.

Na noite da última terça-feira (19), um incêndio começou por volta das 19h20, em um apartamento do 3° andar de um edifício residencial no Calhau, fez com que moradores tivessem de deixar o prédio. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros (CBMMA), a moradora do apartamento informou que o incêndio se iniciou após um curto circuito no fio de um ventilador. O Corpo de Bombeiros ainda informou que o fogo se alastrou rapidamente pelo apartamento, que foi muito comprometido.

“Imediatamente foram deslocados carros de combate a incêndio, ambulâncias e viaturas de resgate. Chegando ao local, foi feita a evacuação do prédio e iniciado o combate às chamas, tanto pela parte interna quanto pela parte externa, porém não foi possível a entrada das viaturas de combate pela existência de um anteparo (marquise) na entrada do condomínio”, informou o Corpo de Bombeiros.

O incêndio restringiu-se ao apartamento em que se iniciou, no entanto devido à alta temperatura ocorreram algumas rachaduras na estrutura do prédio, sendo necessário que os moradores fossem orientados a pernoitar na casa de familiares. O combate às chamas se encerrou às 22h30, mas por volta das 1h40 ouve uma reignição, sendo novamente necessária a atuação do Corpo de Bombeiros, para fazer o rescaldo. Os militares finalizaram a ocorrência por volta das 3h e realizaram a interdição do prédio, em conjunto com a Defesa Civil.

De acordo ainda com o Corpo de Bombeiros, a Reserva Técnica de Incêndio – RTI, quantidade mínima de água exigida pelo CBMMA para possíveis incêndio em edificações, estava com inadequações na pressão, o que causou problemas no acesso da água para controlar o fogo. Contudo, por meio de nota, o Corpo de Bombeiros informou “não houve falta de água em nenhum momento, pois o CBMMA independentemente da reserva técnica do prédio que não foi utilizada, empregou cinco viaturas de incêndios, entre elas um Auto Tanque com capacidade de 30 mil litros d'água”.

O prédio também estava com a vistoria atrasada e tinha irregularidades de segurança, como a falta de sinalização na escada de acesso. Apesar do comprometimento do segundo, terceiro (foco do incêndio) e quarto andar, não foi registrada a existência de vítimas em nenhum dos acionamentos. Todos os materiais utilizados no atendimento da ocorrência foram do CBMMA, uma vez que os preventivos da edificação não estavam funcionando adequadamente. Possíveis irregularidades poderão ser apontadas em laudo superveniente a ser produzido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) do Corpo de Bombeiros. O condomínio foi notificado pelo atraso da vistoria e está passando pela supervisão do DAT.

Curto circuito
O engenheiro eletricista, José de Ribamar Castro, explicou que o curto circuito acontece quando a corrente elétrica que passa pela tomada e chega ao equipamento é maior do que ele suporta. O excesso dessa corrente é transformada em calor e derrete o fio elétrico ou a tomada, ou queima o equipamento, causando o que é conhecido como sinistro.

“É como quando você está preparada para receber uma quantidade X de trabalho ao longo do dia e de repente essa quantidade triplica. Você entra em colapso. Isso pode ocorrer quando ligo vários equipamentos em uma tomada, quando utilizo Benjamin (Tê), quando tenho emendas de fio mal feitas, fios desencapados”, explica José de Ribamar Castro.

Ele também destaca que, geralmente, o curto circuito acontece em ar-condicionado, nobreaks, equipamentos que emitem calor como ferro, uso de Benjamin ou extensões.

Mas varia muito, pois depende da forma como foi instalado e da manutenção preventiva. O engenheiro aconselha uma revisão a cada cinco anos, no mínimo, do sistema elétrico do local, e apenas realizar a troca do sistema quando um elemento (disjuntor, cabo, tomada) estiver danificado ou ultrapassar a vida útil estipulada pelo fabricante.

“Nas instalações há elementos de proteção como disjuntor, DR e supresores de surto. Elementos obrigatório pela norma ABNT 5410, porém as pessoas os ignoram, principalmente o DR (Disjuntor Residual) que possui sensibilidade maior, detectando qualquer fuga de corrente desligando o sistema”, concluiu o engenheiro.

Segurança dos edifícios
O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão destaca que, de acordo com a Lei 6.546, Art 5°, para que a edificação receba da Prefeitura o “Habite-se”, é necessário passar primeiramente pelo CBMMA, que fará as exigências necessárias quanto as medidas de segurança contra Incêndio. O CBMMA exige apresentação de projeto de segurança contra incêndio que será submetido a análise. Aprovado o projeto de incêndio, a construtora executará as instalações aprovadas para que em uma segunda etapa a edificação passe por vistoria. Só depois da vistoria, e constatada as conformidades nas instalações de acordo com o projeto, a edificação recebe seu Certificado de Aprovação - CA para que seja ocupada.

Também é destacado que a vistoria deve ocorrer anualmente, sendo obrigação do próprio condomínio agendá-la. “A responsabilidade dessas manutenções recai sobre o administrador da edificação. Vale ressaltar que existe também a manutenção preventiva cuja periodicidade é mensal ou semanal dependendo da instalação e deve ser providenciada pela administração da edificação”, assinala nota do CBMMA.

SAIBA MAIS

Prevenção

De acordo com a Equatorial energia, para se evitar curto circuitos internos ou problemas elétricos, o cliente precisa que suas instalações internas sejam projetadas por profissionais habilitados com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). Estas instalações internas devem ser feitas seguindo os projetos que levam em consideração a carga instalada, quantidade de pontos de alimentação (tomada e outros). O material aplicado deve ser o que consta no projeto e deve possuir o selo de aprovação do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão (Inmetro). Por isso, é importante que profissionais especializados sejam contratados para essa função.

O que fazer para evitar curto-circuito

Dentro de casa:

•Certifique-se de que a instalação elétrica de seu imóvel não tem fuga. Ela pode ser provocada, por exemplo, por um cabo sem isolamento em contato com alguma parte metálica;

•Para isso, apague todas as luzes, desconecte todos os equipamentos elétricos e verifique se o medidor de energia para de girar (modelos antigos) ou seu display não indica consumo algum (medidores mais novos). Caso o medidor continue a indicar consumo, é necessário revisar a instalação;

•As instalações elétricas precisam passar por revisão e manutenção preventiva realizada por profissional qualificado, no mínimo a cada 05 anos e esta ação é de responsabilidade de cada proprietário de imóvel;

•Antes de fazer qualquer reparo, é importante que seja desligada a chave geral;

•Nunca conecte vários equipamentos em uma mesma tomada. Isso pode provocar sobrecarga na instalação e perigo de superaquecimento; também provoca uma operação deficiente, possíveis interrupções de energia, curtos-circuitos e danos de longo prazo;

•Em caso de curto-circuito, desconecte imediatamente o equipamento que o causou e todos os outros, apague todas as lâmpadas e chame imediatamente um profissional qualificado;

•O equipamento causador do curto deve ser reparado antes de ser colocado em uso novamente;

•Jamais utilize moedas, fios, lâmina de estanho ou alumínio no lugar de fusíveis e disjuntores.

Fora de casa:

•Ao instalar ou consertar antenas de TV, fique distante da rede elétrica. Caso a antena caia nos fios, NUNCA tente pegá-la. Entre em contato imediatamente com central de atendimento 116;

•Jamais tente podar ou cortar árvores que estejam tocando a rede elétrica, pois podem provocar choques e curto-circuito. A Equatorial Maranhão possui equipes especializadas para realizar este serviço com segurança. Nestes casos, entre em contato com a distribuidora e solicite o serviço;

•Em construções ou reformas, o manuseio de materiais metálicos como escadas, vergalhões, andaimes e outros, deve ser longe da rede elétrica;

•Em caso de falta de energia, ninguém pode acessar o sistema elétrico (subir em postes e mexer nos equipamentos), somente os eletricistas da Equatorial Maranhão, treinados e capacitados para essa atividade e que possuem os equipamentos de segurança necessários para os serviços.

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